BJC na Microservice!

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Estive presente no evento Blu-ray Experience, promovido pela Microservice como uma “apresentação geral sobre a nova tecnologia, sua evolução técnica sobre outras mídias e dados do mercado internacional e local”. A intenção da empresa é ajudar a divulgar o formato aqui no Brasil, começando pela própria mídia especializada, que no fim das contas pode influenciar bastante a compra de um consumidor.

O evento ocorreu na sede da Microservice em Barueri-SP. Cheguei no local com cerca de meia-hora de antecedência e com isso pude trocar algumas idéias com outros colegas. Foi curioso saber, por exemplo, que a maioria dos que estavam ali para cobrir a matéria não tinham Blu-ray player, assim como eu. E sem dúvida nenhuma, quando nem os que escrevem a respeito têm a possibilidade de experimentar a tecnologia por conta própria, muito pode se perder na difusão de um produto.

A apresentação começou com vários números sobre o mercado de Blu-rays, mostrando a queda de vendas em DVD e o grande aumento de vendas em BD em comparação ao mesmo período do ano passado, como vocês podem conferir nos gráficos a seguir:

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Isso é animador para a nova mídia, sem dúvida. Mas não podemos esquecer que uma mídia já estabelecida como o DVD dificilmente terá um grande crescimento a essa altura do campeonato. A tendência é esse índice se manter estável ou ter alguns picos por conta de algum título com muitas vendas, como Avatar. Já para o Blu-ray, cujas vendas foram muito pequenas no ano passado, é bem mais fácil, em comparação, ter um salto percentual. Ainda sim, saber que nos 4 primeiros meses desse ano já foram vendidos quase 4 vezes mais discos no formato aqui no Brasil é um avanço.

Em seguida Christiann Ferreira, Coordenador de Produtos, fez uma longa apresentação sobre todos os aspectos técnicos do Blu-ray, como sua origem, sua fabricação, suas propriedades exclusivas. Tudo muito didático, mas necessário, já que na hora das perguntas pude perceber que até mesmo profissionais que tratam do assunto têm diversas dúvidas técnicas a respeito. Sobre essa parte, deixo alguns dos slides apresentados por eles:

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Desde o começo da apresentação (que contou ainda com Cibele Fonseca, gerente de marketing, e Alfredo Gallinucci, gerente de operações) eles fizeram questão de frisar que encaram o Blu-ray como uma mídia complementar e não uma mídia substituta. Aqui no BJC já discutimos isso algumas vezes e creio que o pensamento deles é bem acertado. O DVD tem um nível de penetração no mercado que fica difícil de ser colocado à prova de uma hora para a outra. Sem contar que, como o próprio Christiann Ferreira apontou, a adoção do Blu-ray requer um aparato e um investimento muito maior do que o DVD exigiu quando surgiu. Afinal de contas, na época tudo que precisávamos para curtir a revolução do home vídeo era de um player e dos discos. Já com o Blu-ray a situação é diferente. Para aproveitar totalmente e de fato sentir a diferença é preciso não apenas do player, mas de uma TV de Alta Definição e de um home theater completo. E antes que alguém diga que um home theater não é necessário, continue comigo nos próximos parágrafos.

De qualquer maneira, o fato de exigir uma nova televisão o torna um luxo. Não apenas luxo no sentido financeiro, mas no sentido do algo extra. Para migrar para o Blu-ray o consumidor tem que antes querer migrar para uma TV nova, maior e de mais qualidade. E é justamente o desejo por uma TV maior que possibilitou o estabelecimento comercial de uma mídia com uma definição muito superior que a de um DVD. Oras, se o consumidor quer cada vez televisores maiores, querendo trazer para a sala de casa uma experiência mais completa e imersiva, a definição do DVD não daria conta disso, como mostra em síntese o slide abaixo:

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Encarando o Blu-ray como mídia complementar, a Microservice, ao menos, parece saber com que público trabalha e que metas pode ter com o formato. Um colega perguntou a eles quando o BD teria o mesmo número de players nas casas das pessoas que o DVD. E sabiamente responderam que a pretensão não é essa. O que disseram é que a previsão para que o Blu-ray possa ser considerado “popular” é de mais uns 4 ou 5 anos.

Em seguida tivemos uma série de apresentações em vídeo. Aqui preciso dizer que esse evento ocorreu numa sala de cinema existente lá na Microservice. E é uma belíssima sala! Palavra de quem conhece. 😉 Ela conta com projeção digital de 4K e som 7.1. Um belíssimo local para exibição de áudio e imagem.

Sala Microservice

Primeiro foi exibido um trecho de Avatar em Blu-ray (1080p) e devo dizer que para uma tela de cerca de 5 metros de largura por quase 3 metros de altura, a imagem do Blu-ray continuou ótima. Nas nossas TVs então, não precisa nem comentar. Depois foi feita uma demonstração de todo o potencial dos 8 canais de áudio que o BD permite. Mostraram um clipe musical, e apesar de eu ter achado a escolha ruim (há muitos filmes com um som mais impressionante pra se conferir o som), ficou muito claro que maravilha é poder curtir o som em sua totalidade e estado original. Esse, de fato, é o maior alcance do Blu-ray. Porque embora tenha uma belíssima definição de imagem para os tamanhos de televisores demandados atualmente pelo mercado, é no som que está sua maior glória.

Isso porque o Blu-ray possibilita o áudio lossless, sem compressão. É o som como foi pensado e criado pelo designer de som do filme, show ou seriado. É o mesmo som que se ouve numa sala de cinema (numa BOA sala, pelo menos). Por isso mais acima eu destaquei a necessidade de um home theater para um real aproveitamento dessa nova tecnologia. E os que não tinham um e passaram a ter poderão corroborar esse fato aqui nos comentários. 😉

Foi mostrado também um divertido e interessante uso do recurso BD-Live, um dispositivo ainda pouco utilizado pelas produtoras. O exemplo usado foi o do disco de Alien vs Predador, onde basicamente o que pode ser feito é um jogo de tiro em primeira pessoa durante todo o filme. Infelizmente não encontrei nenhum vídeo demonstrativo na internet e esse material não nos foi disponibilizado, mas é como se você jogasse vídeo game, com o filme sendo o cenário e os Aliens, Predadores e humanos que surgem são os alvos, tudo isso online e com outros amigos. O recurso BD-Live também permite exibições do filme com a presença ao vivo de elenco e equipe durante a sessão, como já ocorreu com Harry Potter e o Enigma do Príncipe e Sherlock Holmes.

QUALIDADE DE REPLICAÇÃO

Um dos atuais temores dos colecionadores de Blu-ray no Brasil é a qualidade de impressão nos discos. Eu indaguei Alfredo Gallinucci sobre isso, especificamente o caso de Avatar, e ele me disse que a forma, qualidade e conteúdo dos discos que eles replicam são todos de responsabilidade dos estúdios. Eles produzem o que lhes é encomendado. Particularmente sobre o caso da impressão do disco de Avatar, ele me disse que o processo de impressão que eles utilizam é o Offset. Eu não tenho conhecimento nesse assunto, mas quando fui pesquisar a respeito aprendi que é um dos métodos de impressão mais utilizado atualmente e que permite grande qualidade. Isso me deixou na dúvida, já que a qualidade de impressão no disco nacional de Avatar é obviamente menor do que no exterior, como já mostramos aqui. Mas descobri também que por ser um processo baseado na repulsão tinta-água, pode-se usar menos ou mais tinta nessa conta. E aí é apenas uma inferência minha, mas creio que eles podem reduzir a quantidade de tinta no processo para reduzir custos, o que acaba reduzindo também a qualidade. Vale notar que esse processo já é ecologicamente correto.

PREÇO

Mais uma coisa que fica nas mãos dos estúdios. O preço final não cabe a eles decidir. Mas explicaram alguns dos porquês do Blu-ray ser mais caro que o DVD. Pra começo de conversa, todo BD tem que estar registrado na ISAN e na AACS para ser produzido, que são entidades que cuidam da segurança e anti-pirataria desses títulos. Cada registro sai por volta de mil dólares (Cá entre nós, esse não me parece um bom motivo). Em segundo lugar, o alto custo da mídia, que só possui dois fabricantes no mundo. Todos os processos de produção também são mais caros, além da demanda que ainda é baixa para que preços como os do DVD possam ser praticados.

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Curiosidades:

  • Em comparação com o DVD, um disco de BD sai cerca de 5 vezes mais caro para ser produzido.
  • A tiragem mínima para a Microservice produzir um Blu-ray é de 1.000 discos.
  • Os discos são prensados, e não gravados.

O vídeo abaixo mostra o processo de produção de um disco Blu-ray:

AUTORAÇÃO

Indaguei-os a respeito da autoração de Blu-rays no Brasil (algo que muitos andam temendo). A Imagem e a Europa Filmes, como sabemos, já o têm feito. Mas no caso dessas, as notícias sobre qualidade não são muito boas. Entre as majors, a Warner já está fazendo alguma coisa por aqui. A Fox, por exemplo, só importa por enquanto. Essa decisão de autorar os discos no Brasil depende exclusivamente do custo-benefício, que por enquanto tende a ser maior trazendo as autorações do exterior.

Os representantes da Microservice também foram indagados sobre a vida útil desse novo formato, se ela já não estaria muito reduzida em vista das maiores capacidades de armazenamento de discos que são divulgadas quase que diariamente. O pensamento deles é muito parecido com o meu. Christiann Ferreira disse que uma nova mídia, uma nova capacidade de armazenamento, vem da demanda do consumidor. O Blu-ray surgiu justamente porque nós queremos TVs cada vez maiores. Com isso, a qualidade da definição teve que aumentar. Sobre armazenamento, ele bem apontou que atualmente a média de espaço de um pen drive é de 8GB. Ou seja, atualmente é mais ou menos isso que o consumidor demanda de um dispositivo portátil de armazenamento. O Blu-ray atual suporta até 50GB. O que é mais do que suficiente para nos entregar filmes em definição condizente com os maiores televisores disponíveis no mercado. Sem esquecer que a maioria de nós ainda nem tem um televisor desses. Portanto imaginar que o Blu-ray “não colou” é no mínimo inocência.

Encarado com uma mídia complementar pelos próprios fabricantes, fica muito claro que nós colecionadores fazemos parte da linha de frente dessa mídia que segundo eles só poderá ser chamada de “popular” daqui uns 4 ou 5 anos.

Talvez muitas perguntas não tenham sido respondidas, ou novas tenham surgido, mas o canal está aberto. Fiquei com uma boa impressão da Microservice (o que não quer dizer que a qualidade de impressão passará batida :P). Mas eles parecem estar bem comprometidos com o sucesso do formato aqui no Brasil. Espero que isso se concretize.

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Sobre o autor

Felipe Fonseca começou sua amada coleção de DVD em 2002. Desde então vem cultivando sua coleção com muito carinho, buscando qualidade de som e imagem, assim como belas embalagens sempre que possível. Entrou para o mundo do Raio Azul em julho de 2010, com a épica compra do seu PS3. Acompanhe o Canal do Fonseca no YouTube.