BD Resenha: Drive (Imagem Filmes)

Drive é um filme norte-americano lançado em 2011. Baseado no livro de mesmo nome, a obra do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn conta a história de um motorista sem nome (Ryan Gosling) que durante o dia trabalha como mecânico e dublê em filmes de Hollywood, mas à noite é motorista de fuga para criminosos. Solitário, se vê atraído por sua vizinha Irene (Carey Mulligan), mas essa relação será mais difícil do que ele imagina.

Com uma estética inspirada nos anos 80, Drive foi um sucesso de público e crítica. Sendo um filme independente, seu lançamento em home video no Brasil acabou ficando nas mãos da Imagem Filmes. Será que fizeram um bom trabalho? É o que veremos nesta resenha do Blu-ray lançado pela empresa em 2012.

Informações técnicas

  • Formato: BD-25
  • Região: ABC
  • Espaço ocupado (total): 19.740.280.724 bytes (18,38 GB)
  • Espaço ocupado (filme): 19.273.740.288 bytes (17,95 GB)
  • Bitrate total: 25,63 Mbps

Vídeo:

  • Aspect ratio: 2.40:1
  • Codec: MPEG-4 AVC
  • Duração: 1:40:16.510 (h:min:s.ms)
  • Capítulos: 12
  • Espaço ocupado (somente vídeo): 15.041.199.984 bytes (14,01 GB)
  • Bitrate de vídeo: 20,00 Mbps
  • Gráfico de bitrate:

Áudio:

Idioma

Codec

Bitrate

Canais / Amostragem

Tamanho

Inglês DTS-HD High Resolution 2.046 kbps 5.1 / 48 kHz / 16-bit 1.538.722.944 bytes (1.43 GB)
Português DTS-HD High Resolution 2.046 kbps 5.1 / 48 kHz / 16-bit 1.538.722.944 bytes (1.43 GB)

Legendas:

  • Português (17.139.520 bytes; 22,790 kbps)
  • Inglês (18.835.372 bytes; 25,045 kbps)
  • Espanhol (17.202.416 bytes; 22,874 kbps)

Apresentação

Sem surpresas por aqui: estojo Amaray HD Case comum modelo nacional, sem o buraco cata-pó, mas com a trava do disco ruim. Não possui arte interna.

A arte de capa é idêntica à da edição americana, o que não é nenhum mérito, uma vez que a foto utilizada é pouco atrativa e contém o erro absurdo de colocar o escorpião da jaqueta de Ryan Gosling na frente, sendo que ela fica nas costas (e não é frescura, pois tem a ver com a própria simbologia descrita no filme).

Na contracapa, uma composição feia contribui para passar a impressão de estarmos diante de uma obra genérica, exatamente o contrário do que o filme é. A rotulagem possui alguns erros, como o nome da atriz Carey Mulligan grafado com dois erres, a faixa em inglês descrita como DTS-HD HR HR e o logotipo NTSC que, como já sabemos, não se aplica a conteúdo em alta definição.

A edição nacional possui um disco apenas, replicado pela Sonopress. A impressão é lisa, mas com uma definição que deixa um pouco a desejar:

Autoração

A autoração deste título foi feita pela CareWare, em um trabalho sem destaques, mas também sem pontos negativos. O menu é bilíngue, com opções em português e espanhol. O essencial, como menus e botões, funciona sem nenhum problema, como esperado.

Vídeo

Temos uma transferência 1080p no aspecto correto de 2.40:1 (o que, se tratando de Imagem Filmes, é um belo avanço) e codificada em AVC. A duração de 100 minutos indica ser a versão de cinema, sem cortes.

A qualidade de imagem é muito boa, reproduzindo com fidelidade a proposta retrô do filme. O nível de detalhe não é impressionante, mas o equilíbrio de cores, iluminação e tons de preto surgem de forma bastante natural, ajudando o espectador a mergulhar no universo de Drive. Para aqueles que odeiam granulação, ela inexiste, uma vez que a obra foi filmada com câmeras digitais.

Vejam a seguir uma série de capturas do material (em formato com perdas, não correspondendo, portanto, ao resultado final):

A título de comparação com a edição americana, vejam estas capturas em detalhe (passem o mouse por cima para alternar as imagens):

A master americana é um pouco mais escura, o que, na minha opinião, tornou os tons de pele mais naturais.

Quanto ao nível de detalhe, há pouca diferença entre as duas edições, mas a master americana é ligeiramente mais precisa.

Áudio

Temos aqui duas trilhas de áudio: original em inglês e a dublagem em português, ambas codificadas em DTS-HD High Resolution com 5.1 canais. Como já explicamos anteriormente, apesar de ter HD no nome, o formato DTS-HD HR nada mais é um DTS comum “turbinado”, permitindo um bitrate superior e a possibilidade de uso de mais canais de áudio. Analisando o bitrate da faixa incluída neste BD, podemos perceber que a diferença entre ela e uma faixa DTS de DVD é bem pequena.

A trilha original não é de todo ruim: permite uma boa ambientação (essencial em um filme onde a trilha sonora tem papel importantíssimo na obra), tem claridade nos elementos e entrega um punch nas cenas com mais ação. Mesmo assim, fica aquém do que se espera do formato Blu-ray; quem já está acostumado, sentirá falta daquele “algo mais” que o áudio HD de verdade possui. É lamentável que não tenhamos uma trilha lossless só por uma questão de economia na mídia, já que todas as edições estrangeiras trazem o áudio original codificado em DTS-HD Master Audio.

A dublagem em português, realizada pela Clone, não apresenta problemas de sincronismo. É um retrato perfeito das dublagens atuais: tecnicamente, bem executada; artisticamente, muito fraca. Serve para o público que possui ojeriza às legendas e só.

Legendas

Temos legendas em português, inglês e espanhol, o que é excelente. A fonte usada é de bom tamanho e permite uma boa leitura. Não há problemas de sincronismo nem falta de legendagem em alguns trechos.

Em termos de tradução, esta foi executada de forma correta; o erro mais notável foi a inversão do nome do personagem Standard Gabriel (que foi gravado como Gabriel Standard), mas no geral o trabalho está OK.

Ocorreu também um erro tolo de revisão: ao aparecer o título do filme, aparece na legenda em português a palavra “TITULO” que deveria ser removida (ou corrigida para “DRIVE”) antes de se finalizar a autoração. Vejam vocês mesmos:

Para que vocês visualizem a fonte e o tamanho, seguem capturas das legendas:

Extras

Nada. Absolutamente nada. A edição americana já não tem muita coisa, mas aqui ficamos chupando o dedo. Lamentável um filme como Drive ser lançado em Blu-ray sem nenhum material suplementar.

Avaliação geral

É de se lamentar que filmes tão bons como Drive recebam edições tão ordinárias quando lançadas no mercado de home video brasileiro. A Imagem Filmes, no afã de economizar, utilizou mídias de camada simples para lançar o filme no mercado de locação, impossibilitando a inclusão de uma trilha de áudio sem perdas e de extras. Na hora de fazer a edição para o mercado sell through, a Imagem Filmes mais uma vez economiza, utilizando a mesma autoração da versão rental. Um verdadeiro tapa na cara do colecionador.

O BD da Imagem Filmes vem com uma apresentação medíocre e sem um mísero extra. A qualidade de imagem é muito boa e, contrariando o que normalmente é feito, o aspect ratio original foi preservado. Apesar da trilha original lossless ter sido trocada por uma lossy, o áudio não é ruim, mas certamente poderia ser melhor. Autoração e legendagem OK, com apenas alguns errinhos neste último quesito. Diante deste quadro e baseado no preço médio do produto (R$ 39,90), não recomendo a compra.

Comparando com a edição americana, a apresentação de ambas é similar (inclusive na horrenda ilustração de capa). Fora isso, a edição dos EUA vem em mídia BD-50, com áudio HD, extras e imagem ligeiramente superior. Para quem possui o BDP-140 modificado, as legendas são um problema fácil de resolver, sendo então a edição americana uma melhor compra. Somente recomendo a aquisição do BD nacional nos seguintes casos: para quem depende das legendas em português no disco, para quem faz questão de dublagem e caso o preço esteja bem abaixo do que é pedido atualmente.

Drive em Blu-ray nas Amazons (sem PT-BR):

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Sobre o autor

Alexandre Prestes era rato de locadora nos anos 80 e nunca se animou a comprar VHS por ser uma mídia de baixa durabilidade. Fã incondicional da boa música, iniciou em 2003 sua coleção com DVDs musicais; só a partir de 2005 passou a comprar filmes e séries. 2009 foi o ano no qual começou a colecionar filmes em Blu-ray, sendo um entusiasta do formato. A coleção continua crescendo (e o espaço diminuindo), cada vez mais a favor de títulos com maior qualidade técnica e fartura de material adicional.