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Blu-ray resenha: Ritchie “Outra Vez Ao Vivo No Estúdio”

Julian Conde | jan 20, 2010 | 34 comentários

Recebi a informação do Jotacê pelo telefone, que me incubiu de fazer a resenha do primeiro título de Blu-ray gravado, produzido e fabricado no Brasil. É uma grande responsabilidade, já que é um lançamento e pioneiro em tantas coisas. Vou ser bem detalhista e comentar pontos que geralmente não coloco na resenha, como capa, encarte, acabamento, menu, etc.

Sobre a edição:

Na capa está uma montagem de fotos do estúdio Visom (onde foi gravado, Rio de Janeiro), com partes do console de gravação e o Ritchie em contraste com um spot de luz alaranjada, em frente ao precioso microfone Blue Kiwi. A Contracapa mostra mais fotos da gravação, junto com a lista de músicas, ficha técnica e detalhes técnicos do Blu-ray. Nessa ultima parte notei um erro de digitação, onde deveria dizer “Tempo Aproximado de Programa”, está escrito assim: “Tempo APROXAIMDO do Programa”, isso é um erro pequeno, mas que provavelmente estará em todas as cópias do primeiro lote. A impressão no disco em si parece um pouco borrada, não sei se é proposital. No geral, a capa e contra capa estão ótimas, com fotos definidas e uma arte chamativa. O menu do disco é bem claro, com música em loop e fontes compatíveis com a proposta. Não gostei do “X” para sair dos menus de áudio, extras, etc, que parece fonte de MS-DOS, meio sem criatividade. O disco inclui nos extras uma musica e o making of .

Sobre a imagem:

A Gravação em em Full HD 1080p (1.78:1) não deve nada para produções internacionais, está impecável em quase toda sua extensão, mas tem algumas quedas de bitrate e foco, que na minha opinião é de alguma câmera mal calibrada ou diferença entre modelos/marcas de câmera. Existem momentos em que a imagem fica desfocada, dando também a impressão de não ser 1080p, talvez seja proposital, uma camera de outro formato, tipo e definição, o que é comum em shows e gravações, mas nesse caso parece simplesmente que a imagem está fora de foco em alguns momentos. Mas não compromete a qualidade geral do vídeo, que anda na média de 15 Mbps, razoável para um ambiente escuro como o em questão. O estúdio Visom tem uma sala bem cuidada e com pequenos detalhes, acabou virando o palco de uma gravação ao vivo em estúdio, ou seja, as musicas são gravadas com todos os músicos, instrumentos juntos e em sequência (na teoria), o que faz que seja um show sem público, em um ambiente controlado. Pelo mesmo motivo, a imagem talvez canse um pouco antes do esperado, já que a maior parte do tempo as cenas são do Ritchie e o microfone, alternando com a banda. Em um show ao vivo temos outros elementos que dão mais dinâmica ao vídeo, como público, dança, efeitos, etc. Foi usado também uma tela e efeitos de “Moving Lights” para dar um fundo a gravação, como na música “Nesse Avião”, há uma imagem de nuvens e céu ao fundo. Os cortes, detalhes e ângulos são bons, tudo bem enquadrado e com a ajuda de uma Steadicam, as imagens em movimento são ótimas. A imagem está no geral cristalina, bem capturada, e dá a sensação de estarmos vendo uma produção de primeira, como as “gringas”.

Sobre o áudio:

Nesse quesito, vou deixar bem claro duas coisas, existe o áudio capturado e gravado no estúdio e existe o resultado sônico do Blu-ray como mídia, ou seja, uma coisa é como foi gravado, com os equipamentos, gosto do técnico/artista, e outra coisa é como essa gravação chega aos nossos ouvidos, como ela foi “moldada” pra chegar a nós. Não sou fã de gravações em estúdio, acho que falta vida, é tudo muito certinho, e por conviver muitos anos nesse meio, aprendi que vários truques são usados o que tira a realidade da performance. Hoje em dia mais ainda. O áudio está muito bem captado, os instrumentos são de qualidade, equipamentos de ponta ( como o console Euphonix de gravação, o microfone Blue, o pré-amplificador valvulado Avalon no baixo, etc) o que faz um resultado sônico de alta qualidade e definição, uma Ferrari a disposição de um piloto, basta ter um bom piloto. Mas é aí que pega alguns detalhes, como a própria voz do Ritchie, que em alguns momentos é notória a técnica de “Overdub”, para “dublar” alguns trechos. A palavra dublar aqui é usada ao contrário, porque a técnica de “Overdub” é cantar e gravar por cima do que já foi gravado, ou seja, sobrepôr a voz, para melhorar ou modificar a gravação original que por qualquer motivo não está satisfatória. Isso é claramente perceptivel nas músicas que o Ritchie toca violão ou guitarra, e quando ele está cantando e vira o rosto para olhar para os acordes, a voz continua na mesma intensidade, timbre. Isso seria quase impossível de acontecer, com um microfone tão crítico, e obviamente vemos a pessoa virar pro lado e a voz continua como se estivesse a frente do microfone, sem mudança nenhuma. Em alguns momentos também notam-se erros pequenos de lipsync, onde o “Overdub” não casou 100% com a imagem original, da gravação original. Isso pode ser ainda ( acho improvável) um pulo ou erro de sincronismo de audio e vídeo pelo timecode, mas não acho que é o caso. Isso dá uma sensação de que estamos vendo o Ritchie, mas em nenhum momento ele está lá cantando ao vivo com a banda. O mesmo acontece nos momentos em que ele toca flauta. A bateria, que sempre digo que é o pilar da gravação, está distante na mixagem, e muito velada na caixa e nos pratos (overs), eles nunca estão presentes e soando toda a harmonia que têm, pelo menos não ouvimos, já que a compressão da gravação ou por gosto ou por excesso não deixa a caixa soar, nem os pratos. O uso do surround é razoável, muitos loops de teclados (“na cara” demais em alguns momentos) e eletrônicos, e alguma coisa da bateria. Tudo isso, pode ser uma escolha do proprio artista, do técnico ou do produtor, já que a mixagem é acompanhada por todos geralmente, e nesse ponto, juntamente com a masterização, são definidos a posição de cada instrumento, a profundidade, a compressão, o timbre, etc. Então o que pra mim não é agradável de ver e ouvir, e parece errado, pode ter sido feito propositalmente, por escolha de qualquer um dos citados acima. Independente disso, a qualidade de áudio é excelente, com timbres bem definidos de voz, guitarra e saxofone que aparece em algumas músicas. O áudio vem nas opções de LPCM 2CH 96KHZ 24BITS e LPCM 5.1CH 48KHZ 16 BITS, além do Dolby Digital 5.1. A melhor opção pra se ouvir é a LPCM, que tem uma amostragem maior, e na minha opinião combina com a característica de estúdio, a proposta do Blu-ray. O 5.1 LPCM vem em segundo, andando na média de 6.9 Mbps ( relativamente alta pra 16 bits) mostrando uso das caixas surround com frequência, mas bagunçando um pouco o palco sonoro da bateria.

Conclusão:

Para nosso primeiro Blu-ray, não estamos devendo nada pros gringos, a autoração é de primeira linha, o conteúdo está bem desenvolvido, imagem cristalina. E pra quem é saudoso do Ritchie e seus sucessos dos anos 80 como “Menina Veneno”, e também de bons covers como “Mercy Street” de Peter Gabriel é uma ótima pedida. O fato de alguns aspectos da gravação não me agradarem, como eu disse antes, nada tem a ver com a qualidade final do produto, já que esses aspectos podem ter sido intencionais, mas que não agradam meu conhecimento técnico de gravações.

Recomendo!

Link para o Blu-ray na Saraiva:

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Blu-rays preferidos pelos leitores do BJC (todos com legendas em português brasileiro):

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Categorias: Blu-ray • Musicais • Resenhas

Tags: Ritchie

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Sobre o autor

Julian Conde tem aproximadamente 300 DVDs (com algumas raridades como Silence of The Lambs e Robocop da Criterion Collection) sendo 90% importados Região 1, pois nunca aceitou comprar os DVDs sem recursos como o som DTS e com encarte nacional (quando tem), sem extras, como chegam aqui na nossa “tropicalização”. Criou um Formspring exclusivo para tirar dúvidas dos leitores do BJC sobre hardware.

Comentários (34)

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  1. Exclusivo: BJC entrevista Ritchie! | Blog do Jotacê disse:
    20 de janeiro de 2010 às 13:33

    [...] Confira a resenha completa do Blu-ray de Ritchie aqui no BJC! [...]

    Responder
  2. thiago disse:
    20 de janeiro de 2010 às 15:53

    vergonha!!! esse blu ray so pode ter sido feito aqui (autorado, gravado etc) e mesmo assim ta com preço de importado. ja vi que nao vai adiantar nada fabricarem os discos aqui. vai continuar caro do mesmo jeito

    Responder
    • Baygon disse:
      20 de janeiro de 2010 às 17:12

      Pois é. Mais barato só para eles produzirem mesmo, e lucrarem mais. Aposto que as produtoras estão contentes com as vendas de Blu-ray com o preço que está.

      Responder
  3. Rogercg disse:
    20 de janeiro de 2010 às 16:11

    Para um BD e ainda mais Universal ta muito bom :D

    Responder
  4. Sandir disse:
    20 de janeiro de 2010 às 16:19

    Não seria "menina Veneno"?

    Responder
    • AllissonBH disse:
      20 de janeiro de 2010 às 16:36

      Excelente post Julian, como disse o Sandir é Menina Veneno e não Garota Veneno. Abração!!!

      Responder
  5. Felipe Fahl disse:
    20 de janeiro de 2010 às 16:26

    Resenha de excelente qualidade, tudo muito bem explicado. Parabéns Julian!

    Responder
  6. Gustavo disse:
    20 de janeiro de 2010 às 16:46

    Microservice demorou mas chegou!!!

    Responder
    • thiago disse:
      20 de janeiro de 2010 às 20:27

      uqe que adianta se ta o mesmo preco?

      Responder
  7. brunofm disse:
    20 de janeiro de 2010 às 16:54

    Em 1983 Ritchie atinge grande sucesso com seu primeiro LP, "Vôo de Coração". Mais de um milhão de cópias vendidas com seus hits "Menina Veneno", "A Vida Tem Dessas Coisas", "Pelo Interfone" e "Vôo de Coração". Seu primeiro LP contiua sendo seu maior sucesso.

    Fonte: http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/ver/ritchi…

    Responder
  8. brunofm disse:
    20 de janeiro de 2010 às 17:04

    "RITCHIE, é meu apelido há anos mas o meu nome verdadeiro é Richard David Court. Nasci em Beckenham, no condado de Kent, no Sul da Inglaterra no dia 6 de março de 1952.

    Durante a minha infância e adolescência, por ser filho de militar, morei em diversos países como Quênia, Dinamarca, Italia, Alemanha, Iêmen do Sul e Escócia, além de várias localidades da Inglaterra.

    Estudei em colégios internos, primeiro Tormore School (dos 7 aos 13 anos), Sherborne School (dos 13 aos 19 anos) e depois cursei a faculdade de literatura inglesa na Universidade de Oxford (Magdalen College).

    Em 1972, larguei os estudos para tocar flauta numa banda iniciante de Londres chamada Everyone Involved com mais de 20 integrantes."

    Fonte : http://www.ritchie.com.br/bio/000014.html

    Responder
  9. Law disse:
    20 de janeiro de 2010 às 17:25

    Uma pena que o primeiro Blu-ray nacional tenha esses "pequenos" detalhes técnicos que contam negativamente para o mesmo, porém, é o primeiro disco azul Tupiniquim, e só este fato já é um ponto muito importante e acho que muito válido para popularização do Blu-ray no Brasil…
    Eu acho que esse é o ano ideal para darmos um passo importante na popularização, recuperação da crize e Copa Do Mundo = promoções de TVs e muito provávelmente promoções de tocadores de Blu-rays, MAS, acho que o passo mais importante é abaixarem os preços dos discos, não adianta que discos à 80 reais ñ se tornaram populares!!!

    …

    Responder
  10. Law disse:
    20 de janeiro de 2010 às 17:25

    …

    Em um dos Jotacasts vocês comentaram de alguém que tinha díto que tava esperando cairem os preços dos discos:

    (mais ou menos isso) Mas abaixar pra quanto? 20 reais? ai já terá uma nova mídia que substituíra o Blu-ray quando ele tiver nesse preço.

    Galera,
    ñ é bem assim, 1 o DVD demorou bastante p/ ser substituído, assim como o VHS, e nesse intervalo tivemos o LD que foi um fracasso (eu tenho [meu pai tem] o player e um único disco), então pra finalizar, é um passo importante para a popularização do raio azul, mas o passo mais importante eu acho que será o preço!

    Responder
  11. RiderJeff disse:
    20 de janeiro de 2010 às 17:56

    É muito bom já termos shows em alta-definição de artistas nacionais mas, pelo disco ser prensado aqui, acho que o preço poderia ser menor. Outro dia vi na Saraiva os BDs de Leonardo e Zeca Pagodinho e o preço era o mesmo do BD de Ritchie: 79,90.

    No mais, espero que ainda este ano o preço de lançamento e catálogo de todas as produtoras tenha uma redução significativa para alavancar de vez o Blu-ray por aqui.

    Responder
  12. renanrs disse:
    20 de janeiro de 2010 às 21:01

    Alguém pode me explicar porque o primeiro BD 100% nacional está com o mesmo preço dos importados? É brincadeira né. Tomara que não venda nem meia unidade. Com quem podemos reclamar e pedir uma justificativa???

    Responder
    • Daniel disse:
      21 de janeiro de 2010 às 23:50

      Nem sempre a culpa é da fabricante. Existem custos de autoração, o que muitas vezes deixa o produto final muito caro

      Responder
      • renanrs disse:
        22 de janeiro de 2010 às 22:58

        Duvido muito que seja o caso. Se fosse assim, DVDs também custariam de 89 pra cima.

        Responder
  13. hellenitavcdvd disse:
    20 de janeiro de 2010 às 23:52

    O Julian fez uma resenha bem detalhada, e apesar de alguns detalhes que ele não gostou, o BD é de ótima qualidade! :D
    É muito bom termos lançado aqui no Brasil um Blu-ray assim, de qualidade! :D

    Responder
    • renanrs disse:
      21 de janeiro de 2010 às 20:13

      Quanto a qualidade é bom mesmo, mas por que esse preço? Desanimo com essas coisas.

      Responder
  14. DVDL - David disse:
    20 de janeiro de 2010 às 23:55

    Ritchie e o seu BD Veneno…

    Responder
  15. kirk disse:
    23 de janeiro de 2010 às 22:26

    O preço é o mesmo dos importados porque as produtoras têm a intenção de manter esse patamar de preços para os discos de BLU RAY.

    Responder
  16. sloniak disse:
    26 de janeiro de 2010 às 1:01

    meu pai vai querer esse, hehe.
    meu vô tem uns LPs desse cara, acho que vou mostrar o HiDef pra ele.

    Responder
  17. Ingsoc disse:
    25 de fevereiro de 2010 às 0:35

    Acabei de dar uma sapeada no disco. O Julian é naturalmente preciosista, por ter trabalhado no meio e ter mais conhecimento (e equipamento) do que a grande maioria. Mas para mim, que só tenho um equipamento modestíssimo à minha disposição, achei muito, mas muito bom o conteúdo.

    A imagem é realmente cristalina, coisa de primeira mesmo. Como o Julian disse, não há muito o que se mostrar dentro de um estúdio, mas percebe-se que

    Mas o negócio aqui é música, certo? E nesse sentido, o BD não decepciona. Os novos arranjos das músicas ficaram muito bons, diminuindo um pouco o acento pop e investindo em algo um pouco mais elaborado. Um verdadeiro AOR à brasileira. Os covers foram bem escolhidos: Fala (Secos & Molhados), Shy Moon (Caetano Veloso) e uma arrepiante Mercy Street (Peter Gabriel). As 2 músicas novas são boas, principalmente a que dá nome ao trabalho.

    Com um áudio cristalino e bem equalizado, o prazer na audição é maior ainda. E aqui reside um dos trunfos do Blu-ray: som sem compressão e com alto bitrate. Nesse sentido, o BD do Ritchie entrega uma experiência muito boa. Pra quem gosta do cara, eu recomendo.

    Responder
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