“PlayArgh” e suas mutilações

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Em 2008, o Jotacê publicou um post falando sobre os altos preços praticados pela PlayArte, assim como a divisão de séries por volumes. Desta forma, não tratarei destes assuntos para não ficar repetitivo. Recomendo a leitura deste post, que apesar de ter sido postado há quase 3 anos, ainda é um problema atual.

Antes de começar, acho importante relembrar os leitores sobre os formatos de tela e as características de cada um. Recomendo os seguintes posts (um deles do nosso perceiro DVD Magazine):

A PlayArte é hoje uma das poucas produtoras nacionais que ainda mutilam a imagem e utilizam áudio 2.0 em seus DVDs. Este fato era comum há muitos anos atrás, quando a grande maioria dos televisores eram de tubo (4×3 fullscreen) e o Home Theater era algo inviável. Porém em pleno ano de 2011, com a popularização das TVs Widescreen (já há algum tempo) e com Home Theaters com preços acessíveis, a PlayArte insiste em lançar alguns DVDs neste formato arcaico. Além disso, muitos títulos também sofrem com a falta de extras, e enquanto lá fora existem edições duplas, aqui chegam em apenas um disco.

Felizmente este tratamento não é aplicado em todos os títulos, e essa inconstância da empresa que é o problema. A PlayArte possui algumas edições excelentes em DVD: duplas, com formato de tela correto, áudio DTS, muitos extras, e também possui algumas das luvas mais belas do mercado de home video nacional. A apresentação em si dos DVDs não são ruins, já que quase todos os títulos possuem arte interna, o grande problema é o fator áudio/imagem.

Sinceramente não consigo entender esta opção da PlayArte. O único motivo que vejo para títulos serem lançados desta forma, seria a redução de custos (fora a desculpa esfarrapada, batida e bolorenta sobre “limitações contratuais”). Mas será que é realmente mais barato trazer o filme em fullscreen e com áudio 2.0? Não acredito nisso. Em relação aos extras, sabemos que a produtora precisa pagar um valor adicional pela compra dos mesmos. Talvez eu esteja errado, mas no caso de áudio e imagem, acredito que na hora da autoração a empresa designada para tal serviço recebe o Master do filme em seu formato original, e alterar estes formatos é uma decisão da produtora!

Antes de ver os casos problemáticos, confiram alguns exemplos de ótimos lançamentos da PlayArte em DVD:

– Número 23: Áudio Dolby Digial 5.1 EX – Widescreen – Com extras – Luva excelente com verniz e janela

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– Premonição 2: Duplo, Áudio DTS-ES 6.1 – Widescreen – Com extras

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– A Bússola de Ouro: Digipak, Duplo, Áudio Dolby Digital 5.1, Widescreen – Com vários extrasdvd_03

E então nos perguntamos: “Como esta mesma empresa também lança outros título em fullscreen, com áudio 2.0 e com ausência total de extras?”.

Confira alguns casos RECENTES:

– Cabana do Inferno 2: Áudio 2.0 – 4×3 fullscreen – Sem extras

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– Sem Saída: Áudio 2.0 – 4×3 fullscreen – Sem extras

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– Halloween – O Início: Áudio 5.1 – 4×3 fullscreen – Sem extras

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– Halloween 2: Áudio 2.0 – 4×3 fullscreen – Sem extras

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– Preciosa – Uma História de Esperança: Áudio 2.0 – 4×3 fullscreen – Sem extras

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– Fama (2009): Áudio 5.1 – 4×3 fullscreen – Com extras

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– Vírus: Áudio 2.0 – 4×3 fullscreen – Sem extras

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São apenas alguns casos, pois a lista é extensa. Mas apesar de alguns filmes não serem tão famosos, são recentes (lançamentos). Se o filme em questão fosse antigo, seria mais “aceitável” o áudio 2.0, mas não é o caso, os filmes são novos e muitos deles foram exibidos recentemente nos cinemas nacionais com seus formatos preservados. Estes títulos, creio eu que serão lançados em Widescreen e áudio 5.1 no mundo inteiro, menos aqui!

Fiz uma comparação da imagem do filme “Halloween: O Início”, entre o formato original em Widescreen lançado lá fora e o nosso DVD em fullscreen. Percebam que “ganhamos” imagem na parte inferior e superior, mas perdemos muito mais imagem nas laterais. Fora o fato de que o filme foi originalmente filmado em Widescreen, esta foi a escolha do diretor.

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A PlayArte é uma produtora independente, e consequentemente lança filmes feitos por produtoras internacionais que também são independentes. Por exemplo, o filme “Halloween: O Início” foi produzido pela Dimension Films, esta produtora não é uma MAJOR e não possui filiais em todos os lugares do mundo (como acontece com Warner, Fox, Sony, etc.), desta forma, o filme só chegará ao Brasil caso uma major deseje APENAS distribuí-lo (já que foi produzido por outra empresa), ou na maioria dos casos, cai nas mãos das pequenas produtoras.

Ou seja, nestes casos não temos para onde correr, pois o único lugar do mundo onde existem legendas em português destes filmes, é aqui no Brasil! Eles são autorados por aqui em edições que podemos chamar de “únicas”.

Como já sabem, meu gênero favorito é o terror, e a PlayArte possui um ótimo catálogo do genêro. No caso destes filmes, sinto muita falta do áudio 5.1, pois a sensação e o clima do filme mudam completamente ao assistir com áudio 2.0.

Outra crítica dos colecionadores à PlayArte é a falta de comunicação com os consumidores. Eu, particularmente, NUNCA recebi uma resposta da PlayArte, nem por e-mail, nem por Twitter. Isso passa a impressão de que eles “não estão nem aí” para os consumidores. Esperamos que agora em 2011 a empresa finalmente consiga se aproximar de seus consumidores e melhorar seus produtos.

Pelo menos por enquanto, a PlayArte tem lançado Blu-rays de qualidade, com áudio HD, aspecto de tela original, e em alguns casos com extras. Infelizmente o preço para ter essa qualidade (que é o mínimo para um Blu-ray) é alto, R$ 89,90! É triste ver que chegamos neste ponto, de comemorar quando um filme é lançado em seus formatos originais. Isso deveria ser obrigatório. Apesar da melhora que o home video nacional teve nos últimos anos, ainda sofremos com casos como este.

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Link para edições de O Homem de Aço em Blu-ray com dublagem e legendas PT-BR e disco de extras limado no Brasil (envio com rastreio completo pelo frete mais barato)

Categorias: Blu-rayDVDProtestos

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Sobre o autor

Bruno Cabral começou a colecionar DVDs entre 2005 e 2006, até então tinha apenas alguns filmes favoritos. Sua coleção aumentou muito após conhecer o BJC em 2008, tanto em tamanho quanto em qualidade, passou a priorizar edições diferenciadas e com melhor tratamento. Conta hoje com mais de 1000 títulos. Seu gênero favorito é terror mas assiste de tudo! Entrou no mundo do raio azul no final de 2009.