CARAY! Série clássica do Batman foi VARNERIZADA no Brasil!

Santa marmelada, Batman! Nossos intrépidos heróis, os colecionadores brasileiros, após esperarem uma eternidade pelo acerto entre Fox e Warner pelos direitos da série de TV do Batman, caíram em uma armadilha que nem o Coringa seria capaz de montar.

Para vocês entenderem direitinho a situação, vejam o relato do leitor Guilherme Alves:


Até mesmo quem não é um colecionador hardcore tem aquela série ou filme cujo lançamento em DVD ou BD é aguardado ansiosamente. Acredito que uma dessas séries, para muitos de nós, era a série clássica do Batman da década de 1960, principalmente porque ela sequer havia sido lançada nos EUA.

Quando a notícia de seu lançamento na Terra do Tio Sam foi divulgada, portanto, ficamos de olho para ver se uma versão nacional também seria produzida. Quando foi divulgado que a versão nacional seria lançada apenas em DVD, ficamos com um pé atrás. E agora, podemos constatar que tínhamos razão em temer.

Sim, porque, aproveitando uma promoção do Submarino, decidi arriscar e comprar a versão nacional da série do Bátima. E é com pesar que informo que não fiquei satisfeito. Detalharei o porquê para os amigos do BJC nas linhas que se seguem abaixo.

A encomenda veio em um “saco padrão” do Submarino, aquele azul com plástico-bolha dentro, de forma que a primeira coisa que eu percebi foi que o box era bem grande. Pelas discussões no BJC, imaginava-se que seriam quatro estojos do tipo scanavo, mas o box é bem maior que isso, com largura suficiente para uns sete. O motivo para o tamanho estava em um adesivo colado no plástico que envolvia o box: “grátis uma camiseta exclusiva”.

Fiquei feliz pelo brinde inesperado, uma camiseta oficial licenciada de boa qualidade, mas, assim que a retirei do box, já não gostei: retirando a camiseta, sobra espaço à beça no box, de forma que os quatro estojos e o tal guia de episódios ficam “sambando” lá dentro. Mas o pior mesmo eu só viria a constatar minutos mais tarde, quando finalmente inspecionaria o conteúdo do box detalhadamente.

Para começar, realmente são quatro estojos do tipo scanavo, com um total de 18 discos: cinco para a primeira temporada, oito para a segunda, e mais cinco para a terceira. E aí o que é que a Várner faz? Uma verdadeira bagunça: a primeira e a terceira temporadas vêm cada uma em um scanavo para seis discos, que, além dos quatro afixados no próprio estojo, ainda tem uma aba para mais dois no meio. Como cada temporada só tem cinco discos, um espaço fica vazio em cada estojo.

Curiosamente, porém, o último disco de cada temporada só tem míseros dois episódios e nenhum extra – coloquei o da primeira temporada no computador e vi que ele tem por volta de 1,7 GB ocupado. Será que não era melhor tentar colocar esses episódios em outros discos, para fazer com que a temporada só tivesse quatro, diminuindo o custo final e evitando o uso desse estojo esquisito?

A segunda temporada vem em dois scanavos (nomeados como Parte 1 e Parte 2), com quatro discos cada. Só que esses estojos são pretos, enquanto os da primeira e terceira são transparentes, ou seja, despadronização total.

Cada estojo também vem dentro de uma luva simples, do tipo O-ring, com arte completamente idêntica à do estojo. Por mais que eu goste de luvas, estojos com luvas dentro de um box me pareceram um pouco de exagero.

Se bem que o box é enorme e molengo, então talvez as luvas sirvam para proteger mais ou menos os estojos. É sério, o box é tão mole que, só de ser transportado, já veio todo amassado, e, ainda por cima, tem um papel colado atrás com uma cola superforte. Tão forte que eu fui tentar tirar o papel e rasguei um pedacinho.

Além dos quatro estojos e da camiseta, o box traz um guia de episódios.

Nele, os nomes dos episódios só estão escritos em inglês – assim como no menu dos discos, que segue o atual padrão Warner: menu estático, com ícones na parte de baixo e menus parecidos com uma lista para selecionar qual episódio ou qual idioma você deseja. A dublagem em português realmente é a original da TV, e o som até está bem nítido.

Para terminar, constatei que um dos problemas relatados na versão norte-americana, a ausência de narração na abertura do primeiro episódio, também está presente na versão nacional, o que torna muito provável que os demais problemas que levaram a Warner a fazer um recall nos EUA também estejam (ainda não tive tempo de conferir).

Em suma, estou muito feliz de finalmente ter essa série em minha coleção, mas muito decepcionado com sua apresentação e conteúdo. De fato é uma séria candidata a decepção do ano.


Resumo da ópera:

  • Enquanto em Gotham City a série foi lançada em DVD e Blu-ray, na terra do macacão ficamos restritos apenas ao formato do século passado.
  • Enquanto o Chefe O’Hara pode comprar um box em Digipak com um monte de bijujas, aos brasucas restaram os estojos Scanavo envoltos em uma luva O-ring pra lá de chumbrega.
  • Enquanto o Comissário Gordon poderá assistir ao documentário Adam West Naked, ao filme de longa metragem lançado em 1966, ao featurette Na Na Na Batman! e ao piloto da série da Batgirl, ao pobre batmaníaco brasileiro só resta chupar o dedo.
  • Enquanto o Alfred vê eventuais defeitos serem corrigidos, nós pagamos absurdos R$ 399,90 por algo que parece saído do mesmo lugar que o bat-escudo do Bátima.

Então, se a Warner quer pegar as piores práticas das nanicas (preço alto, acabamento lixo, conteúdo limado e defeituoso de fábrica), ela não merece a sua grana. Passem muito longe!

Imagem criada por @cidraman

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Sobre o autor

Alexandre Prestes era rato de locadora nos anos 80 e nunca se animou a comprar VHS por ser uma mídia de baixa durabilidade. Fã incondicional da boa música, iniciou em 2003 sua coleção com DVDs musicais; só a partir de 2005 passou a comprar filmes e séries. 2009 foi o ano no qual começou a colecionar filmes em Blu-ray, sendo um entusiasta do formato. A coleção continua crescendo (e o espaço diminuindo), cada vez mais a favor de títulos com maior qualidade técnica e fartura de material adicional.