EXCLUSIVO: BJC entrevista Eduardo Figueroa da Scanavo/SteelBook

O BJC tem orgulho de apresentar aquela que talvez seja a entrevista mais importante que já publicamos desde o surgimento deste site. Através de conversa via Skype, entrevistamos por uma hora e meia Eduardo Figueroa, nada mais nada menos que o Gerente de Marketing da Scanavo. Eduardo esteve no Brasil no mês passado com o intuito de conhecer o mercado e mostrar o seu principal produto, o SteelBook, para empresas de home video e suas respectivas replicadoras.

Para quem não conhece, o SteelBook é a embalagem de mídia física mais cultuada entre os colecionadores do mundo inteiro. Por uma série de problemas e limitações, nós brasileiros até hoje não tivemos essa embalagem lançada por aqui. Além de não termos fábricas (que só existem em dois lugares no mundo), a falta de visão dos empresários do ramo conspira junto com os diversos entraves burocráticos do país da Copa. Assim sendo, somos forçados a continuar comprando nossos colecionáveis em SteelBook lá fora.

Eduardo é argentino (torcedor do Boca – enviou, cordialmente, parabéns para todos os corinthianos) mas cresceu no Canadá. Trabalha desde 2008 neste cargo e demonstrou, durante toda a entrevista, conhecimento profundo do mercado brasileiro e dos problemas que temos por aqui. Eduardo não apontou apenas os defeitos, mas também apresentou algumas alternativas para que nós tenhamos, de forma definitiva, o primeiro SteelBook lançado com um título nacional.

As perguntas foram elaboradas pela equipe do BJC (e outras que foram surgindo ao longo da conversa). Consideramos o material tão rico e importante que resolvemos publicar também uma versão em inglês (com a tradução de Felipe Fonseca), para que colecionadores do mundo inteiro possam conhecer melhor a empresa, a sua produção a e situação do Brasil em relação a este produto.

A entrevista é longa, mas vale por cada palavra que foi dita. Ao terminar fica a esperança que, em breve, teremos SIM o “nosso” primeiro SteelBook.

Blog do Jotacê – Como e onde começou a Scanavo e o SteelBook?

Eduardo Figueroa – A Scanavo começou há mais de 10 anos na Dinamarca e com presença no mercado americano desde então. Com SteelBook, já estamos trabalhando há aproximadamente 8 anos. Tudo começou com uma empresa chamada G&M, forte empresa no segmento de chapas metálicas e que hoje trabalha junto com a Scanavo numa parceria. Eles possuem toda a infraestrutura e maquinário para fabricar o SteelBook. Somos sócios e trabalhamos em conjunto no desenvolvimento desse produto. Obviamente é a Scanavo que detém a patente do SteelBook e também para linha de embalagens plásticas.

A produção partiu da Dinamarca, mas já temos há alguns anos a produção de SteelBooks para DVD nos Estados Unidos (em Ohio). Na época, o DVD era muito mais forte que o Blu-ray, por isso começamos com este formato. Mas, no ano passado, percebemos que a demanda para o formato de Blu-ray justificava um novo investimento na América e resolvemos inaugurar uma planta industrial para este formato também. Assim sendo, já temos produção de SteelBook para DVD, Blu-ray, PC e Wii (games). Assim conseguimos atender a demanda dos Estados Unidos, Canadá e Mexico, economizando tempo e tornando o produto mais barato para nossos clientes.

BJC – O SteelBook é vendido atualmente em quantos países?

EF – O nosso produto está sendo vendido nos 5 continentes. Todos os produtos vendidos na Ásia, Europa e Oceania são feitos na Dinamarca e os produtos distribuídos na América do Norte são feitos nos Estados Unidos. Desta forma, temos 2 plantas industriais no mundo (Ohio e Copenhagen), fabricando todos os modelos de SteelBook, com uma produção de mais de 8 milhões de unidades ao ano.

BJC – O foco do SteelBook são os colecionadores ou também se trabalha para conquistar aquele consumidor mais casual?

EF – Depende do país. Por exemplo, a Alemanha tem um mercado de colecionadores muito grande (como todos vocês devem saber), com uma demanda enorme. Mas pessoalmente, não sei se os estúdios cinematográficos observam isso assim, pois eles querem é vender o máximo possível e, para ser honesto, não sei se eles se importam muito com o mercado voltado para colecionadores. Para eles, o que importa é que existe um mercado que, ao se apresentar um produto com o acabamento de um SteelBook, eles podem vender muito mais e vender rápido, pois o retorno é muito fácil. Eles sabem que, ao colocar um SteelBook exposto nas prateleiras das lojas, conseguem esgotá-lo em 2 semanas (coisa que não acontece da mesma forma com produtos regulares, em embalagens comuns). Assim sendo, o produto acaba sendo um facilitador de um lucro rápido e fácil.

Então, nossos clientes, quando fazem o orçamento para encomendar um título em SteelBook, pensam na demanda do público que coleciona, mas ao mesmo tempo inclui um público que irá comprar o produto mesmo não sendo colecionador.


BJC – O que pensa a Scanavo sobre o público colecionador e os sites que tratam sobre este assunto?

EF – A Scanavo respeita muito o público que coleciona, pois graças ao colecionador o nosso produto cresceu, melhorou e se expandiu, Neste momento, a Scanavo, junto com os estúdios, estão ligados nas redes sociais e, sem dúvida alguma, apreciamos demais o que vocês fazem. Graças a vocês, sabemos o que acontece em todo o mundo em termos de produtos colecionáveis. Inclusive posso dizer, sem nenhum medo, que muitas vezes vocês sabem mais sobre este mercado do que nós mesmos.

BJC – Você reconhece que na atualidade o mercado de colecionáveis para games é mais forte que o de filmes?

EF – Sim, totalmente de acordo. Sinto que os jogos tem um melhor impacto independente do país. Nos Estados Unidos, um lançamento de jogo é muito maior que de filme na Europa; não tenho os números, mas não tenho medo de errar ao dizer que, no mínimo, estão empatados no número de vendas.

BJC – Qual a tiragem mínima de um SteelBook? Qual o custo aproximado de uma unidade na tiragem mínima?

EF – A produção mínima é de 4 mil unidades, para qualquer conteúdo (seja filme ou jogo). São muitas variáveis para chegar a um preço final. Isso depende de quem está contratando o serviço, as questões de transporte e tudo mais. Como exemplo, para o mercado mexicano, um SteelBook em tiragem mínima sem arte interna custa 4 dólares. Então, o valor total  do pacote num lançamento de filme no México custaria 16 mil dólares. [O preço utilizado na entrevista é fictício, e não representa o valor final do produto]

BJC – Afinal de contas, por que até hoje não temos SteelBook no Brasil, sendo que países com economia semelhante a nossa (como México) já lançam seus filmes nesta embalagem?

EF – Esta é uma ótima pergunta. Eu acredito que sejam dois motivos: o primeiro é a maneira que se produz um DVD ou Blu-ray no Brasil. Tudo tem que passar por Manaus, para que as empresas tenham benefícios fiscais. Então como não temos fábrica de SteelBook no Brasil (um investimento de, no mínimo, 5 milhões de dólares cuja demanda no Brasil infelizmente não justifica), toda logística envolvida no processo de importação inviabiliza o lançamento do produto.

O outro motivo é a falta de sincronia entre as empresas distribuidoras e os seus clientes. Existe um medo dos estúdios no Brasil de colocar no mercado um produto premium. Quando eu fui na Saraiva (loja física) ou quando entrei no site do Submarino, só vi produtos “normais”, quase nada diferenciado. Os produtos que vi um pouco mais elaborados eram caríssimos. Vi Band of Brothers em lata (DVD), um produto muito caro para o que oferece.

Existe um problema estrutural também. Os estúdios dependem muito das replicadoras. Se eu ofereço um SteelBook para as replicadoras, elas não querem, pois é muito mais trabalho para eles, pela cadeia de produção, pela logística etc. E é difícil eliminar a replicadora do processo, pois a maioria das produtoras não tem os direitos de importação, quem os têm são as replicadoras. A Fox-Sony não pode comprar um lote de SteelBook, apenas a sua replicadora. Então temos que tratar com as lojas que vendem esse tipo de produto, mediante a autorização de quem detém os direitos dos filmes, que são as produtoras.

Sabendo de tudo isso, disse aos brasileiros com que conversei em minha visita: já que o maior problema é este (da produção em Manaus), por que não oferecem o SteelBook como item de um pacote, sem precisar colocar o disco dentro? Seria com um item de coleção como qualquer outro (como canecas, camisetas e outros “brindes” oferecidos pelas lojas no país). Com isso, se eliminam etapas burocráticas como a passagem pela SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Se o processo continuar sendo este que está estabelecido, o Brasil infelizmente não vai conseguir inovar neste campo.

Mas graças ao seu site e aos colecionadores do Brasil, afirmo que o mercado brasileiro está mais do que pronto para receber seu primeiro SteelBook.

BJC – Então qual é a saída para finalmente termos SteelBook no Brasil?

EF – O que eu quero no Brasil é muito simples: quero que o SteelBook vire um “prêmio”. Que alguma produtora diga que vão comprar 4 mil SteelBooks (tiragem mínima) e que vão vender isso junto com a edição normal vinda de Manaus. Que ofereça o produto como algo que faça parte de um pacote diferenciado. Não é necessário tudo ir para Manaus antes, colocar o disco dentro e etc. Basta ter um pouco mais de ousadia que as coisas vão acontecer.

Como já disse, um SteelBook em tiragem mínima custa 4 dólares. Para tirar esta carga do porto de Santos, vamos dizer que custe mais 4 dólares por unidade. Por 8 dólares você pode colocar um lucro em cima que ainda sai ganhando e o produto venderá muito. Com isso as pessoas não precisarão comprar seu Blu-ray na Alemanha (por exemplo), pagando o produto em Euro, esperando semanas para receber e muitas vezes arcando com pesados impostos, tudo isso para ter algo que, na maioria das vezes, nem tem opções em português.



BJC – Como foi sua visita nas empresas de home video e replicadoras no Brasil? O que disse a eles sobre esse assunto?

EF – Eu disse tudo isso para Sony-Fox, disse para Paramount-Universal, disse para Disney, para Arvato e também para AMZ (Videolar+Microservice). Esta é uma demanda que eles precisam reconhecer que existe! Eles precisam tentar pelo menos uma vez com um título e se darão conta de que a demanda é real e que podem ganhar muito com isso! Se eles não tentarem nada, nunca vão conhecer a realidade de consumo de seu público. Tudo isso ocasionado simplesmente pela falta falta de vontade de inovar dos estúdios e distribuidores? Não acho justo.

Falei para Disney: tentem com Os Vingadores. Tentem com 4 mil unidades para começar. Eu tenho certeza absoluta que em 2 dias estaria totalmente esgotado. Todos os executivos da Disney ficaram maravilhados com SteelBook, mas sinceramente não sei qual deve ser o meu próximo passo. Fiz de tudo, todos dizem que é um produto maravilhoso, mas infelizmente não levam a ideia adiante. A Disney vai lançar uma lata de Os Vingadores, e sei que vai vender muito, não resta dúvida. Mas estão colocando no mercado um produto que serve apenas para eles próprios e não para o consumidor.

Quer um exemplo de sucesso de uma empresa com visão de negócios? Ubisoft com Assassin’s Creed III. Eles pensaram: como colocar no mercado algo que valorize e incentive a pré-venda? Vamos dar um SteelBook só para aqueles que comprarem nosso produto antecipadamente, com algo que depois nas vendas regulares ninguém consiga comprar. Resultado? Sucesso absoluto na pré-venda.

RESUMO: O ESTÚDIO/PRODUTORA TEM QUE ESCUTAR O SEU CONSUMIDOR.

BJC – Tiveram dificuldades de entrar em algum outro mercado? Qual?

EF – Sim. Argentina é muito difícil, mais que o Brasil. O problema lá é a importação. São muitos impostos, chegando a 100% do valor original dos Estados Unidos ou México. Mas estou há quatro anos nesta companhia e não a deixarei até o dia em que conseguir lançar um título em SteelBook no Brasil e um na Argentina.

BJC – Como é o trabalho da Scanavo com a Future Shop no Canadá e Best Buy nos Estados Unidos? E com outras lojas no mundo?

EF – Best Buy e Future Shop são controladas pelo mesmo grupo empresarial. A Future Shop oferece mais SteelBooks exclusivos simplesmente por que a demanda no Canadá é outra, bem diferente da dos Estados Unidos. Também existem parcerias diferenciadas no Canadá, onde Warner e Alliance por exemplo trabalham em conjunto com a Future Shop, numa perfeita relação nos negócios. O mercado canadense não tem medo de investir, aposta no SteelBook pois sabe que vende mais fácil. Por isso temos mais oferta na Future Shop do que em outra loja dos Estados Unidos.

BJC – Curiosidades gerais: por que na França eles preferem SteelBooks em formato de DVD, mesmo para edições em Blu-ray?

EF – Isso acontece principalmente por causa dos expositores das lojas físicas, e pelo espaço de armazenamento das mercadorias que tem o tamanho exato do DVD. Mas também acontece isso motivado pelo formato de distribuição, eles ainda apostam muito no formato do DVD, então quando temos lançamentos Combo (com discos de DVD e Blu-ray) o formato maior é o escolhido.

BJC – O que significam os nomes G1 e G2? Qual a origem dessas siglas?

EF – G1 é o nome que se dá ao formato de DVD e G2 ao formato de Blu-ray. O “G” vem de geração. Portanto G1 é Geração 1 e  G2 significa Geração 2.

BJC – Qual o país que vende mais SteelBooks?

De longe, Alemanha. Lá podemos afirmar que o SteelBook já se tornou um produto popular, e já deixou de ser algo premium. Hoje em dia na Alemanha para uma edição ser premium não basta vir em SteelBook, tem que ter algo a mais, como caixas de madeira ou latas.

BJC – Como funciona a produção das artes dos SteelBooks? Quem se encarrega delas?

EF – Isso tudo parte de quem faz a compra. Se for a Disney, por exemplo, é ela que entrega a arte. Mas também temos uma coordenadora de projetos, uma designer gráfica de formação (Gwen Hetherington). Então, quando vemos uma arte enviada por um estúdio, podemos dizer “olha, isso pode ficar bem assim, ou ficaria ainda melhor de outra maneira”, daí o contratante faz as modificações melhorando alguns aspectos e, depois disso, nos envia novamente. Assim que recebemos a arte, imprimimos uma prova direto na chapa de metal, que é enviada para para o nosso cliente que aprova ou não o resultado final. Com o resultado aprovado, se inicia a produção do SteelBook.

BJC – Quanto tempo é necessário para para fazer uma tiragem mínima de 4 mil SteelBooks?

EF – Nós temos alguns padrões de trabalho. Se você me contrata um serviço de 100 mil unidades, vou levar 25 dias úteis para entregar todo o lote. Se você solicita uma tiragem mínima de 4 mil, talvez demore menos, mas o mínimo que posso prometer é 25 dias de prazo. Se Scarface, por exemplo, precisa ser lançado em 1º de novembro, o replicador precisa de todas as embalagens em 1º de outubro. Então, dentro disso, já em julho tenho que começar a trabalhar a arte, para que dê tempo de tudo ser feito em agosto e em setembro remeter para a replicadora.

BJC – Então se quisermos ter um SteelBook no Brasil de um filme como Era do Gelo 4 (uma franquia campeã de vendas no país) para o Dia das Crianças (12 de outubro) já estaríamos atrasados?

EF – Aí que está o problema. Como a fábrica é nos Estados Unidos, as coisas não são tão fáceis como no México, que é só colocar a carga em um caminhão e está tudo entregue em 5 dias. De Ohio (local da fábrica dos SteelBooks nos EUA) até a Flórida e de lá até o porto de Santos em São Paulo levariam 30 dias. Então é o que eu disse aos estúdios brasileiros: se vocês tem todos esses problemas no processo de importação (ainda mais agora com a Maré Vermelha). vocês devem pensar num projeto com 6 meses de antecedência para que tudo dê certo.

BJC – Qualquer pessoa jurídica pode contratar os serviços da Scanavo para fazer uma tiragem de SteelBooks?

EF – Não. Este também é um problema. Nós temos todo o cuidado em entregar o produto apenas para quem detém o direito de distribuição da obra, seja ela um filme, um jogo ou seja lá o que for. Então só firmamos um contrato com quem está autorizado a levar o nome daquela obra, para manter a responsabilidade de produzirmos um produto autêntico.

BJC – Muitos perguntam se um SteelBook pode enferrujar. Isso pode acontecer? O que é feito para que não ocorra oxidação do metal?

EF – Primeiramente trabalhamos com um produto que é 100% biodegradável. Isso significa que não há produtos químicos que prejudiquem a natureza dentro da nossa cadeia de produção. O SteelBook foi aprovado pelos órgãos regulamentadores dos Estados Unidos e é um artigo ambientalmente irretocável. O SteelBook não oxida pois antes de fazermos a impressão, a chapa metálica é tratada com uma laca (um impermeabilizante) para reduzir o grau de oxidação ao nível mínimo (0,01%).

BJC – Para encerrar, queremos saber se você é colecionador, quantos SteelBooks tem na coleção e qual o mais raro deles?

EF – Sim, sou colecionador (não tão hardcore como a maioria de vocês). Tenho aproximadamente 400 SteelBooks na coleção  (todos de filmes, pois não sou muito fã de jogos) e o mais raro deles é o de X-Men, que com certeza se fosse colocar a venda no eBay poderia pedir mais de 1000 dólares por ele, mas nunca farei isso, pois gosto muito dele. Um dos mais belos da minha coleção é o do Capitão América, este é um dos meus preferidos.

[Agradecimento especial ao amigo Clayton Douglas, idealizador desta entrevista]

English version by Felipe Fonseca

EXCLUSIVE: BJC interview Eduardo Figueroa (Marketing Manager / Scanavo – Steelbook)

Note from the translator: English is not my mother language, so forgive me in advance for any grammatical errors.

BJC – How and where did Scanavo and SteelBook began?

Eduardo Figueroa – Scanavo began more than 10 years ago in Denmark, with presence in the American market since then. With SteelBook we’ve been working at approximately 8 years. It all began with a company called G&M, a strong company in the segment of metallic plates and that today works along with Scanavo in a partnership, because it has the infrastructure and machinery to produce the SteelBook. We are partners and work together in the development of this product. Obviously it is Scanavo that holds the patent for the SteelBook and also for the line of plastic packages.

EF – The production began in Denmark, but we already have, for some years now, the production of SteelBooks for DVD in the United States (in Ohio). By that time, DVD was much stronger than Blu-ray, that’s why we began with this format. But last year we noticed that the demand for the Blu-ray format justified a new investment in America and we decided to open an industrial plant for this format too. Therefore, we already produce SteelBooks for DVD, Blu-ray, PC and Wii (games). This way we manage to meet the demand of the United States, Canada and Mexico, saving time and making the product cheaper for our clients.

BJC – SteelBook is sold in how many countries, nowadays?

EF – Our product is being sold in all 5 continents. All the products sold in Asia, Europe and Oceania are made in Denmark, and the products distributed in North America are made in the United States. This way, we have two industrial plants in the world, making all the SteelBook models (Ohio and Copenhagen), with a production of more than 8 million units a year.

BJC – The focus of the SteelBook is the collectors or do you also work to conquer the more casual consumer?

EF – It depends on the country. For example, Germany has a very large collectors market, as you may all know, with a huge demand. But personally I don’t know if the movie studios observe this, because what they want is to sell as much as possible and, to be honest, I don’t know if they care much for the collector’s market. For them what matters is that there is a market that, when you present a product like a SteelBook , they can sell more and faster, because the return is very easy. They know that if they put a SteelBook on the store shelves they can sold it out in 2 weeks (something that doesn’t happen with regular products or common packages). Therefore, the product ends up being a facilitator of a quick and easy profit.

So when our clients make an estimate to order a title in SteelBook, they think about the collectors’ demand, but at the same time they count in a public that will buy the product even if they are not collectors.

BJC – What Scanavo thinks about the collectors and the websites that deal about this subject?

EF – Scanavo respects very much the collectors, because thanks to the collectors our product grew, improved and expanded. At this moment, Scanavo, along with the studios, is connected in the social networks and without a doubt we appreciate a lot what you do. Thanks to you we know what happens all over the world in terms of collectible products. I can even say without any fear that many times you know more about this market than we do.

BJC – Do you acknowledge that today the collectibles market for games is much stronger than for movies?

EF – Yes, I totally agree. I feel that games have a better impact regardless of the country. In the United States a game launch is much bigger than of a movie. I don’t have the numbers in Europe, but I’m not afraid of being wrong by saying that, at the very least, they are tied in sales numbers.

BJC – What’s the minimum print run of a SteelBook? What’s the approximate cost of one unit in the minimum print run?

EF – The minimum production is of 4 thousand units, for any content (movie or game). There are many variables to achieve a final price. This depends on who is hiring the service, matters of transportation and everything else. But as an example, for the Mexican market a SteelBook in a minimum print run, without internal art, costs $4. So the total cost of the package in a movie launch in Mexico is 16 thousand dollars. [Price of the product on the interview is fictitious and doesn’t represent real price]

BJC – After all, why until this day we don’t have SteelBooks in Brazil, whereas countries with similar economy, like Mexico, already launch their movies in this package?

EF – This is a great question. I believe there are two reasons. The first is the way that a DVD or Blu-ray is produced in Brazil. Everything has to go through Manaus, so the companies may have tax benefits. So, as we don’t have a SteelBook factory in Brazil (an investment of at least 5 million dollars that the demand in Brazil unfortunately doesn’t justify), all the logistics involved in the importing process undermines the launch of the product.

The other reason is the lack of synchrony between distribution companies and their clients. There is a fear in studios in Brazil of releasing in the market a premium product. When I went to Saraiva (physical store), or when I accessed Submarino’s website, I only saw “common” products, almost nothing differentiated. The products I saw that were a little more elaborated were too expensive. I saw Band of Brothers in a tin (DVD), a product too expensive for what it offers.

There’s also a structural problem. The studios rely heavily on the replicators. And if I offer a SteelBook for the replicators, they don’t want it, because it’s more work for them, because of the production chain, logistics and etc. And it’s hard to eliminate the replicator of the process, because the majority of the production companies doesn’t have the rights of importation, the ones who have are the replicators. Fox-Sony can’t buy a lot of SteelBooks, only the replicator. So we must deal with the stores that sell this kind of product, with the permission of whoever owns the rights to the films, which are the production companies.

Knowing all this, I said to the Brazilians with whom I met in my visit: Since the biggest issue is this (the Manaus production), why don’t you offer the SteelBook as an item in a package, without having to put the disc inside? It would be like a collection item like any other (cups, shirts and another “gifts” offered by the stores in the country). With this you eliminate bureaucratic steps like the passage through SUFRAMA (Superintendence of Manaus Free Trade Zone). If the process continues to be the one established, Brazil unfortunately won’t be able to innovate in this field.

But thanks to your website and the Brazilian collectors I can affirm that the Brazilian market is more than ready to receive its first SteelBook.

BJC – So how can we finally have a SteelBook in Brazil?

EF – What I want in Brazil is very simple: I want the SteelBook to become a “prize”. That some production company says they will buy 4 thousand SteelBooks (minimum print run) and that they will sell it together with the normal edition coming from Manaus. That they offer the product as something that is a part of a differentiated package. It’s not necessary that everything goes to Manaus before, put the disc inside, etc. They only need a little more boldness to make things happen.

As I said before, a SteelBook in minimum print run costs . To take this shipment out of Santos port, let’s say it costs more by unit. For you can put your profit and still make money and sell a lot. With this, people won’t have to buy their Blu-ray in Germany, for example, paying in Euro, waiting for weeks to receive the product and many times having to pay high taxes, all this to own something that many times doesn’t have options in Portuguese.

BJC – How was your visit to the Home Video companies and replicators in Brazil? What did you tell them about this matter?

EF – I said all this to Sony-Fox, to Paramount-Universal, to Disney, to Arvato and also to AMZ (Videolar+Microservice). This is a demand they must acknowledge that exists! They must try at least once with a title and they will realize that the demand is real and that they can make a lot of profit with this! If they try nothing, they’ll never know their consumers reality. All this simply caused by the lack of will to innovate by studios and distributors? I don’t think it’s fair.
I told Disney: Try with The Avengers. Try putting out 4 thousand units to begin with. I’m absolutely sure that within 2 days it would be totally sold out. All Disney executives were amazed with the SteelBook, but honestly, I don’t know what must be my next step. I made it all, everybody says it’s a wonderful product, but unfortunately they don’t go ahead with the idea. Disney will launch an Avenger’s tin, and I know they will sell a lot, there’s no doubt. But they are putting in the market a product that serves only to them, not to the consumer.

Do you want an example of success from a company with vision for business? Ubisoft, with Assassin’s Creed III. They thought: “How to put in the market something that enhances and encourages the pre-sales? Let’s give a SteelBook only to those that buy our product in advance, with something that after, in the regular sales, no one can buy”. Result? Absolute success in pre-sales.

Summary: the studio/production company has to listen to the consumer.

BJC – Did you have difficulties to get in another market? Wich one?

EF – Yes. Argentina is very hard, more than Brazil. The issue there is the importation. There are too many taxes, reaching almost 100% of the original value from the United States or Mexico.

But I’ve been in this company for four years and I won’t give up until the day I can release a title in SteelBook in Brazil and in Argentina.

BJC – How is the work of Scanavo with Future Shop, in Canada, and Best Buy, in the USA? And with other stores in the world?

EF – Best Buy and Future Shop are controlled by the same business group. Future Shop offers more exclusive SteelBooks simply because the demand in Canada is other, very different from the United States. There are also differentiated partnerships in Canada, where Warner and Alliance, for example, work in conjunction with Future Shop, in a perfect business relation. Canadian market is not afraid of making investments, it bets on SteelBook, because they know it sells easier. That’s why we have a bigger offer in Future Shop than in another store in the United States.

BJC – Why in France they prefer DVD size SteelBooks, even for Blu-ray editions?

EF – This happens mostly because of the shelves of the physical stores and the storage of the products, that has the exact DVD size. But this also happens motivated by the distribution format. They still bet a lot in the DVD format, so when we have Combo releases (DVD and Blu-ray) the larger format is chosen.

BJC – What does the names G1 and G2 stand for? What’s the origin of these acronyms?

EF – G1 is the name of the DVD format and G2 of the Blu-ray format. The “G” stands for “generation”. Therefore, G1 is Generation 1 and G2 is Generation 2.

BJC – What is the country that sells most SteelBooks?

EF – By far, it’s Germany. There we can affirm that the SteelBook has already become a popular product and is no longer something premium. Nowadays in Germany for an edition to be considered premium it’s not enough to come as a SteelBook, it must have something extra, like wooden boxes or tins.

BJC – How does the production of Steels arts work? Who is in charge of them?

EF – This all comes from who makes the purchase. If it’s Disney, for example, it’s them who deliver the art. But we also have a projects coordinator, a formed graphic designer (Gwen Hetherington). So when we look at an art sent by a studio, we can say “look, this can look good like this, or it would be even better in another way…”, then the contractor makes the modifications improving some aspects, and after that send us back. As soon as we receive the art, we print a test right on the metal plate, which is then sent to our client that approves or not the final result. With the result approved, it begins the SteelBook production.

BJC – How much time is necessary to produce a minimum print run of 4 thousand SteelBooks?

EF – We have some work standards. When you contract me a service of 100 thousand units, I will take 25 working days to deliver the whole lot. If you ask a minimum print run of 4 thousand, perhaps it takes less, but the minimum I can promise is a 25 days deadline. If Scarface, for example, needs to be released on November 1st, the replicator needs all the packages by October 1st. So inside this time frame, in July I must be already working on the art, so we have time to make it all by August and in September be able to send it to the replicator.

BJC – So if we wished in Brazil to have a SteelBook of a movie like Ice Age 4 (a box office hit franchise in the country) for the Children’s Day (October 12) we’d already be late?

EF – There lies the problem. As the plant is in the United States things are not as easy as in Mexico, where all we have to do is put the cargo in a truck and everything is delivered within 5 days. But from Ohio (SteelBooks’ plant site in the USA) to Florida and from there to Santos port in São Paulo (Brazil) it would take 30 days. So that’s what I said to the Brazilian studios: if you have all this problems in the import process (even more now with the Red Tide), you must think of a process 6 months in advance so everything goes right.

BJC – Any legal entity may hire the services of Scanavo to make a run of SteelBooks?

EF – No. This is also a problem. We have all the caution to deliver the product only to those who owns the rights of distribution of the work, be it a film, a game or whatever. So we only close deals with those that are authorized to take the name of that title, to maintain the responsibility of producing an authentic product.

BJC – Many ask if a SteelBook can get rusty. This can happen? What is done to prevent the metal oxidation?

EF – First, we work with a product that is 100% biodegradable. This means there are no chemical products that harm the nature inside our production chain. SteelBook was approved by the regulatory agencies of the United States and is an environmentally impeccable article. SteelBook doesn’t oxidize, because before we make the printing on the metallic plate, it is treated with a lacquer (a waterproofing) to reduce the degree of oxidation to the minimum level (0,01%).

BJC – To finish, we want to know if you are a collector, how many SteelBooks you have in your collection and which one is the rarest?

EF – Yes, I’m a collector (not so hardcore as most of you). I have approximately 400 SteelBooks in my collection (all movies, because I’m not much of a gamer) and the rarest is one from the X-Men, that if I were to put it on eBay, it would certainly cost more than one thousand dollars, but I’ll never do it, because I like it very much. One of the most beautiful in my collection is Captain America, it’s one of my favorites.

SteelBooks na Amazon da Alemanha:

http://jotace.me/steelbooks

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Sobre o autor

Jotacê é viciado em DVDs desde 2004 (começou tardiamente, na idade do metal discóide furado). Hoje em dia compra poucos DVDs para investir mais nos discos do raio azul (que coleciona desde 2008). Resolveu ter um site em 2008 para que fosse possível publicar tudo o que pensava sobre os disquinhos lançados no Brasil. E cá estamos nós! Twitter | YouTube | Flickr | Coleção