BD Resenha | Mestres do Universo

NOTA DO EDITOR

Esta é uma resenha diferente, não pelo título pitoresco – que pode ser até estranho num primeiro momento para quem acha que este filme não deveria ser merecedor de uma crítica tão completa – mas pelos fatos que a antecederam. Nos comentários sobre o dossiê Brookfilm, a empresa nos acusou de não termos feito uma análise de seus produtos antes de publicarmos o artigo (mesmo que os relatos dos leitores do BJC já fossem o bastante). Após adquirirmos esta edição e esmiuçarmos todos os seus detalhes, observamos que muitas suspeitas levantadas à época se confirmaram, tanto positiva quanto negativamente.

Mestres do Universo é a adaptação live action da série de brinquedos da Mattel He-Man e os Mestres do Universo lançada em 1987. Estrelando Dolph Lundgren no papel de He-Man e o veterano Frank Langella como Esqueleto, esta obra foi o filme mais caro produzido pelo estúdio Cannon Films, famoso por seus filmes de ação de baixo orçamento estrelando Chuck Norris, Van Damme e Charles Bronson.

Ao contrário do que muitos pensavam, o filme não se baseou no famoso desenho, tendo por isso muitas diferenças entre as duas obras. Por conta deste detalhe e pelo fato de grande parte da ação se passar na Terra, muitos se decepcionaram com o resultado final, o que tornou o filme um fracasso de bilheteria (custou US$ 22 milhões e arrecadou pouco mais de US$ 17 milhões) e acabou com os planos de se fazer uma sequência.

Após a falência da Cannon, Mestres do Universo passou a ser propriedade da Warner (nos EUA) e da MGM (internacionalmente). Aqui no Brasil, o filme foi lançado em VHS pela América Vídeo, em DVD (suspeitíssimo) pela Continental e, recentemente, em DVD e Blu-ray pela Brookfilm.

O dossiê que fizemos a respeito da Brookfilm causou muita polêmica, principalmente por conta da desconfiança a respeito da qualidade dos títulos em Blu-ray da empresa. A fim de sanar todas as dúvidas, fizemos uma análise minuciosa deste título, a qual vocês lerão a seguir.

Informações técnicas

  • Formato: BD-25
  • Região: ABC
  • Espaço ocupado (total): 24.038.040.141 bytes (22,39 GB)
  • Espaço ocupado (filme): 18.360.723.456 bytes (17,10 GB)
  • Bitrate total: 23,19 Mbps

Vídeo:

  • Aspect ratio: 1.78:1
  • Codec: MPEG-4 AVC
  • Duração: 1:45:34.327 (h:min:s.ms)
  • Capítulos: 30
  • Espaço ocupado (somente vídeo): 16.196.408.557 bytes (15,08 GB)
  • Bitrate de vídeo: 20,455 Mbps
  • Gráfico de bitrate:

Áudio:

Idioma

Codec

Bitrate

Canais / Amostragem

Tamanho

Inglês Dolby Digital 640 kbps 2.0 / 48 kHz / 16-bit 506.744.320 bytes (483,27 MB)
Português Dolby Digital 640 kbps 2.0 / 48 kHz / 16-bit 506.744.320 bytes (483,27 MB)

Legendas:

  • Português
  • Inglês
  • Espanhol

Apresentação

A apresentação deste título é melhor do que a média do mercado e serve de lição para as majors. O disco vem em um estojo Amaray HD Case comum, com o buraco cata-pó, mas com uma boa trava para o disco.

Além disso, possui arte interna e vem com uma luva estilo box. Esta luva não possui nenhum detalhe especial como relevo ou brilho e a impressão não é das melhores, porém só a presença desta já é um destaque.

A arte da capa é a mesma da luva, porém a impressão é bem superior. A arte interna também é bem impressa e combina com o tom azul do estojo.

A edição avaliada possui um disco apenas. Conforme havíamos informado no dossiê a respeito da Brookfilm, a mídia utilizada não é industrial, mas sim um BD-R. A cor preta da camada de leitura da mídia é um indicativo forte da procedência do disco (BDs industriais são acinzentados); além disso, é possível ler no anel interno os dizeres “BD-R 25 GB” ao inclinarmos o disco, confirmando a origem da mídia.

À esquerda, o disco da edição (BD-R); à direita, um BD industrial.

Utilizando um software de identificação de mídias, descobrimos que o disco utilizado é uma mídia BD-R 6x camada simples, modelo MBI-R06-000. Esta mídia é fabricada pela Moser Baer India Ltd. e é fornecida para diversas empresas em esquema de OEM (como, por exemplo, a MediaRange), que as distribuem para o consumidor final. Neste caso específico, é utilizado um disco printable, ou seja, com uma superfície em branco que permite a impressão diretamente sobre a mídia. Por conta do disco ser um BD-R, ele não possui um Disc ID que permita o cadastro em softwares como o MyMovies.

A impressão na mídia é lisa e com boa definição. A imagem do rótulo está com o o título do filme em inglês (à la Fox) e é bem melhor que a edição americana. Estranho mesmo é o texto também estar todo em inglês e mencionar a Fox, mas não a Brookfilm.

Rotulagem

Há alguns erros de rotulagem, mas nada de grave. Na sinopse, encontramos um “desvastado” e a informação errônea de que o filme foi um sucesso de bilheteria. Na parte técnica, temos a indicação errada do aspecto da imagem (não é 1.85:1, este erro também ocorre na edição americana), do formato da mídia (não é BD-50) e a inclusão indevida do logo DTS-HD, uma vez que não existem trilhas neste formato no disco.

Um detalhe curioso: não há descrição do fabricante do Blu-ray, tampouco a indicação do uso de mídia gravável.

Autoração

A autoração deste título, que não foi assinada por nenhuma empresa, é simples e sem destaques. O menu principal é apenas em português. Os menus e os botões funcionaram sem problemas. A única particularidade da autoração é o grande número de capítulos. Normalmente são utilizados entre 10 e 15 capítulos; aqui foram utilizados 30.

Vídeo

Temos uma transferência 1080p no aspecto de 1.78:1, codificada em MPEG-4 AVC. O aspecto original da obra é 1.85:1, mas é comum em autorações de filmes neste aspecto utilizar um ligeiro overscan para adequar a imagem ao aspecto 1.78:1 para preencher a tela das TVs 16×9. A duração de 106 minutos é a mesma do corte oficial de cinema, sem supressões.

A master utilizada é exatamente a mesma da edição americana, inclusive com o logotipo da Warner aparecendo no final do filme. A qualidade de imagem é, portanto, idêntica entre as duas edições e agrada bastante. As cores e os níveis de preto são os itens que mais chamam a atenção. O detalhe fino é bom em alguns momentos, mas em outros não agrada muito. A culpa não é da autoração: o film stock utilizado na época e a composição óptica utilizada nas sequências de efeitos especiais contribuem muito pelo aspecto soft da imagem. A granulação original foi preservada, o que agradará alguns e incomodará outros.

Logicamente não dá pra esperar o mesmo nível de detalhe de obras que passaram por um processo de restauração mais minucioso, mas é a melhor apresentação disponível até o presente momento.

Vejam a seguir uma série de capturas do material (em formato com perdas, não correspondendo, portanto, ao resultado final):

A título de comparação com a edição americana, vejam esta captura em detalhe (passe o mouse por cima para alternar entre as imagens):

Percebam que não há diferença nenhuma entre as duas capturas.

Áudio

Temos aqui duas trilhas de áudio: original em inglês e a dublagem em português, ambas codificadas em Dolby Digital Surround 2.0, com dois canais discretos e um canal de surround multiplexado dentro do sinal estéreo. O fato da trilha ser em estéreo já era esperado, pois um filme com apelo restrito como este não justificaria o custo de se realizar uma nova mixagem em 5.1 (isso se ainda existirem os elementos originais).  Logicamente, não dá pra esperar o mesmo punch de uma trilha multicanais, tampouco a mesma ambiência, mas o áudio em estéreo cumpre as espectativas.

A maior decepção reside no fato da edição brasileira utilizar um codec lossy, enquanto que lá fora todas as edições vêm com uma trilha DTS-HD Master Audio sem perdas. Apesar dos pesares, a trilha dá pro gasto, permitindo ouvir os diálogos e trilha sonora com clareza (só não espere ver as paredes tremendo). O efeito surround é mínimo (com um canal só não dá pra exigir muito), sendo usado mais para dar um efeito de eco nos diálogos, efeitos e trilha sonora.

A dublagem em português, realizada sabe-se lá por qual estúdio, não apresenta problemas de sincronismo, mas é de uma ruindade assustadora (uma das piores que já ouvi). Típico trabalho feito nas coxas, com vozes mal escolhidas e atuações fracas. Fora a inadequação ao conteúdo do filme: ao invés de utilizar o nome Maligna, de uso consagrado no Brasil, a dublagem utiliza o nome original Evil-Lyn, que é pronunciado Evelyn em diversos momentos. Como já deu pra sacar, é uma redublagem (a dublagem original da TV utilizava os mesmos atores do desenho e era muuuuuito melhor). O volume é mais baixo que a trilha em inglês, o que acaba matando de vez o efeito surround.

Legendas

Temos legendas em português, inglês (para surdos) e espanhol. A fonte usada é de bom tamanho e permite uma boa leitura e não há problemas de sincronismo nem falta de legendagem em alguns trechos. Há, porém, alguns erros de digitação.

Entretanto, é preciso ressaltar que o idioma utilizado não é o português brasileiro (PT-BR), mas sim o português utilizado em Portugal (PT-PT). É uma legenda soft, mas existem expressões que denunciam a origem além-mar do texto; por exemplo, milénio (em vez de milênio), serralheiro (em vez de chaveiro), sabia (com o sentido de ter sabor), entre outras. Para um produto que foi produzido para venda no Brasil, não dá pra aceitar que se utilizem legendas em português continental.

As legendas em inglês e espanhol são as mesmas da edição americana (só faltaram as legendas em francês). Ao contrário da legenda em português, estas legendas não foram negritadas.

Para que vocês visualizem a fonte e o tamanho, seguem capturas das legendas:

Extras

A edição nacional vem com os mesmos (poucos) extras da edição americana, acrescidos de uma galeria de fotos. Temos então:

  • Comentários em áudio do diretor: sem legendas, os comentários do diretor Gary Goddard até trazem algumas informações interessantes, mas a experiência é meio cansativa. Faltou uma maior empolgação do sujeito, mas é de se esperar, tendo em vista os problemas que aconteceram durante a produção do filme;
  • Trailer de cinema (em SD);
  • Galeria de fotos (em HD).

Avaliação geral

De positivo, temos a inclusão de luva e arte interna, algo valorizado pelo colecionador e que foi esquecido pelas empresas de home video brasileiras, uma boa qualidade de imagem, uma autoração simples, mas bem feita e a inclusão de todos os extras disponíveis lá fora. Por outro lado, a utilização de mídia gravável, as legendas em português de Portugal, a não utilização de áudio HD e a péssima dublagem em português decepcionam bastante.

Pesando os prós e os contras, o ponto mais negativo é, com certeza, o uso de mídia BD-R. São três os motivos para o incômodo:

  1. Este tipo de mídia sabidamente dura menos que a mídia industrial, além de causar problemas de incompatibilidade e erros de leitura em alguns aparelhos de Blu-ray (como já relatam alguns usuários no FBJC);
  2. O uso deste tipo de mídia não é informado em nenhum momento ao consumidor (nem na embalagem, nem nas lojas que vendem o produto), levando o consumidor a achar que está adquirindo um Blu-ray prensado como todos os outros à venda no mercado;
  3. A utilização deste tipo de disco passa a impressão que o consumidor está diante de um produto de segunda linha ou até mesmo de uma falsificação, depondo contra a imagem da produtora.

O preço cobrado (R$ 39,90) é razoável se considerarmos ser este um produto de nicho e de baixa tiragem. Caso fosse utilizada mídia industrial, poderíamos recomendar esta edição com algumas ressalvas (por conta da legenda e do áudio Dolby Digital). Porém, pelo fato da Brookfilm utilizar mídia BD-R e de não informar este fato ao consumidor (induzindo-o ao erro), infelizmente não podemos recomendar a compra.

Uma pena, porque a Brookfilm acertou em alguns pontos e há público aqui no Brasil para este tipo de produto. Esperamos que futuramente a empresa revise esta prática e procure uma replicadora como AMZ, Sonopress ou Sony DADC para produzir seus discos.

Link direto para as pré-vendas na Saraiva:

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Sobre o autor

Alexandre Prestes era rato de locadora nos anos 80 e nunca se animou a comprar VHS por ser uma mídia de baixa durabilidade. Fã incondicional da boa música, iniciou em 2003 sua coleção com DVDs musicais; só a partir de 2005 passou a comprar filmes e séries. 2009 foi o ano no qual começou a colecionar filmes em Blu-ray, sendo um entusiasta do formato. A coleção continua crescendo (e o espaço diminuindo), cada vez mais a favor de títulos com maior qualidade técnica e fartura de material adicional.