Guia de Caixas Acústicas

01 - 802_Diamond_Cherrywood_Hi-Fi_Period

O que são Caixas Acústicas?

Caixas acústicas são a última fronteira antes do som chegar aos nossos ouvidos. O design e concepção originais não mudaram muito desde sua invenção antes de 1900. Obviamente vários avanços e melhorias foram desenvolvidos, e hoje somos capazes de ouvir uma caixa acústica que reproduza o áudio original sem nenhuma perda, coloração ou diferença do que foi tocado ao vivo. A Caixa Acústica basicamente é um transdutor eletroacústico que converte sinal elétrico em som. O sinal elétrico faz com que o alto falante se mova de acordo, gerando som que se propaga no ar. Uma caixa acústica comum se compõe de um Woofer, que é um cone que reproduz as frequências médias e graves, e um Tweeter que lida com as altas frequências, os agudos. Tudo isso alojado numa caixa de madeira (o melhor e mais usado material para se fazer gabinetes de caixas acústicas) e usa-se um divisor de sinais passivo, chamado de crossover, que divide o sinal elétrico que entra na caixa para cada um dos alto falantes de grave, médio e agudo, assim por diante.

Tipos de Caixas Acústicas

Existem alguns tipos de caixas acústicas e algumas diferenças em componentes e meios de reprodução. O tipo mais comum, conforme citei, é a caixa acústica de madeira, com alto falantes e tweeter.

02 - genelec-ht208Caixa Acústica de Duas Vias (Woofer e Tweeter), a mais comum.

Existem Tweeters de ligas metálicas e até exóticos, como Alumínio, Titânio, Berylium, Magnésio e os de tecido, como Seda. Temos também tweeters de Fita de Ribbon usados em caixas exclusivas para reprodução de música, por sua característica “suave”; Corneta, muito usada em sistema de som de show e caixas de grande porte, pela sua capacidade de gerar volumes altos sem distorção, entre outros tipos.

O melhor resultado sonoro é obtido com a maior rigidez estrutural do tweeter e do woofer, então o material mais apropriado para dureza no tweeter é o Diamante. Sim, já existem caixas acústicas com tweeters de diamante, como as B&W e a Kharma. Elas utilizam diamantes criados em laboratórios, a partir do pó de diamante natural, o que forma o DLC, que é “Diamond Like Carbon”. Com esse tipo de construção, sem compromissos de qualidade temos caixas acústicas que podem custar o mesmo que uma Ferrari zero km.

Os alto falantes “Woofers” são comuns de se encontrar em materiais como Papel, Resina, Kevlar, Aramida e vários outros materiais e mistura de materiais para dar maior rigidez ao cone e evitar colorações no som devido a imperfeições estruturais.

Existem ainda caixas acústicas do tipo eletro estático, como as da marca Martin Logan, que usam uma membrana lisa metálica que se distorce com a carga elétrica e gera o som. É um sistema interessante de ver, já que não existe alto falante em si na caixa para reproduzir as médias e altas frequências, somente uma chapa lisa, o que faz a espessura do conjunto ser mínima. Só que a deficiência desse sistema é que não é possível reproduzir grave com essa membrana, então a caixa geralmente tem que ter um woofer acoplado para poder reproduzir toda a gama de áudio.

03 - MartinLogan Summit loudspeakersCaixa Eletro estática Martin Logan Summit.

Na sua grande maioria, caixas acústicas com materiais exóticos, de construção diferente, são as mais caras e consequentemente as melhores, por usarem os melhores componentes e a maior atenção aos detalhes na construcão e desenvolvimento.

Aqui temos um vídeo interessante de como uma caixa acústica top de linha da marca Inglesa B&W é construída: a Série 800 Nautilus. A atenção aos detalhes é impressionante. É realmente a construção de uma obra prima da reprodução sonora com componentes como Diamante, Platina, Kevlar e Ouro:

Hoje em dia temos fabricantes que fazem verdadeiras obras de arte em forma de caixa acústica, não só pelo design, mas pelo trabalho e dedicação envolvidos.

O uso de materiais exóticos e avançados dão um resultado sonoro inigualável. Uma das marcas mais famosas no mundo das caixas acústicas também é uma das mais revolucionárias e tecnologicamente avançadas do mundo, a já citada B&W (Bowers & Wilkins) da Inglaterra, que são também as minhas caixas acústicas preferidas entre todas. Eles foram pioneiros em muitos avanços como o uso de Kevlar balístico para seus alto falantes, que deram uma rigidez e consequentemente melhor som que qualquer outro até sua época. Eles são pioneiros também na criação da primeira caixa acústica com gabinete “acusticamente correto”, a Nautlilus:

04 - bw-nautilus

B&W Nautilus

A Nautilus é até hoje reconhecida como uma das melhores e mais avançadas caixas acústicas do mundo, com componentes e desenvolvimentos inéditos até então, como o Tweeter de diamante. A Nautilus pesa por volta de 100 quilos cada uma e precisa de 4 canais de amplificação por caixa, ou seja, pelo menos 2 amplificadores pra cada.

Como escolher uma Caixa Acústica?

A maioria das pessoas que lê essa matéria está pensando mais no mundo do Cinema em casa, com o Surround, e são poucos os mortais que vivem a realidade de poder investir muito em caixas acústicas, então meu foco vai ser para esse tipo de compra, surround e custo benefício e informações importantes na hora da compra e escolha.

Detalhes importantes na hora de comprar e montar um sistema Surround são:

  • Voice Match

É o nome que se dá quando todas as caixas acústicas de um sistema são iguais na reprodução sonora. Ter todas as 5 (ou 7) caixas acústicas da mesma marca, modelo, linha é imprescindível. Misturar marcas de caixas acústicas estraga a experiência com diferentes nivéis de ganho (volume), discrepâncias nas frequências de resposta, impedância, materiais, enfim, tudo. Sempre prefira comprar um sistema completo da mesma marca ou ir adquirindo aos poucos da sua marca preferida ou de escolha, mas sempre mantendo a mesma marca, modelo e linha para não ter problemas.

  • Impedância

É o tipo de “carga” que a caixa acústica trabalha. É importante ver se as impedâncias casam com a do seu receiver / amplificador, ou poderá queimar e danificar o equipamento. As impedâncias mais comuns são 8 Ohms e 4 Ohms. Nunca misture caixas de 4 Ohms com caixas de 8 Ohms, por exemplo. Isso é uma carga que o amplificador não entende e queima. Amplificadores que dizem ter 100 watts de potência por canal em 8 Ohms terão 200 Watts de potência em 4 Ohms, ou seja, a potência quase dobra na maioria dos casos, então é bom ficar atento a esse dado pra não ligar uma caixa com diferentes impedâncias no sistema, já que a potência pode até duplicar e queimar tudo. Impedância não quer dizer qualidade.

  • Potência

Nunca, mas nunca mesmo compre um receiver ou sistema pela denominação “Watts PMPO”, que eu carinhosamente chamo de “potência máxima permitida para otários”, já que é um número falso e irreal que as empresas usam para vender falsas promessas ao consumidor desavisado ou aquele que acha que sabe o que é e sai contando pra todo mundo a vantagem de se ter um som com 4 mil watts PMPO. A medida de potência correta é RMS.

O calculo de potência é complicado, pois envolve o rendimento da caixa em sensiblidade, impedância, enfim, muitos fatores, mas um bom senso é fácil de usar. Sempre adquira caixas que estejam de acordo com seu amplificador ou receiver , então se seu receiver tem 100 watts RMS por canal, use caixas que aceitem potências nessa faixa, com tolerências de mais ou menos 25%, pra mais ou pra menos.

Pela minha experiência e algum estudo do assunto, é melhor sobrar um pouco de potência no amplificador / receiver do que faltar, então é bom ter até 25% a mais de potência “empurrando” as caixas do que o contrário. Isso se deve ao fato de distorção em volumes altos, o que é comum às vezes vendo filmes com empolgação ou aquela festa com os amigos. Caixas acústicas lidam melhor com distorções próprias, ou seja, quando o alto falante atinge seu próprio limite e distorce, do que quando o amplificador atinge seu limite que nesse caso seria inferior a potência que a caixa acústica “puxa” e o amplificador distorcendo, atingindo seu limite de potência, gera uma onda de sinal quadrada, o que é um sinal elétrico prejudicial a caixa e que queima muitas delas por aí.

  • Rendimento

É como sabemos o volume e habilidade da caixa de reproduzir som com um valor “X” de potência. Em toda caixa acústica , é calculado um volume de resposta em DB (Decibéis), que é feito da seguinte maneira:
Amplifica-se a caixa acústica com 1 Watt RMS de potência e um microfone de alinhamento especial é colocado a um metro da caixa acústica. Toca-se um sinal de áudio. O som que sair da caixa com esse 1 Watt gera um volume, que é medido e estabelecido, sempre a 1 metro da caixa. Então caixa acústica diz que tem rendimento de 92 DB, com 1 watt RMS a 1 metro, ela tem mais rendimento. Ou seja: mais volume por watt que uma caixa que diz ter 89 DB, com 1 watt RMS a 1 metro. Com isso, na prática, podemos “empurrar” caixas grandes com pouca potência, e ter o mesmo rendimento de volume, já que a caixa tem um rendimento por Watt melhor ou maior. Caixas que dizem que aceitam por exemplo de 25 a 150 watts RMS terão o mesmo volume sonoro com qualquer potência nessa faixa especificada pelo fabricante. Isso é o rendimento, é como a faixa de torque de um motor, ela trabalha melhor dentro daquela faixa de potência especificada e o rendimento também é o mesmo.

  • Materiais

Como disse antes, o melhor material pra se construir uma caixa acústica é a madeira. Nos sistemas mais baratos encontramos apenas plástico ou acabamento de madeira. Fuja de caixas assim. Dá pra encontrar caixas de madeira mesmo com pouca grana. Vários fabricantes fazem caixas de bom custo benefício com madeira, e não plástico. Procure também pelos melhores componentes, dentro do seu orçamento.

  • Marcas

É impossível dar dicas de modelos e marcas sem saber do orçamento disponívell. Mas uma coisa é certa, empresas que tem história fazendo caixas acústicas se saem muito melhor que as que só fazem caixas acústicas para pode estar no mercado, como as marcas que encontramos nos grandes magazines. É uma realidade triste de informar, mas caixas acústicas de marcas como Sony, LG, Samsung, Philips, Panasonic são caixas desevolvidas apenas pra serem vendidas com um conjunto e não para reproduzirem o som com fidelidade. Elas geralmente são de plástico, minúsculas, com impedâncias incomuns como 6 Ohms, e potência mentirosa, até mesmo como RMS citado acima.
Procure por marcas com histórico de fazerem caixas acústicas boas, com dedicação e componentes melhores como Onkyo, Denon, Yamaha, Klipsh, Jamo, Boston, Acoustic Research, Tannoy, JBL, B&W, Kef, Paradig, entre outras.
As marcas que acabei de citar fazem sistemas acessíveis, que em muitos casos tem preços compatíveis com conjuntos vendidos em grandes magazines e são muito melhores.
Ouvir é essencial. Recomendo que ouça um sistema acima ou melhor do que pretende comprar para que possa perceber ou não as diferenças, e se isso vai pesar na sua decisão (que as vezes pode ser de esperar mais um pouco e poder comprar o sistema melhor).Comparar um conjunto de caixas LG com um da JBL , ou a maioria das marcas que citei é a maior prova que podemos ter das diferenças, nenhuma especificação técnica ganha de uma audição , de você ouvir e gostar.
Pesquise a marca antes de comprar. As vezes a marca pode parecer de elite e fora da sua realidade. Mas você pode descobrir que a marca faz uma linha em conta que você pode ter e custa o mesmo ou mais barato que uma marca de grande magazine como as que citei. Um par de caixas acústicas da B&W modelo 685, com alto falante de Kevlar, caixa de madeira, conectores banhados a ouro, tweeter de alumínio, custam por volta de U$320 dólares. Ou seja, você pode comprar um sistema de 5 caixas por uns 800 dólares, que dá por volta de 1500 reais, preço de um surround de mentira da Sony. Obviamente esses preços são em dólar, aqui acaba saindo mais caro , mas é só pra se ter uma idéia, já que é a comparação de uma das melhores marcas de caixas acústicas do mundo com uma marca que achamos num magazine de shopping, com acabamento de plástico e sem qualidade. Pesquisa e oportunidade são o segredo. As vezes procurando por oportunidades de usados (Mercado Livre é um baú de oportunidades), caixa acústica boa e bem cuidada não envelhece!

05 - b_w_685

B&W 685 – U$320,00 o par.

  • Subwoofer

É o referido “.1” do sistema 5.1 e o reprodutor exclusivo de frequências graves no Surround. O subwoofer ideal é construído de madeira e não pode ser muito pequeno, já que grave é o resultado de grande deslocamento do ar e física, ou seja, tamanho é documento.

Subwoofers de sistemas muito baratos, feitos de plástico, são ineficientes e com o tempo vão parecer uma carro velho cheio de barulhos do próprio gabinete. As marcas que citei acima também fazem bons subwoofers, além de marcas que só fazem subwoofers, ou focam neles, caso de Velodyne, SVS, M&K, PSB e Sunfire.

06 - M K Sound Mp Series VX 1250

Exemplo de Subwoofer ativo tradicional.

Formatos de Caixas Acústicas

Existem diversos formatos e designs para caixas acústicas, mas os mais comuns são:

  • Caixa Torre

É a melhor opção para sistemas estéreo e como caixas frontais principais. Caixas torre têm um número maior de alto falantes e cada um lida com uma faixa de frequências, e como regra, quanto mais dedicado o equipamento melhor, então é melhor uma caixa acústica que tenha um alto falante só para frequências graves, outro só para médias e outro só para agudos, do que uma Caixa com Apenas Woofer e Tweeter. Caixas torre geralmente têm mais potência , mais extensão de frequências (graves principalmente) pelo tamanho em si. Caixas Torre devem ser colocadas diretamente no chão, com o Tweeter na altura média do ouvido do espectador. O uso de Subwoofer em sistemas com caixas Torre é quase opcional, já que elas têm grande capacidade de extensão de graves.

07 - dynaudio-excite-12-16-32-22-36-speakers-4

Exemplo de Caixa Torre de 4 Vias.

  • Caixas Bookshelf

São caixas menores, geralmente de duas vias (Woofer e Tweeter), que devem ser colocadas em suportes ou em cima do rack / móvel, mantendo a altura do ouvido sempre. Elas podem ter a mesma qualidade e extensão de agudos de caixas Torre, mas não nos graves. O uso de subwoofer é essencial em conjuntos Bookshelf.

08 - intimus-bookshelf-speaker-i6b-1pk-scv-y1

Exemplo de Caixa Acústica Bookshelf 2 Vias.

  • Caixas Surround

Elas podem ser modelos Bookshelf de duas vias, geralmente um pouco menores por não lidarem com muita informação como as caixas principais. Caixas surround podem ser do tipo Dipolar ou Monopolar, sendo a Dipolar uma caixa feita exclusivamente para reprodução de filmes em salas adequadas, maiores, em que a caixa possui alto-falantes contrapostos que trabalham fora de fase um com o outro, dando a impressão que o som vem de todo lugar menos da caixa. Sons surround não são feitos para serem direcionais. A sensação de que há um monstro vindo da parte superior da sua parede esquerda é menos impactante do que a sensação de que há algo na sala em algum lugar atrás de você, mas sem saber exatamente aonde. George Lucas e sua THX recomendam esse tipo de caixa acústica para a experiência de cinema máxima. As desvantagens são que caixas dipolares não possuem grande potência normalmente e seu desempenho de agudos é limitado, já que frequências agudas “entregam” a posição da caixa e são direcionais. Os modelos dipolares são mais caros do que modelos de caixa convencionais para surround.

09 - ds3

Exemplo de uma Caixa Acústica Surround Dipolar da B&W, com alto-falantes contrapostos.

Esse modelo é ao mesmo tempo Dipolar e Monopolar, com uma chave seletora operada manualmente ou via trigger 12 volts” encontrados em receivers mais refinados. Quando em posição Dipolar ela desliga o tweeter, muda o divisor de frequências dos alto-falantes menores para atingirem frequências mais agudas e os liga, operando em contraposto fora de fase, dando a impressão de não saber de onde sai o som. No modo monopolo, somente o Woofer e o Tweeter Principais funcionam.

Como posicionar as Caixas Acústicas de forma ideal para o Surround?

O posicionamento é essencial para a experiência surround. Uma caixa fora de lugar estraga tudo. Abaixo vemos um layout de como deve ser uma sala ideal:

10 - dolby_digital_pro_logic2

  • Caixa Central

A caixa central deve ser colocada logo acima ou abaixo da TV ou Tela, na mesma profundidade, e deve estar centrada com o meio da TV ou Tela e também com o ouvinte, conforme ilustrado no desenho. A caixa central reproduz as vozes e diálogos , e alguns sons que estão em cena. Se ela estiver muito deslocada em relação ao nosso ouvido, sentiremos o som vindo de cima ou de baixo, e não da tela.

  • Caixas Principais

A caixas principais esquerda e direita devem ser colocadas nas laterias da TV ou Tela. Uma regrinha básica de medida pode ajudar a saber a distância ideal entre elas, que é a regrinha do triângulo. Meça a distância que você fica da Tela quando está sentado no lugar de visualização (por exemplo, o sofá). A distância que você fica da tela é a mesma que deve existir entre as caixas direita e esquerda, formando um triângulo equilátero imaginário entre as duas caixas e sua posição no sofá. Obviamente existem lugares que não permitem a mesma distância entre as caixas com a distância do ouvinte. Nesses casos você deve deixá-las o mais afastado entre elas que der, sempre procurando a medida do triângulo. Infelizmente quando as caixas estão muito próximas uma da outra você perde a espacialidade frontal do som, ou seja , parece que todo o som sai do centro da tela, mesmo sons que deveriam estar fora da tela, como um carro vindo de longe pela esquerda, por exemplo.

Nunca separe as caixas mais do que a medida do triângulo. Você irá perder o centro imaginário (quando ouvimos som em duas caixas estéreo, se estiverem com a separação ideal ouvimos as duas caixas, mas percebemos o som vindo do centro imaginário entre elas e não de cada caixa em si). Isso é o ideal. Separando muito as caixas você perde esse centro e acaba percebendo que o som vem lá da caixa esquerda, por exemplo, e que esse som se perde até aparecer do outro lado. A altura das caixas principais deve ser próxima da altura do ouvido, assim como a central.

  • Caixas Surround

As mais críticas de posicionar, têm a instalação ideal conforme o desenho acima, entre 90 e 110 graus do ouvido do ouvinte, posicionados um pouco acima, entre 40 e 80 cm acima do nosso ouvido. Quanto mais afastado e mais atrás do ouvido melhor fica a impressão do surround. Em um sistema 7.1, as outras duas caixas iriam atrás do ouvinte, na posição de 180 graus de cada ouvido, mas de nada adianta essas duas caixas extras atrás se elas estiverem coladas no sofá. Para elas funcionarem como devem precisam estar distantes do ouvinte e normamente isso só ocorre em salas grandes e ideais.

Paralelismo é uma coisa muito importante para se obter a melhor experiência do surround. Mantenha sempre distâncias e alturas iguais. Nunca coloque a caixa surround esquerda a 80 cm acima do ouvido e a da direita a 40 cm. Nunca coloque uma caixa principal esquerda a 80 cm da lateral da Tela / TV e a direita a 30 cm, por exemplo. Use o bom senso. Infelizmente não é toda sala que comporta esse paralelismo e posicionamento ideais, então com certeza é bom pesar se vale a pena investir num surround sem ter aproveitamento ideal. Às vezes até o prejudica.

  • Subwoofer

O grave não é direcional, então ele não precisa obrigatoriamente estar centrado entre as caixas principais. O posicionamento é crítico, já que paredes, móveis e cantos fazem o grave ter reverberação e nesse caso temos um resultado péssimo de reprodução. Evite embutir o subwoofer em móveis e racks; evite cantos e proximidade com paredes, sendo uma distância mínima ideal de 20 cm da parede. Você deve procurar o melhor lugar para posicioná-lo, sendo esse o lugar onde menos tenha reverberação e graves excessivos. Grave de móvel e parede é prejudicial, ruim e falso.

Conclusão

Não é fácil nem barato ter um cinema em casa, e caixas acústicas fazem parte importante do sistema, senão a mais importante. Hoje em dia somos bombardeados com ofertas em lojas e grandes magazines, como cinema em casa e milagres, mas infelizmente esses falsos cinemas em casa e sistemas surround nada mais são que a ponta do iceberg.

Marcas populares não tem interesse nenhum em fazer produtos de qualidade para o público, e muitas pessoas compram achando que a marca que faz uma boa TV, também deve fazer uma boa caixa acústica. Isso é errado em 98% dos casos. Por falta de informação muita gente não sabe que existem marcas como as citadas na matéria, que fazem só isso: caixas acústicas. E fazem com pesquisa, materiais e resultados milhares de vezes melhor que qualquer coisa que se venda de marca popular.

Obviamente, como em qualquer segmento eletrônico, o melhor também é o mais caro. Então uma caixa acústica boa de verdade, com fidelidade e qualidade podem custar qualquer coisa entre 800 reais e 800 mil reais o par. Mas como eu disse , até as marcas mais famosas e conceituadas do mundo, que fazem produtos caríssimos, tem uma linha de caixas acústicas mais acessíveis (de entrada) que podem as vezes custar menos ou o mesmo que um sistema popular. Basta pesquisar algumas das marcas que citei, se informar, que você acha um sistema com qualidade. Ouça sempre antes de comprar. O som deverá agradar você, leve consigo uma musica ou CD/DVD/BD de qualidade que você conheça e faça uma audição na loja. Nunca compre um sistema de som sem antes ouvir ou conhecer a marca.

Categorias: Hardware

Tags: , ,

Sobre o autor

Julian Conde tem aproximadamente 300 DVDs (com algumas raridades como Silence of The Lambs e Robocop da Criterion Collection) sendo 90% importados Região 1, pois nunca aceitou comprar os DVDs sem recursos como o som DTS e com encarte nacional (quando tem), sem extras, como chegam aqui na nossa “tropicalização”. Criou um Formspring exclusivo para tirar dúvidas dos leitores do BJC sobre hardware.
  • Julian, adorei o guia. Adoraria ver um tão bom assim no blog sobre TVs LCD e similares (não estou desmerecendo o que já foi feito, ok, me ajudou muito também), embora nesse caso seja mais difícil, já que é uma coisa relativamente nova, e também sobre cabos.
    Valeu.

    • O de Tv's LCD que foi publicado foi um dos primeiros que fiz , e estou aos poucos aperfeiçoando as matérias com informações mais relevantes. Não dá pra unir um guia sobre o que é e como funciona junto com um guia de preços e modelos. Preferi explicar sobre como funciona , como escolher , o que procurar e etc…De qualquer maneira o de cabos pode entrar em produção se houver interesse do pessoal ! Obrigado !

  • Julian, parabéns pelo post. Infelizmente minha sala – e meu bolso – não comportam equipamentos de primeira, mas meu Philips HT3755 dá conta do recado direitinho. Preciso só comprar mais um par de pedestais para as caixas surround que, sim, estão encostadas no sofa (ai, ai, ai…). Um dia, quem sabe, terei uma sala – e um bolso – que comportem mais do que isso!

  • Julian, parabéns pelo post, ficou excelente e super bem explicado. A cerca de 1 ano atrás eu não conhecia nada dos termos técnicos, nem sabia que esses homes de lojas de shopping informavam as potências errôneamente (comprei um que dizia ter 1000 RMS hahahaha e eu jurava que tinha sim) mas depois que fui me inteirando sobre o assunto percebi o quanto somos enganados, como eu não possuo uma sala de tamanho aceitável vou ficando com este "1000 W RMS" mesmo, mas em um futuro não muito distante pretendo montar um verdadeiro Home Cinema e seu post vai me ajudar muito.

    Abração!

  • Excelente post! E gostei bastantes das informações sobre o posicionamento das caixas. Há um mês comprei meu receiver um Denon 2310ci e um subwoffer infinity ps210, e já encomendei minhas caixa klipsch para o trio frontal B-2+C-2, e futuramente comprarei as surrounds e é onde fica a minha dúvida se compro um par de Bookshelfs B-3 e coloco as B-2 como surround ou se invisto nas dipolares S-1 ou S-2.

    O ideal seria se eu conseguisse escutar todas essa alternativas antes, mas infelizmente aqui na região não tem nenhuma loja especializada e o único HT de qualidade que escutei foi de um colega do HTFORUM que mora aqui na região, que tem o 2310 e caixas Klipsch da linha reference, e que produzem um som excelente.

  • Julian, adorei o guia²
    Bem explicadinho, e me ajudou demais, to afim de montar meu cinema…
    mais num sei por onde começar!

  • Parabens pelo post, muito bem detalhado e informativo. Infelizmente eu não tenho a sala no tamanho necessário, nem a disponibilidade monetária para montar um HT com alta qualidade, mas por enquanto vou quebrando o galho com o convencional popular, que até então tem sido melhor que apenas o som vindo da TV.

  • Nem sempre o melhor é o mais caro, isso não existe

    • Me diga um exemplo então ! A Ferrari não é melhor que a Kia ? O Mac Pro não é melhor que o PC ? O Oled não é melhor que LCD ou Plasma ? Relógio Breitling não é melhor que o Casio ? quando se trata de audio e vídeo , o melhor infelizmente é o mais caro , até pelo fato de usar os melhores componentes , como exemplo o diamante citado na matéria….

    • E nem todo mundo pode ter uma Ferrari. Na verdade, quase ninguém. 😉

      • Lógico , mas não podemos negar a qualidade superior de um produto assim.

  • Excelente post, muito bem explicado e de maneira bem clara.

  • Mais uma vez, um ótimo guia Julian, essa parte da posição das caixas confundem um pouco, mas aqui está tudo muito bem explicado! Parabéns!!

  • Muito boa a materia!!

    Só de curioso mesmo, quanto custam essas caixas da primeira foto? :p

    • As B&W 800 D da foto custam por volta de 24 mil Libras o Par lá fora. O preço aqui deve sair por volta de R$ 150.000,00.

      • JESUIS!! Eu imaginava que era caro mas não tanto!!! Achei que ia ficar na casa dos R$15.000 asheuahse

        Parabéns pelo post, ficou tudo muito bem explicado.

  • Sei lá, se eu fosse rico minha mentalidade talvez mudasse, mas eu acho que pagar uma quantia como 150.000,00 num equipamento desses rompe em muito a barreira da frescura, ou puxando mais pra minha área, do gozo mesmo!

  • Proclamo esse post como a "bíblia" das caixas de som, sem dúvida será a referência para mim e todos os users do Blog !
    Parabéns Julian !

  • Muito bom o post!!! 😀

  • Só tenho um comentário a fazer: B-R-A-V-O!!!!

  • Muito bom o post, um bom apanhado de informações. Recentemente comprei um receiver da Yamaha, e futuramente terei que comprar boas caixas acusticas, pois estou usando tres caixas do meu antigo HT "xing-ling" e as laterais são de um som Panasonic antigo meu. Todas estouram se eu colocar o volume do receiver muito alto. A unica caixa que tive que comprar de cara foi o subwoofer, um Muteki da Sony. Mesmo com as caixas fora do ideal, posso afirmar, HT é tudo, o som é do ca@#$%¨&!!!

  • Pingback: Dose Diária de Inveja: Porcupine Tree – Anesthetize Limited Edition (Grey Cover) | Blog do Jotacê()

  • prodigious almanac you annex

  • I promise you, that’s the truth.

  • Hello friend did you had old articles ? I appreciate letter improve pro my friend … ..

  • very good \o/

  • Hey! Just wanted to say website. Keep up the good work!

  • Gostei muito eu pretendo além de manusear pcs entra pra esse ramo ai..
    <Mas nás marcas vc falto cita uma das principais REVENCE..
    mas fiko bom…

  • If Ed Miliband is absolutely to cap contributions towards the UK Labour Party from unions, who he imagine will likely be paying for it? Labour’ll always be as dependent upon rich sponsors as the Conservatives and the LibDems are. Who will champion the poor if that happens?

  • Fine article,smart critical information. Thanks quite a lot =)

  • According to scientific studies whose findings have been applied to this contraption, an object has to respond to outside pressure. It is not uncommon for us to receive loads of emails on an almost daily basis about penis enlargement pills, devices and other contraptions.

  • Celso mattiolo

    Gostaria de receber mais informacao

  • soloneto

    amigo sou iniciante em materia de som e li seu artigo , preciso de uma dica para comprar uma caixa multiuso , ela comporta treino de contrabaixo e guitarra,quero um som para treino, pois o salão tem o equipamento para som profissional.

  • REGINAsZANELLA

    Parabéns, excelente material. Até eu que sou leiga toatal nesse assunto (equipamentos de som), entendi super bem as explicações, obrigada. Agora com o conhecimento sobre o assunto em mãos, resta ter paciência para guardar uma reserva financeira e adquirir um equipamento adequado ao meu receiver, até lá ele continuará na caixa. Ei, você poderia falar sobre equipamentos de televisão com a mesma propriedade? Eu ia adorar!

  • Joaquim

    Olá amigo li seu material e gostaria de usar minhas caixas de um home
    queimado elas são de 4Ohms, quero comprar um receiver da Yamaha RX-v377
    você recomenda esse receirver desde já agradeço.