UltraViolet: tudo o que você queria saber, mas tinha vergonha de perguntar!
Quem comprou os Blu-rays de Lanterna Verde, Quero Matar Meu Chefe, ou as novas edições da trilogia Homem-Aranha nos EUA, ou então alguns títulos Triple Play da Warner no Reino Unido (como Batman Begins ou The Dark Knight), deve ter se surpreendido ao ver que, ao invés da usual (e inútil) Digital Copy tradicional, esses títulos vinham com algo chamado UltraViolet Digital Copy. Como muitos leitores ainda têm dúvidas sobre o que é o UltraViolet e de como utilizá-lo, neste artigo veremos mais detalhes a respeito deste formato.
1. O que é UltraViolet?
UltraViolet (UV) é uma plataforma de gerenciamento de direitos digitais que permite ao consumidor baixar ou assistir via streaming filmes e séries em computadores, tablets, celulares e outros aparelhos. Assim, o conteúdo adquirido pode ser assistido nos diversos dispositivos suportados de uma forma simples.
O UV foi desenvolvido pelo Digital Entertainment Content Ecosystem (DECE), um consórcio que engloba 74 empresas de diversos setores, como estúdios, provedores de conteúdo, empresas de telecomunicações, indústrias eletrônicas e grandes varejistas. Disney e Apple estão fora deste consórcio; logo, filmes e séries da Disney e suas subsidiárias não existem em UV. Também não existe suporte para conteúdo UV no iTunes e o acesso deste conteúdo em dispositivos Apple depende de aplicativos de terceiros.
2. Como funciona o UltraViolet?
O UltraViolet não é um sistema de armazenamento de conteúdo. Ele apenas libera o acesso do consumidor ao filme ou série que foi adquirido; o provimento em si do download ou do streaming é feito por outras empresas, como Vudu, Flixter, Universal HD ou Paramount Movies.
No caso das cópias digitais, o consumidor acessa o site do provedor de conteúdo, cadastra um usuário tanto no provedor quanto no UltraViolet. Ao utilizar o código fornecido na embalagem, o filme é adicionado à uma biblioteca virtual no site do provedor. O acesso aos itens desta biblioteca é feito pelo UV, que permite o cadastramento de até 5 pessoas em uma única conta e de 12 dispositivos onde o conteúdo será visualizado. No caso do streaming, é possível acessar conteúdo de forma simultânea em até 3 aparelhos ao mesmo tempo.
3. Quais são as vantagens do UltraViolet?
Para os estúdios, o UltraViolet simplifica o gerenciamento de direitos no fornecimento de conteúdo aos consumidores, já que centraliza todo o processo em um só local. Isto permite uma economia de espaço de armazenamento e de consumo de banda, além de permitir o controle de acesso mesmo com a evolução dos meios de transmissão de conteúdo, uma vez que este é independente daquele.
Para o usuário, em tese a vantagem é poder acessar os filmes e séries adquiridos online de maneira fácil, independentemente do fornecedor, além de permitir aos pais controlarem o que os filhos podem assistir dentro da biblioteca virtual. Na prática, nem tudo são flores. Mais abaixo trataremos deste assunto.
4. No caso da cópia digital, só posso assistir via streaming?
Depende da permissão do provedor de conteúdo; este pode proibir o download completamente, limitá-lo a um certo número de vezes ou liberá-lo para todos os dispositivos de uma conta UltraViolet. Utilizando como exemplo o BD americano de Lanterna Verde, a Warner utiliza como provedor de conteúdo a sua subsidiária Flixter. Para este título, além do acesso por streaming, é permitido ao usuário fazer até 3 downloads da cópia digital (conforme se vê na figura abaixo).
5. Posso acessar uma cópia digital UltraViolet a qualquer momento?
Como nas cópias digitais tradicionais, existe um prazo para o consumidor requerer o acesso à UltraViolet Digital Copy. Porém, uma vez feito o requerimento e com o filme adicionado à sua biblioteca virtual, os direitos de acesso não expiram. No entanto, já que o provedor de conteúdo é quem fornece o acesso ao material, a disponibilidade é definida por ele. Novamente utilizando Lanterna Verde como exemplo, após requisitar o acesso, o usuário tem o prazo de 3 anos para usufruir do conteúdo de forma gratuita (visível na figura anterior).
6. Posso acessar a UltraViolet Digital Copy aqui do Brasil?
Mais uma vez, depende do que o provedor de conteúdo definir. No caso da Flixter, o conteúdo está disponível apenas para usuários residentes nos EUA, sendo bloqueado o acesso de outras localidades. A filtragem é feita pelo endereço de IP do usuário; ao tentar acessar o site para liberar a cópia digital, recebemos o aviso abaixo:
A conta UltraViolet, apesar de disponibilizar apenas os EUA e o Reino Unido como opções de país, pode ser criada aqui no Brasil. Todavia, sem o acesso ao conteúdo em si, a conta UV não serve para muita coisa.
7. E aí, esta UltraViolet Digital Copy serve para alguma coisa?
Na opinião deste que vos escreve, tal como a cópia digital comum, a cópia UV não tem muita utilidade para nós colecionadores. Além dos problemas comuns às digital copies tradicionais (prazo de validade, ausência de legenda, baixa qualidade de imagem, etc.), as cópias UV possuem outras deficiências, tais como: não funcionar em dispositivos não suportados, restrições de localidade e dependência de serviços online. Na (precisa) definição dada por um comentarista no Geek.com, UltraViolet é um Netflix para filmes que já possuímos, em baixa qualidade.
O sistema em si é interessante, mas a ganância dos estúdios transformou algo que poderia ser útil para seus clientes em mais uma ferramenta de DRM feita para dificultar o acesso do consumidor ao conteúdo pelo qual ele já pagou.
Vídeo de divulgação (em inglês)
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Blu-rays preferidos pelos leitores do BJC (todos com legendas em português brasileiro):
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Pra mim, UltraViolet é inútil tanto quanto a Digital Copy, só serve pra "requentar" o produto (assim como DVDs em edições de BDs).
nao acho o DVD em edicoes de BD tao inuteis assim. eu dou o DVD para a minha filha, ela nao fica querendo mexer nos meus BDs e todo mundo sai ganhando. hahaha
É mais fácil baixar na net! heuehueh
Infelizmente o consórcio realmente dificultou a vida das pessoas, pra variar. Seria muito mais fácil eles terem criado ou feito um acordo com apenas um serviço de streaming/download, pra não precisarmos ter cadastro em tantos locais. E deveriam também deixar o acesso sem expiração e com qualidade decente, sem regras diferentes para cada conteúdo dependendo da empresa que o armazena.
Com isso, novamente, eles desencorajam a compra do produto original. O pirata será sempre mais fácil, isso é inevitável… Mas não precisam dificultar tanto a vida de quem segue o caminho correto.
Outra coisa pra se colocar no bau das inutilidades, se eu quiser copia digital de algum filme que eu tenho, eu mesmo faço e com qualidade muito melhor, se quiser de algo q não tenho é so baixar da net…
bastante interessante ia até sugerir ao jotace sobre isso muita gente perguntando parabens pela matéria!
TINHA VERGONHA UMA OVA!!!
Eu perguntei no mínimo duas vezes e ninguém nunca me respondeu.
Bela matéria.
Muito bem explicada e bem detalhada, mas é mesmo uma coisa extremamente supérflua esse tal de UV.
Boa matéria!
Mais uma tranqueira sem utilidade para abarrotar as capas dos filmes com tarjas horríveis.
Eu achava a cópia digital inútil, até que o iTunes passou a reconhecê-la como se fosse um filme comprado na iTunes Store. Agora você joga o código no iTunes e o filme fica associado à sua Apple ID (pelo menos para quem tem a conta americana), na lista de "purchased". Você pode baixá-lo da iTunes Store sempre que quiser ou assistí-lo na Apple TV, por streaming, nem precisa tê-lo no computador.