Guia Rápido de Projetores

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O que são projetores?

Projetores são equipamentos sofisticados e complexos, que utilizam um conceito simples: usar uma luz forte pra projetar numa tela imagens em movimento. Agora, pra fazer isso direito, entra a complexidade de tipos de lâmpada, tipos de tecnologia, conversores, motores, lentes, enfim, são equipamentos complexos. Nesta matéria, vou explicar um pouco sobre quando e em que circustâncias se aplica a compra e instalação de um projetor, não basta apenas ser um aficcionado por cinema e querer uma tela grande. Muitos fatores influenciam o resultado final, que é esperado como um cinema e são esses:

  • Distância da Tela
  • Tipo de tela (4×3 ou 16×9)
  • Tipo de tecnologia ( LCD, CRT, DLP)

O último item explicarei melhor abaixo. Temos também o tipo de sinal que irá mandar ao projetor, influência de luz na sala, custo benefício, entre outros. Então não basta querer uma tela grande, temos que ter o ambiente certo, os equipamentos certos, e quase sempre, muito dinheiro pra fazer direito.

Como funciona cada tecnologia?

CRT ( Cathode Ray Tubes) – É o sistema mais antigo ainda em uso, mas está perdendo mercado devido ao excessivo tamanho e complexidade dos ajustes e preço. Eles são em contrapartida referência de qualidade de imagem. Três tubos, cada um com uma cor ( Azul, Verde e Vermelho ), cada um com sua luz própria, geram as cores básicas para fazer todo o espectro de cores na tela. A mistura de cores geram outras e assim por diante, passando por uma lente. Hoje em dia, Pixels são formados nas mesmas 3 cores pra gerar a imagem, cada pixel se compõe de azul, verde e vermelho. Se olhar sua tela de computador com uma lupa, irá perceber. Os ajustes precisos entre os 3 tubos, ou cores é muito complexo e demorado, geralmente deve ser feito por especialistas. Eu vi alguns Home Theaters com projetores CRT e o resultado é, simplesmente, o “cinema em casa”. Em conjunto com um sistema de som bom, uma sala com assentos confortáveis, não há porque não cobrar ingresso dos amigos.

Projetores CRT são caríssimos (é fácil encontrar modelos por 60, 80 mil dólares, até mais) e as marcas mais conhecidas são: Barco, Vidikron e Sony.

  • Vantagens:

-Vida útil (tubos de CRT geralmente mantém o nível de brilho original por até 10 mil horas em média);
-Definição de imagem (podendo chegar a 3200 x 2560 ). Um projetor CRT bem regulado, com uma fonte de qualidade como Blu-ray em 1080p filmado em 35mm é inigualável;
-Melhor nível de preto de todas as tecnologias em qualquer tipo de tela;
-Como nos velhos televisores, a taxa de atualização e resolução são variáveis, então material entrelaçado pode ser reproduzido sem a necessidade do processo de “desentrelaçamento”;
-Não apresenta o problema de arco íris, encontrado nos modelos mais simples de tecnologia DLP;
-Consegue gerar imagens maiores e melhores pelo custo x benefício, em comparação ao LCD e DLP;

  • Desvantagens:

-Preço (milhares de reais);
-Peso e tamanho, podem passar de 100kg;
-Ajustes são difíceis, demorados e extremamente complexos;
-Brilho total ANSI é menor do que os concorrentes LCD e DLP.

LCD ( Liquid Crystal Display) – São os mais comuns, fáceis de instalar e de preço mais acessíveis. O projetor de LCD utiliza uma lâmpada especial do tipo “Metal Halide“, que é um tipo de lâmpada da família HID (High Intensity Discharge), comum de se ver em carros importados e tuning. O sinal de imagem é enviado na frente da lâmpada em 3 painéis de poli-silicone, um pra cada cor (novamente o azul, verde e vermelho), e a medida que o sinal polarizado (uma combinação de polarizador, painel LCD e analizador) passa pelos painéis, pixels individuais são abertos ou fechados para deixar a luz passar ou não. A combinação dos pixels abertos e fechados reproduz a gama de cores e luz na imagem projetada.

Esse tipo de lâmpada é a melhor para projeção pois sua temperatura de cor e espectro de cor são ideais. A luminosidade gerada pode ser entre 1.500 e 20.000 ANSI Lumens. As lâmpadas de projetores com 15.000 ou mais lúmens são extremamente perigosas e caríssimas, já trabalhei com um projetor de 18K ( “K” é a abreviação de milhares no mundo dos Lumens inclusive, 1K = mil) na gravação de um DVD, que o projetor é transportado sem a lâmpada, e precisa ser instalado no local, e o local foi esvaziado, dois técnicos em roupas espacias de proteção entraram em cena com a lâmpada para fazer a instalação, pois a pressão dessas lâmpadas fazem dela praticamente uma bomba.  Essa foi uma cena inesquecível, já que o projetor tem o tamanho de um sofá de 2 lugares e pesa meia tonelada.

A quantificação de ANSI lúmens para projetores de Home Theater podem ser divididos em 3 segmentos: Entre 1.5k e 2.5k é o suficiente para salas pequenas, com telas pequenas e luminosidade controlada e baixa. Entre 2.5k e 4k são recomendados para salas médias, com telas maiores e com um ambiente de pouca luz. Acima de 4k, são recomendados para telas grandes, salas grandes e sem controle de luminosidade, podendo até serem usados em salas de conferência com a luz acesa. Uma coisa importante e uma regra é a quantidade de Lumens x tamanho da tela, porque você aumenta o tamanho da imagem projetada, mas não aumenta a quantidade de luz que sai do projetor, então, se pegar um projetor de 1.5k para fazer encher uma tela com 300 polegadas, a imagem vai ficar extremamente escura, sem foco e sem definição, mesmo num ambiente de luz controlada. Lumens é como cavalos vapor nos carros, melhor sobrar do que faltar quando for fazer a ultrapassagem.

Existe uma regrinha que mostra bem essa deficiência: a cada 25% a mais de imagem projetada (tamanho), o brilho é reduzido em 35%, um aumento de 40% no tamanho da tela reduz o brilho pela metade. A qualidade de imagem é ótima, e os mais recentes projetores aceitam imagens de até 4K de resolução (SXRD 4096×3072), mas com alto brilho e resoluções com essa, o preço pode chegar a U$ 175.000, como o novo JVC DLA-RS4000, com 10k de brilho e 10 megapixels de resolução, certificado THX. Por outro lado, projetores de LCD na faixa de 1.5k a 2.5k com resolução média de 800×600 (SVGA) ou até 720p (1280 x 720 WXGA) custam a partir de R$3.000. Hoje em dia, o único fabricante de chips LCD para projetores é a Epson, que é dona da tecnologia “3LCD” mas que existe em projetores de várias marcas. Um projetor com tecnologia 3LCD funciona dividindo primeiro a luz branca da lâmpada em três cores primárias (RGB), passando a luz por um filtro dicróico especial. Cada espelho dicróico só permite que específicos comprimentos de onda de luz passem, enquanto é refletido o restante. Desta forma a luz branca é dividida em três raios de cores primárias e cada uma é direcionada através de seu próprio painel de LCD.

  • Vantagens:

-Tamanho, peso e preço;
-Alto contraste e Brilho;
-Baixo consumo (nos models de baixa luminosidade). Modelos como os de 20k precisam de 380 Volts, mais de 100 ampéres, então mais lúmens, mais consumo;
-Ideal para instalação sem auxílio profissional, menus OSD, muitas conexões de entrada.

  • Desvantagens:

-A lâmpada gera a maior parte das desvantagens, como durabilidade ( entre mil e duas mil horas ), com custos entre R$500 e milhares de Reais cada.
-A lampada deve ser resfriada antes de desligar. Então o uso de um no-break é imprescindível para deixar a lâmpada com a ventilação própria no caso de uma queda de energia;
-A lâmpada perde luminosidade gradualmente, então a imagem vai escurecendo e amarelando aos poucos até que você perceba a hora da troca;
-Como qualquer LCD, pixels podem queimar e ficar aparecendo na tela, como um ponto preto ou branco, quanto maior a área projetada, maior o pixel visível na tela. Não há reparo em chips de LCD, um pixel queimado só se resolve trocando todo o processador;
-Como os pixels individuais são projetados em telas grandes, muitas vezes os “quadrados” dos pixels são perceptíveis a olho nu, no efeito chamado de “The Screen Door Effect“.

DLP ( Digital Light Processing) – É uma marca exclusiva e patenteada pela Texas Instrument. É a mais nova das 3 tecnologias mais comuns usadas em projetores, inventada em 1987. Existem dois tipos, o de chip simples ou de 3 chips, encontrado nos modelos High End, consequentemente mais caros. Nesse tipo de projetor, a imagem é criada por espelhos microscópicos num chip, chamdos de “Digital Micromirror Device” ou DMD. Cada micro espelho representa um ou mais pixels na imagem gerada, e normalmente a resolução é contada a partir do número de espelhos, como 1920×1080, são exatos 3 mil micro espelhos que geram a imagem. Esses espelhos são reposicionados rapidamente, o que gera os tons de cinza, ou contraste, controlados pelo tempo em cada posição. Para gerar a cor, uma roda semitransparente com as 3 cores básicas ou mais (novamente o verde, azul e vermelho) é colocada a frente dos espelhos, e gira de acordo com a imagem a ser gerada, colocando o verde a frente, ou o vermelho, até gerar a imagem completa. A roda gira numa taxa incrível de até 10x a cada frame (algo como 25 mil RPM) nos modelos mais novos e mais caros. É um sistema muito complexo.No modelo de 3 chips, um prisma é usado pra separar 3 raios de luz vindos da lâmpada, e cada uma das 3 cores são direcionadas ao seu próprio chip DLP, depois unidas e enviadas para a lente. Projetores DLP com 3 chips podem gerar até 35 trilhões de cores, que é muito mais do que conseguimos distinguir a olho nu.

A lâmpada usada é a mesma do LCD, consequentemente, podemos ter a mesma gama de Lumens. Novos modelos estão sendo apresentados com luz gerada por LEDs e Laser, tecnologia lançada pela Mitsubishi (Laservue) em 2008. A maioria dos cinemas digitais hoje em dia utiliza projetores DLP, inclusive os que geram 3-D. Projetores de LED e Laser dispensam o uso de lâmpadas, acabando com a maior desvantagem da tecnologia. Projetores DLP de chip único podem ser encontrados a partir de R$3.00o, e com 3 chips a partir de R$8.000.

  • Vantagens:

-Imagem excelente em Resoluções Full HD;
-Perfeita geometria de imagem e tons de cinza, contraste;
-Não sofre do efeito “Burn In”;
-Não sofre do efeito “Screen Door Effect” que afeta os projetores de LCD;
-Fácil manutenção e troca da lâmpada (mais que no LCD);
-Novos projetores de LED e Laser eliminam o uso de lâmpadas;
-Podem processar até 7 cores primárias, dando a melhor performance de cor;
-Não sofrem desgaste nenhum de cor ao longo dos anos, como no LCD que tende a amarelar a imagem;
-Pronto para tecnologia 3-D, inclusive pode-se usar 2 Projetores juntos para fazer uma imagem estereoscópica em sincronia.

  • Desvantagens:

-Os modelos top de linha com 3 chips, e Led ou laser podem custar centenas de milhares de dólares, assim como as outras tecnologias, quanto melhor fica, mais caro fica;
-Os modelos de chip único são bem inferiores aos de 3 chips, e podem sofrer um efeito vísivel de arco íris na tela, quando em modelos mais baratos e que a roda de cores gira a uma velocidade baixa;
-Um pouco maior que os LCD’s e precisam de mais ventilação, consequentemente mais barulhentos;
-Modelos de lâmpada sofrem as mesmas desvantagens citadas no LCD;
-Como no LCD, uso de No Break é obrigatório para quedas de energia, a fim de proteger a lâmpada.

Resumo:

Para ainda resumir o porque não é facil dar dicas de modelos, marcas e preços, tudo afeta o resultado final da imagem num projetor, luminosidade da sala (janelas, etc), tipo e tamanho da tela, distância do espectador e do projetor da tela, paralelismo obrigatório do projetor em relação a tela (devem estar centrados, perfeitamente, de frente um pro outro), tipo de sinal, tipo de Home Theater, espaço, enfim, milhares de variações são levadas em conta. Recomendo que um profissional seja consultado para poder dar a melhor instalação e custo possíveis. Fazer você mesmo pode ser um gasto de dinheiro sem o devido retorno com a qualidade esperada. Por outro lado, a experiência máxima de um HT é coseguida com um projetor e uma tela grande, como nos cinemas. Agregando a isso um som surround bom, sala controlada e bom senso, a experiência é igual ou melhor que nos cinemas, tirando as devidas proporções. O custo geral pra ser ter um projetor bem instalado é maior o que comprar uma TV de de LCD ou Plasma, e isso acaba sendo a escolha da maioria das pessoas que tem Home Theater.

Telas:

Existem centenas de fabricantes e tipos de tela, tensionadas, elétricas, de material x ou y, mas alguns fatos devem ser levados em conta. Hoje em dia, a melhor escolha é uma tela na proporção 16×9, já que é a cara do cinema, e todos os modernos projetores fazem esse formato nativamente. Testei muitos projetores quando trabalhei com instalações profissionais, e um fato curioso e desafiador, é que a melhor imagem é gerada numa tela escura, até preta, o contraste, o preto ficam insuperáveis. Muitas telas tem a opção de serem na cor cinza, até quase pretas para melhor contraste, e a diferença é gritante, faz a imagem de um projetor de LCD de 1.5k parecer com um DLP de 4k ou mais, é muita diferença, mas o preço para se ter uma tela cinza ou mais escura é luminosidade ZERO na sala, qualquer luz maior que um celular aceso estraga tudo. É muito crítico trabalhar com telas escuras, mas se pode controlar o ambiente, a imagem é significativamente melhor, só vendo pra crer. O tamanho da tela deve ser calculado pela distância do espectador, e depois calculado no tipo de projetor e lente a serem usados. alguns projetores tem limitações de tamanho pequeno de imagem, outros de imagens maiores. Telas podem ser elétricas e controladas por controles universais, ou controle próprio fornecido. Não há como dar dicas de tamanhos de tela sem saber o tamanho da sala, distância de visualização, tipo de sinal, luminosidade, etc.

Conclusão:

Visto que são tantos fatores e desafios para se ter uma tela de cinema em casa, a consulta de um instalador profissional é essencial para o melhor resultado. Eu particularmente não desejo uma sala com projeção, mas admiro salas e pessoas que resolvem dar esse passo “final” para a concretização da palavra cinema em casa. Deve ser levado em conta que por exemplo, uma TV top de linha como a Samsung LED série 8000 de 55″ custa por volta de R$11.000, e é grande o bastante para muitas salas, e com qualidade e tecnologia de ponta. Com esse preço compramos um projetor que dará uma tela maior mas não com mais qualidade nem mais brilho/contraste, já que pra se igualar a uma TV dessa, algumas centenas de milhares de reais serão necessários, como disse, projetores podem custar entre 2 mil reais e meio milhão de reais, fora a tela, instalação, manutenção (lâmpada) e cabos, que custam caro para longas distâncias, onde geralmente o projetor está no fundo da sala, e a fonte na frente, e um cabo HDMI de qualidade com por exemplo 15 metros pode custar em média 2 mil reais ( aumentando a preços estratosféricos com marcas e modelos melhores ), fora o amplificador de sinais HDMI necessário a partir de 5 metros de cabo.

Então o projetor se aplica quando a sala é grande e, logicamente, a vontade de ser ter tal expriência, mas agregadas a um preço alto, já que pra brigar com uma TV desse porte, o projetor não pode ser de entrada, fora os custos adicionais. É uma balança complicada, que desanima muitos, mas quem tem vontade, recursos e faz direito, tem a experiência máxima do cinema em casa.

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Sobre o autor

Julian Conde tem aproximadamente 300 DVDs (com algumas raridades como Silence of The Lambs e Robocop da Criterion Collection) sendo 90% importados Região 1, pois nunca aceitou comprar os DVDs sem recursos como o som DTS e com encarte nacional (quando tem), sem extras, como chegam aqui na nossa “tropicalização”. Criou um Formspring exclusivo para tirar dúvidas dos leitores do BJC sobre hardware.