BD Resenha: The Walking Dead – 2ª Temporada (Brasil)

Anteriormente, avaliamos a primeira temporada de The Walking Dead lançada pela PlayArte no Brasil. Na ocasião, destacamos as qualidades técnicas do produto, mas criticamos a apresentação comum e o preço elevado. Também havíamos discutido as confusões que antecederam o lançamento da segunda temporada, mostrando a novela da cabeça zumbi, o corte de discos e o alto preço da edição em Blu-ray. Com o produto em mãos, agora faremos uma análise completa deste lançamento e, enfim, saberemos se as dúvidas a respeito da edição eram pertinentes ou não.

[Agradecimentos à PlayArte pela gentileza de disponibilizar o Blu-ray para avaliação]

Informações técnicas

Sendo uma série com episódios de aproximadamente 45 minutos cada, os dados de duração, espaço ocupado e taxas de bitrate são relativos à faixa que inclui todos os episódios do disco em sequência.

DISCO 1:

  • Formato: BD-50
  • Região: ABC
  • Espaço ocupado (total): 47.694.142.626 bytes (44,42 GB)
  • Bitrate total: 20,71 Mbps

Vídeo:

  • Aspect ratio: 1.78:1
  • Codec: MPEG-4 AVC
  • Duração: 5:02:32.676 (h:min:s.ms)
  • Capítulos: 7
  • Espaço ocupado (filme): 47.000.868.864 bytes (43,77 GB)
  • Bitrate de vídeo: 17,144 Mbps
  • Gráfico de bitrate:

Áudio:

Idioma

Codec

Bitrate

Canais / Amostragem
Inglês DTS-HD Master Audio 2.148 kbps 5.1 / 48 kHz / 16-bit
DTS Core: 5.1 / 48 kHz / 1509 kbps / 16-bit
Português Dolby Digital 192 kbps 2.0 / 48 kHz

Legendas:

  • Português (bitrate: 30,620 kbps)

DISCO 2:

  • Formato: BD-50
  • Região: ABC
  • Espaço ocupado (total): 48.482.077.080 bytes (45,15 GB)
  • Bitrate total: 18,60 Mbps

Vídeo:

  • Aspect ratio: 1.78:1
  • Codec: MPEG-4 AVC
  • Duração: 4:17:10.206 (h:min:s.ms)
  • Capítulos: 6
  • Espaço ocupado (filme): 35.877.482.496 bytes (33,41 GB)
  • Bitrate de vídeo: 15,120 Mbps
  • Gráfico de bitrate:

Áudio:

Idioma

Codec

Bitrate

Canais / Amostragem
Inglês DTS-HD Master Audio 2.149 kbps 5.1 / 48 kHz / 16-bit
DTS Core: 5.1 / 48 kHz / 1509 kbps / 16-bit
Português Dolby Digital 192 kbps 2.0 / 48 kHz

Legendas:

  • Português (bitrate: 29,162 kbps)

Apresentação

A segunda temporada de The Walking Dead segue o mesmo padrão da primeira: estojo Amaray HD Case comum modelo nacional, sem o buraco cata-pó, mas com a trava do disco ruim e arte interna, prejudicada pelo acabamento interno do estojo. Vejamos agora como é a embalagem deste título:

Como podemos ver, o único item adicional incluído nesta edição é um cartão postal de divulgação da terceira temporada:

Comparando com as edições estrangeiras, nossa apresentação é, novamente a pior de todas. Nos EUA, por exemplo, a edição normal vem em estojo plástico, mas possui uma bela luva com relevo; já na edição especial limitada com a Cabeça Zumbi, além do gift-set em si, temos os discos armazenados em um belo Digistak. Pelo preço cobrado (elevados R$ 109,90), a PlayArte entrega muito pouco em termos de qualidade.

A arte de capa é, mais uma vez, diferente de todas as outras edições do mundo. Novamente, é uma composição genérica e sem graça, que empalidece se comparada à arte do pôster oficial de divulgação, utilizada nas demais edições mundo afora. No verso, mais uma vez a indicação de Região A está incorreta (os discos são região ABC). Notem também o erro na descrição dos extras: O Recheio Musical está grafado O Recheio Muical. Outro erro está da descrição dos extras Uma Morte Difícil e No Poço da Morte, que constam na contracapa como Uma Noite Difícil e No Poço dos Efeitos, respectivamente.

A arte interna, além da imagem de fundo, traz a lista de episódios, com uma breve sinopse de cada um deles:

A edição nacional possui 2 discos, tendo um disco a menos que edições europeias e dois a menos que as edições norte-americanas, que trazem extras exclusivos para este mercado. Os discos são replicados pela Sonopress, com uma impressão lisa, mas com uma definição que deixa um pouco a desejar:

Autoração

Assim como na 1ª temporada, a autoração foi corretamente executada pela ETC Filmes. O essencial, como menus e botões, funciona sem nenhum problema, como esperado. A má distribuição de capítulos que vitimou a primeira temporada também ocorre aqui: não é possível pular a abertura dos episódios, pois ao avançar, somos direcionados ao próximo episódio (ou ao menu de episódios). Pelo menos o problema da vinheta em SD upscalado foi resolvido, pois finalmente a PlayArte utilizou uma vinheta em alta definição neste Blu-ray.

Existe um erro grave de organização no primeiro disco do box. Logo após a vinheta da PlayArte, começa a tocar o trailer da terceira temporada, que será veiculada no canal a cabo Fox; trailer este com vários spoilers da série. É de se pensar que a pessoa que colocou o primeiro disco no player ainda não assistiu a segunda temporada! Pelo menos é possível pular o trailer, mas o ideal seria inclui-lo no segundo disco, junto aos demais extras.

Falando em extras, desta vez as legendas em português entram automaticamente, ao contrário da temporada anterior. Contudo, o comportamento do menu de não avançar para o próximo extra da lista, após assistirmos o anterior, não foi alterado. Este problema incomoda principalmente na hora de assistir às cenas deletadas, pois obriga ao espectador ficar avançando a cada uma das cenas. Aliás, o menu das cenas deletadas é o pior possível: além do comportamento já citado, não existe opção de tocar todas as cenas de uma vez só e a navegação não é intuitiva, pois no final de uma coluna, a seta para baixo não leva ao início da próxima, como seria esperado.

Vídeo

Temos uma transferência 1080p no aspecto correto de 1:78 e codificada em AVC. São 13 episódios de aproximadamente 45 minutos cada, em um total de 585 minutos. Ambos os discos são BD-50 destravados para todas as regiões.

Como poderíamos suspeitar, não existe milagre: ao colocar mais de 5 horas de conteúdo HD em um único disco, mesmo que seja em mídia de camada dupla, fatalmente ocorreria algum tipo de perda. De fato, o nível de compressão é mais elevado, como a taxa de bitrate indica claramente. Comparando com a primeira temporada, temos uma imagem mais soft, com mais ruído, cores menos vibrantes e um menor nível de detalhe do que o esperado.

A imagem em si não é de todo ruim, mas caso não houvesse esta economia besta de uma única mídia BD-50, os resultados seriam bem melhores. Vejam a seguir uma série de capturas do material:

A título de comparação com a edição americana, vejam estas capturas em detalhe (passem o mouse por cima para alternar as imagens):

Percebam que, ao contrário do que ocorria na primeira temporada, a master americana é mais escura que a nacional. As cores também são mais naturais na edição americana (basta ver as plantas no canto superior esquerdo).

Vejam também que o nível de definição da transferência americana é melhor que o da brasileira; observem as diferenças nas rugas e na textura da pele. O mesmo vale para as cores; o tom de pele é mais natural na master americana.

Áudio

Temos aqui duas trilhas de áudio: original em inglês, codificada em DTS-HD Master Audio 5.1 canais, e a dublagem em português, em Dolby Digital estéreo. A faixa em inglês, tal como na 1ª temporada, continua excelente. Os tiros ressoam com força, os diálogos soam claros e a ambiência é muito boa, envolvendo o espectador na história. Sem dúvida, um dos destaques técnicos desta edição.

A trilha em português segue no mesmo padrão de antes: agrada aos fãs de dublagem, mas não possui o mesmo impacto da trilha original em inglês. Ao contrário de alguns relatos, não foram detectados problemas de sincronismo nesta faixa. [CORREÇÃO] O problema de sincronismo ocorre sim, no último episódio do disco 2, entre os 12 e os 17 minutos de duração. Desculpem-me pelo engano (e obrigado ao membro do FBJC thiagodsz por reportar o defeito).

Legendas

Temos apenas legendas em português, suficientes para o nosso mercado. A fonte usada é de bom tamanho e permite uma boa leitura; desta vez, não temos a tal “legenda personalizada”, que não faz nenhuma falta. Não percebi problemas de sincronismo nem falta de legendagem em alguns trechos. Em termos de tradução, o trabalho foi executado de forma correta. Há alguns erros de digitação (Glenn, por exemplo, escrito Gleen) e de tradução (uma chave inglesa é chamada de chave de roda), mas no geral o trabalho está OK.

Nos extras, há legendas em todo o material. Há alguns erros de temporização, de tradução (como barn traduzido como fazenda e um the range is hot traduzido literalmente), de gramática (durmissem ao invés de dormissem) e de grafia (o nome do ator Jon Bernthal grafado como John). O pior fica na cena deletada 12, episódio 11, onde a legenda fica bagunçada e depois some. Por sinal, é nas cenas deletadas que se encontram a maioria dos erros; certamente faltou uma revisão melhor.

Segue abaixo uma captura para a visualização das legendas (clique para ampliar):

Extras

Temos aqui uma boa quantidade de material suplementar, tudo absolutamente legendado e em 1080p. Vamos ao conteúdo:

  • Ep. 01 – O Que te Aguarda (Versão Estendida): como o nome diz, é a versão estendida do primeiro episódio da temporada, com 1 hora de duração. O problema é o áudio, em inglês Dolby Digital 2.0, bem inferior ao 5.1 DTS-HD Master Audio. Também seria mais interessante colocar este extra no disco 1 e utilizar o recurso de seamless branching, onde os trechos redundantes da versão normal e estendida não precisam ser armazenados em duplicata, economizando espaço em disco. A dublagem em português tem um problema de sincronização áudio-vídeo por todo o episódio;
  • Por Dentro das Entranhas: featurette mostrando os bastidores da cena da “autópsia” em um zumbi (5:34);
  • Uma Morte Difícil: vemos como foi concebida a morte de um dos personagens da série (6:20);
  • A Tinta Ganha Vida: Robert Kirkman explica as semelhanças e diferenças entre a HQ e a série (9:06);
  • Fogo no Set: featurette mostrando a fazenda onde a trama se passa (6:10);
  • O Som dos Efeitos: aqui vemos o trabalho dos profissionais de efeitos sonoros da série (4:32);
  • Viva ou Deixe Morrer: descreve o arco do personagem Shane na série, em comparação à HQ (6:51);
  • Ela Irá Lutar: aqui, vemos a transformação da personagem Andrea no decorrer da 2ª temporada (5:40);
  • No Poço da Morte: extra que mostra como foi feita a cena do zumbi no poço (5:03);
  • O Recheio Musical: featurette mostrando os bastidores de criação da trilha sonora da série (7:52);
  • Cenas Deletadas: 19 cenas excluídas. Algumas interessantes, outras dispensáveis;
  • O Elenco da 2ª Temporada: material promocional, onde os atores falam de seus personagens (4:49);
  • Figurino: mais um material promocional, mostrando o figurino da série (2:48).

Como podemos perceber, temos exatamente os mesmos extras das edições europeias. As edições americanas possuem, além do material descrito acima, comentários em áudio em alguns episódios e nas cenas excluídas, além de 6 webisódios.

Avaliação geral

Como na primeira temporada, a PlayArte preferiu valorizar o lançamento em DVD do que em Blu-ray. Questionada a respeito deste assunto, a empresa nos disse o seguinte:

Assim como na primeira temporada, o DVD manteve uma luva e mais o mini-pôster. No entanto, a íntegra dos extras (os mais de 100 minutos, contra os 54 do box de DVD) e mais um postal exclusivo acabaram ficando para o Blu-ray, justamente para criar um pacote ainda mais atrativo. Qualquer outra inclusão no Blu-ray poderia afetar diretamente o seu preço final – sendo que o atual chegou a ser elogiado pelas principais redes varejistas e preferimos mantê-lo assim.

Absurdo, PlayArte, absurdo! É preciso entender que o colecionador valoriza conteúdo e apresentação; excluir um ou outro tão somente desvaloriza o seu produto! Economizar onde não se deve é um tiro no pé, pois certamente haverá um impacto negativo nas vendas.

No caso específico do Blu-ray, quem adquire filmes e/ou séries neste formato é um público mais informado e exigente do que aquele que compra DVD.  O colecionador sabe quanto custa uma luva (em torno de R$ 2 a unidade de uma o-ring simples em tiragem mínima) e um pôster (na mesma faixa de preço). Não adianta remover as “bijujas” da edição que possui o maior valor agregado (e, imagino, maior margem de lucro) e culpar o custo de produção, pois esta desculpa não cola mais. Em tempo: o tal de “postal exclusivo” incluso na edição é mais um item de propaganda do que um card colecionável, não possuindo diferencial algum em termos de apelo.

Ah, e o preço! Sinto muito, PlayArte, mas R$ 109,90 está muito, mas muito longe de ser um preço elogiável. Não adianta cobrar um preço premium por uma edição pé-de-boi, com uma arte pouco atraente e erros na contracapa, esperarando que o consumidor fique satisfeito. Para que colecionador aceite pagar mais caro, é preciso que exista uma percepção de valor para que o produto se torne atraente e justifique seu custo. Basta ver o número de consumidores que adquiriu o gift-set americano, mesmo tendo que pagar um preço mais alto por um produto que nem ao menos possui legendas em nosso idioma.

Nos aspectos técnicos, esta edição também deixa a desejar. É louvável que a PlayArte não corte nenhum episódio e disponibilize todos os extras possíveis, em alta definição, sem deixar nada de fora. Mas não basta entregar conteúdo; é preciso manter a máxima qualidade possível.  Ao colocar todo este material em apenas 2 discos, apenas para economizar uma única mídia BD-50, temos um impacto visível na qualidade de imagem. Existe uma razão para distribuir o conteúdo em mais discos: diminuir a taxa de compressão e manter o bitrate de vídeo o mais elevado possível. A imagem desta edição é razoável, mas é inferior ao que se obtém lá fora; basta observar as capturas e o comparativo com a edição americana.

Por conta da apresentação extremamente comum, pelo alto preço cobrado e pelas deficiências técnicas apresentadas, não recomendamos esta edição. Para quem possui fluência em inglês ou espanhol, as edições americanas possuem um custo/benefício superior. Para quem depende de legendas em português ou faz questão da dublagem em nossa língua, não há opção. Resta a este tipo de consumidor aguardar por uma eventual queda no preço de venda.

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Sobre o autor

Alexandre Prestes era rato de locadora nos anos 80 e nunca se animou a comprar VHS por ser uma mídia de baixa durabilidade. Fã incondicional da boa música, iniciou em 2003 sua coleção com DVDs musicais; só a partir de 2005 passou a comprar filmes e séries. 2009 foi o ano no qual começou a colecionar filmes em Blu-ray, sendo um entusiasta do formato. A coleção continua crescendo (e o espaço diminuindo), cada vez mais a favor de títulos com maior qualidade técnica e fartura de material adicional.