INACREDITÁVEL 2! Sonopress se recusa a replicar Blu-ray de Ninfomaníaca

Cenas de séquisso? Num poooode!

O mercado de home video brasileiro não deixa de surpreender nunca. Tudo começou com o boicote das replicadoras nacionais ao filme Azul é a Cor Mais Quente, no qual Sonopress e Sony DADC se recusaram a replicar o filme em Blu-ray, restando à Imovision, distribuidora responsável pelo título, lançar o longa apenas em DVD.

Na época, a Califórnia Filmes informou que Ninfomaníaca – Parte 1 seria lançado em DVD e em Blu-ray, mesmo contendo cenas de sexo explícito que supostamente causaram o boicote ao filme francês. Pois bem, o puritanismo venceu novamente.

Ao contrário do planejado pela Califórnia, a Sonopress mais uma vez se recusou a replicar o Blu-ray do filme de Lars Von Trier por conta das cenas de sexo. A desculpa (esfarrapada) foi a mesma de outrora: Microsoft e Disney, clientes da Sonopress, não permitem que  fornecedores trabalhem com conteúdo de sexo explícito (embora a Microsoft negue este tipo de proibição em seus contratos). Como o dinheiro (sempre) fala mais alto, a Sonopress preferiu recusar o trabalho a perder seus lucrativos contratos.

A Califórnia até tentou contratar outras replicadoras (AMZ e Sony DADC), mas recebeu a mesma recusa dada pela Sonopress. O resultado? A Califórnia Filmes desistiu de lançar o Blu-ray e distribuirá o filme apenas em DVD. Ou seja: o prejudicado é o consumidor, que fica privado de assistir obras com conteúdo erótico (e não pornográfico) em alta definição só porque terceiros acham que sexo é sinônimo de putaria.

Esqueça o Blu-ray

A única solução, pelo visto, seria mandar replicar os discos no exterior (veja a que ponto chegamos). Ao contrário do afirmado pelo zé-cutivo da Califórnia na entrevista (que não é possível replicar os discos lá fora por conta das regiões do Blu-ray), é possível sim produzir BDs compatíveis com a região do Brasil no exterior. Tanto que os primeiros Blu-rays lançados em nosso país eram replicados lá fora, já que não havia replicação nacional (nem comento as inúmeras edições gringas que são Região A ou ABC).

Na real, é o custo mais elevado da replicação internacional que leva as produtoras nanicas a deixar de lançar os Blu-rays de filmes com pouco apelo mercadológico. O resto é só conversa mole pra enrolar os cinéfilos.

Ao colecionador que desejar ter Ninfomaníaca ou Azul é a Cor Mais Quente (e outros filmes que sejam boicotados futuramente, pois o precedente foi aberto) é comprar edições estrangeiras. Pois o mercado nacional conseguiu chegar ao seu nadir, com uma mentalidade puritana (e hipócrita) que imaginávamos não mais existir em pleno século XXI.

Afinal, tem sexo nas novelas e BBBs da vida, mulher pelada a rodo no Carnaval e toneladas de pornografia em bancas de jornal e na web; mas um Blu-ray de uma obra de arte adulta, voltado a um público adulto e vendido apenas para maiores de 18 anos não pode. Que vergonha!

Ninfomaníaca I & II em Blu-ray na Amazon UK:

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Sobre o autor

Alexandre Prestes era rato de locadora nos anos 80 e nunca se animou a comprar VHS por ser uma mídia de baixa durabilidade. Fã incondicional da boa música, iniciou em 2003 sua coleção com DVDs musicais; só a partir de 2005 passou a comprar filmes e séries. 2009 foi o ano no qual começou a colecionar filmes em Blu-ray, sendo um entusiasta do formato. A coleção continua crescendo (e o espaço diminuindo), cada vez mais a favor de títulos com maior qualidade técnica e fartura de material adicional.