Exclusivo: BJC entrevista Ritchie!

Outra Vez – Ao vivo no estúdio” – primeiro registro ao vivo do cantor Ritchie, marcando seus 26 anos de carreira-solo – entra para a história do home video brasileiro. Além do CD e DVD, a apresentação em HD é o primeiro Blu-ray 100% nacional. A gravação traz seus maiores sucessos, releituras especialíssimas, além de duas músicas inéditas: a canção título, “Outra Vez”, parceria com Arnaldo Antunes e “Cidade Tatuada”, com letra de Fausto Nilo.

O diretor de cinema, Paulo Henrique Fontenelle, captou as imagens da gravação em alta-resolução (FullHD 1080p) e acrescentou aos extras o documentário, “A Vida Tem Dessas Coisas”, contando a trajetória do artista desde a infância até os dias de hoje. Nesse documentário há depoimentos de novos e antigos parceiros como: Bernardo Vilhena, Lobão, Arnaldo Antunes, Lauro Salazar e Steve Hackett, entre outros. Há ainda um “Making of”, dirigido por Bernardo Mendonça, sobre os bastidores da gravação.

Ritchie fala com exclusividade sobre os detalhes deste trabalho na entrevista abaixo, concedida gentilmente via e-mail.

Blog do Jotacê – Além do CD e do DVD, como surgiu a ideia de lançar “Outra Vez” também em alta definição?

Ritchie - O estúdio onde gravamos no Rio (Visom) já tinha cameras FullHD para registrar a performance da banda e uma sala de autoração de Blu-ray. Quando vi a qualidade das imagens pensei imediatamente que seria legal levar esta mesma qualidade até o consumidor. A oportundade de inovar com esta nova tecnologia foi também por motivos estratégicos. Com isso foi possível criar um diferencial para nosso produto.

BJC – Como você vê o mercado de Home Video (especialmente shows) hoje no Brasil? Como um artista pode lidar com a pirataria de sua obra, focando no fã colecionador do produto original?

Ritchie - O Brasil já é um dos maiores mercados mundiais no consumo de DVDs musicais. Por isso mesmo – e pela falta de um serviço alternativo com a Netflix, bem disseminado nos EUA – a pirataria no Brasil tem se tornado um problema grave, em função do baixo poder aquisitivo de uma grande fatia da população. Felizmente, ainda não há como piratear o Blu-ray mas, em compensação, ainda é um produto para poucos, devido ao custo elevado dos aparelhos e dos próprios discos. Mesmo assim, conseguimos oferecer nosso produto a um preço bem abaixo do similar importado. De um ano pra cá, os aparelhos cairam de preço em quase 60% e tendem a cair ainda mais em 2010. No final das contas, nossa meta é chegar na maior número de ouvintes/espectadores possível. Hoje em dia, é preciso pensar lateralmente e não apenas nos lucros imediatos.

BJC – O seu Blu-ray é o primeiro a ser produzido pela Microservice no Brasil, e também é o primeiro 100% nacional (totalmente captado, editado, autorado e replicado no país). Os exemplares que estão nas lojas já foram replicados aqui?

Ritchie – Nosso Blu-ray teve uma primeira tiragem promocional, ainda pequena, que foi fabricada na Alemanha mas, a partir de novembro do ano passado, quando a Microservice inaugurou a fábrica nova em Manaus, nosso Blu-ray se tornou o primeiro produto do gênero 100% brasileiro, inclusive na fabricação.

BJC – Você já afirmou no seu Twitter que o preço do Blu-ray deve ser o menor possível para se popularizar mais facilmente. O que você pensa sobre futuro do Blu-ray no Brasil?

Ritchie – Eu me surprendi com o crescimento de interesse pelo Blu-ray no Brasil. A própria Microservice, que inicialmente pensou em uma tiragem inicial bem modesta, quadriplicou esta tiragem na edição inicial do nosso produto. Já vamos para a segunda edição do Blu-ray, seguindo a tendência da venda do DVD, que já vai caminhando para a terceira edição. O CD também vem sendo muito bem procurado, nas lojas, no meu site e nos shows, o que é outra agradável surpresa para nós.

BJC – Quais foram os equipamentos utilizados para gravação do vídeo e do áudio desta apresentação?

Ritchie – Foram utilizados tecnologias de ponta em todas as etapas da gravação e captação de imagens, desde os microfones da marca Blue, passando pela mesa digital Euphonics System-5 e técnicas de re-amplificação dos instrumentos na fase de pós-produção. O resultado foi uma gravação de qualidade invejável.

BJC – Por ser um material captado em alta definição, a produção teve algum cuidado especial com o cenário ou maquiagem diferenciada? Nos conte alguma curiosidade sobre a inovação e este desafio.

Ritchie – Devido à resolução alta de captação das imagens, onde cada detalhe (e defeito) tende a saltar aos olhos, foi usado uma maquiagem especial, mais leve do que a usada em gravações de TV, por exemplo. Queriamos um resultado bem natural, como se fosse uma “jam session” no estúdio, não excessivamente teatral, então procuramos não exagerar nesse quesito.

BJC – Qual o seu envolvimento nas decisões sobre os equipamentos utilizados nesse tipo de produção? Você é um entusiasta e acompanha as novidades das novas tecnologias?

Ritchie – Tenho enorme interesse nas novas tecnologias e sempre procurei ser pioneiro na utilização delas em todas as minhas gravações ao longo dos anos. Fui o primeiro artista a gravar com a tecnologia MIDI em 1985, por exemplo. Sempre sigo as novas tendências tecnológicas, na medida do possível, para trazer a maior qualidade ao produto final.

BJC – Além da imagem em Full HD, o seu Blu-ray também possui áudio em alta definição? Quais são as trilhas de áudio presentes na edição?

Ritchie – O áudio foi tudo captado e mixado em 96KHz/24Bits para preservar a máxima fidelidade na fonte. No nosso Blu-ray as opções de áudio são 3: Linear PCM 2.0 96KHz/24Bits (estéreo, sem compressão), Linear PCM 5:1 96KHz/24Bits (surround, sem compressão) e Dolby™ Digital 5:1.

BJC – O Blu-ray possui material adicional (extras)? Estão em alta definição? Quais são eles?

O material dos extras, o Documentário, “A Vida Tem Dessas Coisas” e o “Making Of” foi tudo captado em cameras portáteis de HD mas levou alguns tratamentos nas pós-produção para simular filme super-8 (idéia do diretor Paulo Henrique Fontenelle) para contrastar com a alta qualidade das imagens de estúdio. Optamos também por uma qualidade inferior na captação do áudio para conservar a ilusão de lo-fi nas partes faladas. Gostei do resultado que fez com que a parte musical tivesse um maior destaque.

BJC – Para encerrar: você também é colecionador de DVDs e Blu-rays? Quantos filmes e shows possui na coleção?

Coleciono alguns poucos dvds de curtas importadas (quase toda a série SHORT da Quickband/WB), algumas coletâneas da série Anima Mundi e alguns longas de animação (uma paixão antiga), e muitos dvds musicais, a grande maioria importados. Tenho poucos filmes. Prefiro alugar. Minha coleção é modesta, talvez uns 100 DVDs ao todo. O único Blu-ray que possuo no momento é o meu, mas isso vai mudar muito em breve. Alugo discos Blu-ray, com frequência cada vez maior, de locadoras locais onde já é possível encontrar um boa seleção no formato. Felizmente o aparelho Blu-ray lê todos os formatos anteriores de DVD e CD e, por isso, não há necessidade de mais de um aparelho.

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Sobre o sorteio:

Além da ótima entrevista acima, Ritchie ainda nos enviou um exemplar do Blu-ray AUTOGRAFADO para ser sorteado aqui no BJC! Não bastasse o seu pioneirismo em alta definição, agora o BD do artista é o primeiro a fazer parte de uma promoção como essa na internet brasileira!

Para concorrer ao Blu-ray acima, você deve seguir as regras abaixo:

1 – Estar cadastrado no IntenseDebate;

2 – Comentar neste post sobre uma música marcante do artista ou alguma curiosidade a respeito de seu trabalho.

O sorteio será realizado quando tivermos um número considerável de comentários relevantes e que respeitem as regras acima.

Agora é com vocês! :D

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Sobre o autor

Jotacê é viciado em DVD desde 2004 (começou tardiamente, na idade do metal discóide furado). Hoje em dia compra poucos DVDs para investir mais nos discos do raio azul. Resolveu ter um site em 2008 para que fosse possível publicar tudo o que pensava sobre os disquinhos lançados no Brasil, e cá estamos nós!

Comentários (68)

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  1. carlosaobraz disse:

    Bacana, 1º BD que podemos chamar de "nacional"
    Parabenizo Ritchie por essa iniciativa.

    Agora temos que esperar + lançamentos nacionais, tipo um "tropa de elite" nacional.

  2. Rafaeltrk disse:

    Sabe aquelas musicas em que uma certa frase gruda e não sai nunca? Pois então… Menina Veneno tem algumas. Escutava muito essa musica quando era garoto pois tocava em festas, nas radios, etc. mas só fui entender a letra um tempo e varios hormonios depois.

  3. kirk disse:

    “…Quando se quer mais
    A gente diz “bye-bye”
    A gente quer mais
    E finge que satisfaz

    É moderno, é certo, sei que muitos querem
    Essa forma de amor
    Se chega perto, é certo, sem paixão
    Mas também sem dor…”

    O Ritchie foi um dos hits dos anos 80 junto com Fausto Fawcett,
    Titãs(antes de virar baba), Ira, Gang 90, Lobão, Nenhum de Nós, Ultraje a Rigor, Herois da Resistência, Capital Inicial, Biquini Cavadão, Legião Urbana,Barão Vermelho(na época do Cazuza) Blitz, RPM(só o primeiro disco).

    Pena que o rock nacional acabou…bandas como o insuportável NXZERO,
    a chata SKANK(produto da tv globo),Fresno, CPM22 são lixos comerciais feito o Sertanojo.

  4. Endriago disse:

    Muito legal a matéria com Ritchie. Ainda não vi o show do BD, porém se percebe que o artista atentou-se para diversos detalhes no quesito qualidade técnica, que na descrição dada está de primeiríssima qualidade.

    Quanto a qualidade artística não há muito o que falar, pois é indiscutivelmente boa. Até hoje me pego cantarolando, por vezes, trechos da marcante "Menina Veneno": (…) um abajur cor de carne…

    Curiosidade sobre a carreira do Ritchie: segundo consta e me foi contado, assim que chegou ao Brasil em 1973 passou dar aulas de inglês para diversos nomes da música brasileira, como Paulo Moura , Egberto Gismonti e até Gal Costa e Lulu Santos.

  5. Sal disse:

    O primeiro LP do Ritchie, de 1982, foi um marco da modernidade no som pop produzido no Brasil. Casanova, A vida tem dessas coisas, Pelo interfone, Vôo de coração, todas me são especiais e queridas. Na época eu sonhava em ter uma banda, fazer sucesso e ser reconhecido por minha arte. Menina Veneno, clássico absoluto do cantor e compositor inglês, tem lugar de destaque para mim. Na época, era apaixonado por uma menina de olhos verdes, da minha sala de aula, e foi ouvindo essa canção tocar que lhe roubei um beijo na hora do recreio.

  6. Aaronysaiki disse:

    Ritchie é um cara genial. Tem gente que nem sabe que ele não é brasileiro. E se tem uma música que marcou, que realmente é digamos, modinha, mas é ótima, é Menina Veneno, obviamente.

  7. Nao tem como falar sobre o Ritchie e não falar de Menina Veneno… Lembro na epóca que tinha uns 12 ou 13 anos… Tinha escutado a musica na radio ou na casa de algum primo, nao me lembro muito bem. Mas enfim… naquela epoca eu gostava de uma menina.. sabe como é … primeiro "amor" se é que eu sabia oque era isso na época… hahah… virei para ela e disse… tem uma musica que toda vez que eu escuto.. me faz lembrar de voce…. ai gravei uma fita k7 para ela, que achou o maximo a atitude… e foi ai que consegui descolar meu primeiro beijo… nao foi escutando a musica.. mas foi por causa da musica hhaha.. sei que é meio idiota.. sei lá eu era criança na epoca.. mas ficou guardado na minha lembrança até hoje… e na dela tambem.. pois tenho contato com ela.. e sempre que nos reunimos (turmo) damos risadas juntos.. dessas idiotices de criança..

  8. [...] BJC (e provavelmente da web brasileira). Foram 15 concorrentes dentro dos critérios determinados no post da entrevista com [...]

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