A história do Widescreen – Parte 1

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manto

No início dos anos 50, o pânico tomou conta de Hollywood. Ocorria um evento comparado a transição dos filmes mudos para os filmes falados. A televisão chegava aos lares americanos, trazendo entretenimento gratuito sem que as pessoas precisassem sair de casa. Durante quase três décadas, o sistema de estúdios reinou em Hollywood, sistema no qual existiam diversos estúdios (MGM, Warner, FOX, Paramount, Universal, Columbia e RKO) que possuíam grandes terrenos que eram usados para recriarem quaisquer tipos de cenários, sem ter que sair de Hollywood.

Esses estúdios tinham um elenco fixo de estrelas que eram contratados, diretores, roteiristas, departamentos de cada processo de uma produção cinematográfica, desde engenheiros de filmagem e som até departamento de maquiagem e salas de edição. Uma verdadeira fábrica de sonhos. Além de todo esse  aparato de produção, os estúdios eram proprietários de cadeias de cinemas.

Mas em 1948 o governo americano, começou uma série de ações antitruste, que ajudaram a cambalear a indústria cinematográfica, entre essas ações, foi decidido que os estúdios não poderiam mais ser proprietários de salas de exibição, diminuindo substancialmente o lucro. Após essa série de baques, os estúdios precisavam tomar alguma atitude para reconquistar o público que preferia ficar em casa para ter diversão. Para isso, teve-se que literalmente mudar a forma de se ver um filme. Começaram então experiências com 3D, som estereofônico. Mas a mudança mais marcante e radical foi a do advento do Widescreen (Em português, Tela Larga).

O mais importante dos formatos surgiu em 1953 com o processo desenvolvido pela 20th Century Fox, o CinemaScope. O primeiro filme apresentado nesse formato foi O Manto Sagrado de Henry King, mas o primeiro filme rodado nesse formato foi Como Agarrar um Milionário de Jean Negulesco.

No início, diversos filmes eram rodados duas vezes, uma em CinemaScope e outra no formato convencional, mas em pouco tempo as salas de cinema já estavam equipadas com todo o aparato para exibir filmes em Widescreen. Com isso, diversos estúdios aproveitaram essa nova tecnologia da FOX para rodarem seus filmes. Enquanto isso a Paramount preferiu desenvolver um processo próprio, o VistaVision, que trazia o slogan “Filme de Alta Fidelidade”, mas esses não eram os únicos formatos de tela larga, existia o Technirama, Cinerama, Todd-AO, entre outros.

Nos anos 60 muitos desses formatos acabaram pelo alto custo, mas o Widescreen continuou vivo até os dias de hoje. Com o advento da televisão, os filmes de cinema passaram a ser exibidos na TV, e como os televisores eram quadrados, os filmes rodados em Widescreen eram formatados ou mutilados (pois as laterais eram simplesmente decepadas).

Com a chegada do Vídeo Cassete nos anos 70, os filmes continuaram a ser lançados em formato mutilado, somente no final dos anos 90, com a chegada do DVD e dos primeiros televisores 16:9 que isso mudou. Os primeiros filmes em DVD eram de dupla face. Em um lado era gravada a versão original de cinema e do outro lado era gravado a versão formatada para os televisores padrão. Com o passar do tempo, os DVDs eram lançados somente em Widescreen, mas com a resistência às tarjas pretas por parte de diversas pessoas que possuíam televisores quadrados, algumas produtoras retrocederam, voltando a lançar títulos em “Foolscreen”. Mas isso não durou muito tempo e hoje com a popularização dos televisores de Plasma, LCD, Led e com a chegada da Alta Definição (Leia-se Blu-ray) o Widescreen é uma realidade que veio pra ficar.

E para sabermos mais um pouco sobre os formatos de tela larga, nas próximas matérias falaremos de algumas informações técnicas  e históricas sobre os principais processos Widescreen. Nessa primeira matéria, vamos falar sobre o primeiro formato:

CinemaScope

CinemaScope

Camera

O Professor Henri Chrétien (à direita) e o presidente da 20th Century Fox, Spyros Skouras

Formato desenvolvido pela 20th Century Fox, que segundo o fundador do estúdio Darryl F. Zanuck, foi idealizado após um jogo de croquet em Palm Springs. Lá havia um lago de carpas e ao observá-lo, ele teve a sensação de profundidade e isso lhe deu uma idéia.

A técnica do CinemaScope utilizava lentes anamorfoscópicas para a projeção das imagens (atualmente conhecidas como anamórficas),  lentes criadas pelo Professor francês Henri Chrétien. De uma forma mais básica, no CinemaScope, a imagem impressa no negativo era mais esticada e na projeção as imagens eram achatadas pelas lentes anamorfoscópicas em formato mais largo.  As imagens eram projetadas numa tela em formato de semi-círculo para criar a sensação de profundidade (como na imagem abaixo).

As lentes inicialmente eram fornecidas pela Bausch and Lomb, mas com a impossibilidade da empresa em fornecê-las em grande escala, passaram a ser fabricadas pela Panavision que acabou desenvolvendo sua própria câmera. O CinemaScope perdurou por mais de uma década, mas com o alto custo de produção e dificuldades técnicas, no final anos 60 acabou perdendo espaço para a Panavision.

Manto Sagrado

Demonstração da exibição de O Manto Sagrado

Roxy Theater

Anuncio do lançamento mundial de O Manto Sagrado

Mais informações sobre o CinemaScope, em Widescreen Museum

O Manto Sagrado em Blu-ray legendado na Amazon:


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Categorias: Blu-rayDVD

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Sobre o autor

O "Fio" coleciona DVDs desde a era do DVD Polido, mas já era viciado em colecionar filmes desde o tempo do VHS. Já entrou na era do raio azul. Adora qualquer gênero de filmes, mas tem predileção pelos Clássicos (sua especialidade).

Comentários (49)

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  1. Felipe disse:

    mto interessante!

  2. vinicius disse:

    Podem ver a quantidade de séries, filmes e comerciais exibidos em widescreen na tv aberta atualmente, e o zé povinho, a raia miúda(como dizia uma professora minha!) ainda acha mais bacana o lixo do foolscreen!

  3. HugoReis disse:

    Muito informativo e interessante! ;)

  4. Muito interessante essa matéria!
    Eu nunca tinha me perguntado o porque dessa dualidade de formatos Widescreen e " Foolscreen". Bem legal saber como começou!

  5. Lunatic Poet disse:

    Todo bom colecionador tem que saber diferenciar. ..
    http://www.youtube.com/watch?v=gNcp49OdUao
    …Agora uma sobre "Manhattan" de Woody Allen:
    "Presentations of this film on television (broadcast, cable or home video) required preservation of the widescreen format. This presented a problem in the U.S. since certain F.C.C. technical regulations did not permit a portion of the screen to be left blank as in letterboxing. The problem was solved by making the area above and below the frame gray. The regulations have since been changed and letterboxing with black borders is now permitted."
    http://www.imdb.com/title/tt0079522/trivia

  6. Lunatic Poet disse:

    …Agora uma sobre "Ben-Hur" de William Wyler:
    "Esta película filmada originalmente en el sistema Cinemascope muestra un excelente nivel de calidad cuando es proyectada en salas que cuentan con este sistema, no así en sus versiones DVD o VideoCD aunque existen nuevas versiones en DVD que aprovechan las características del formato de pantalla-amplia (WideScreen) para mostrar las características de dicho método de registro. Muchos sostienen que no tiene el mismo nivel de proyección. Varias de las películas calificadas como las grandes super-producciones utilizaron este método de filmación."

  7. AndreTheHutt disse:

    Ainda me lembro da agonia do inicio do DVD por causa do medo de as distribuidoras fazerem a opção pelo fullscreen, seguindo o apelo da massa desinformada. Foi realmente um grande alivio quando ficou claro que a opção pelo formato original do cinema tinha ganhado a parada lá pelos idos de 2000-2001!!!

  8. Olymphat disse:

    Muito bom, bastante informativo o post.
    Desconhecia algumas informações dessas!

  9. Acho muito interessante saber um pouco mais sobre a História do Cinema.
    Espero que inclua também informações sobre o fantástico Cinerama, um dos mais incríveis processos de widescreen inventados, com três câmeras projetando as imagens simultaneamente em uma tela curva, dando a visão de uma imagem panorâmica.

  10. DVDL - David disse:

    Bela matéria Fabrício Lopes, bem completa e informativa…Uma coisa interessante no contexto do tema central da matéria que gostatia de destacar, é a medida do governo americano, em proibir que as produtoras tivessem suas próprias salas de cinema…isso com certeza foi um golpe muito forte sobre elas(produtoras).

    Parabéns e aguardando a segunda parte da matéria.

  11. NetoLima disse:

    Tava sentinfo falta desse tipo de matéria aqui.
    Muito boa a iniciativa. Parabéns!!

  12. Ótimo! E morte ao fullscreen, porque 'isso' NÃO é "standard"!

  13. Só um pequeno adendo: não foi com a entrada do DVD que os filmes em Wide passaram a ser exibidos com sua proporção original preservada, com as trajas pretas.

    Ainda na época do VHS, Wood Allen tinha feito isso, ao que me consta, o 1º VHS Leterbox, de "Manhattan". "A Cor Púrpura", de Spielberg também foi lançado em VHS assim, inclusive no Brasil.

    E há também os filmes em vídeodisco, em letterbox, da Criteriom Collection, no início dos anos 90, portanto, antes da entrada dos DVDs no mercado e das Tvs em 16:9. A partir daí, boa parte dos filmes em videodisco passou a ser lançada em widescreen (cheguei a comprar "The Abyss", "T2", "Meias de Seda", "20 mil Léguas Submarinas", "Cabo do Medo", "007 Contra Octopussy", "Tubarão", todos em letterbox, bem antes da implantação do DVD)

    E quanto ao Ben-Hur, pelo o que me lembro estar comentado na contra-capa do vídeodisco do filme que comprei no início dos anos 90, ele foi feito em "MGM Camera 65", um formato com uma proporção muito maior do que a do Cinemascope, ou seja, um total de 2,76X1, quase três vezes a largura em relação à altura.

    Abraços e parabéns pela iniciativa! Aguardo a 2ª parte!

  14. Bem legal. Nem sabia disso, mas seria legal exibirem filmes em CinemaScope. A sensação de imersão seria incrível.

  15. RenanFerro disse:

    Matéria muito interessante e informativa para os que não conhecem, isso até afeta certas piadas em determinados filmes de época como o Musical "Hairspray" eu conta com John Travolta, Queen Latifah e Michelle Pfeiffer no elenco.. a história é sobre uma menina gorda que sonha entrar no programa de dança preferido dela na tv e na musica que cantam durante o teste "Miss Baltimore Crabs" as outras garotas do programa na tentativa de ridicularizar ela chegam 'cantam' pra ela : "Well, this show isn't broadcast in.. CINEMASCOPE" "Bem, esse programa não é exibido em.. CINEMASCOPE" (Sobre ela ser gorda e não caber na tela da tv normal )

  16. Sandro disse:

    Boa matéria. Espero saber também os nomes “fantasia” das proporções do Widescreen. Se a “MGM Camera 65″ é 2,76:1, qual o nome do 2,40:1? À espera das próximas partes. Bom trabalho.

  17. RaphaelDVD disse:

    Muito legal! Tô louco para ver as próximas partes.

  18. nobregui disse:

    Muito interessante mesmo essa matéria!
    Parabéns, ela ficou ebm completa e repleta de informaçoes, obrigado.

  19. Caio017 disse:

    Excelente Materia !!!

    Não da para entender, mesmo depois de tanto tempo ainda lançam filmes com o formato “Foolscreen”!!!
    Mas o pior são aquelas pessoas, que quando vão ver um filme em Widescreen, dão zoom para tirar a parte preta da tela. rsrsrsrs

    SANTA IGNORANCIA!!

  20. Sandro disse:

    A pessoa dar zoom em filme em DVD não acho ignorância, é preferência. Ignorância é as distribuidoras nos empurrarem os filmes já mutilados “de fábrica” ou em lettebox, sendo que em DVDs podemos escolher ver com o zoom ou com as tarjas, simplesmente configurando o player ou apertando um botão. Mais idiota que filme mutilado ou com as barras inseridas no frame de vídeo é o tal “Pan & Scan”, onde há um trabalho extra pro filme ter esse recurso, que destrói a fotografia dos filmes.

  21. aborcsp disse:

    Eu tenho o BD do Manto Sagrado (The Robe) importado.
    Nele,tem um pequeno documentário,sem legendas,contando toda a história do CinemaScope.
    Pra quem,como eu,entende ingles,e quer saber mais da história do cinema,eu recomendo! :)
    Fabricio,tem história pra contar sobre a Panavision (Super?) 70 utilizada nas filmagens de My Fair Lady?

  22. Guilherme disse:

    Sinceramente, acho isso td uma mera questao de necessidade de se faturar mais. Nao duvido nada se daqui a um tempo "preencherem" as tarjas pretas do widescreen com imagens e ai volta td denovo para o 4:3 com ultra mega hiper HD e vejam soh, o wide eh q vai ser mutilado. Se nao me engano o formato imax ta mais pra 4:3 do q wide. Posso ta falando a maior bobagem pq sou leigo, mas qdo se esgota um certo formato exige-se a criaçao de outros para nao se estagnar. Acho q eh isso.

  23. Direto do túnel do tempo!!

  24. Nelson disse:

    Quando tinha uns 12 anos assisti no cinema Os Dez Mandamentos em Cinemascope. Realmente é uma experiência única. Se os filmes em Cinemascope voltassem a ser exibidos no cinema, seria como nos DVDs, em tela plana. O Cinemascope pode ser colocado uma lista de coisas de marcaram época mas não voltam mais.

    • Rafael disse:

      Pois é, mas o DVD de OS 10 MANDAMENTOS é em widrescreen, não em cinemascope. Será que o filme foi mutilado?

      Alguns filmes, como SETE NOIVAS PARA SETE IRMÃOS foram lançados em cinemascope e alguns anos depois relançados em widescreen (algo mais perto do 1.77×1 das TVs de 16×9 hoje).

    • rafaelpoggi disse:

      Será que OS DEZ MANDAMENTOS foi mutilado? Porque no DVD triplo ele é widescreen (1.85:1) e não cinemascope.

      Engraçado que alguns filmes eles fazem isso, ou faziam! Tenho o DVD duplo de 7 noivas para 7 irmãos onde o formato original é cinemascope 2.35:1 e no disco 2 é widescreen 1.85:1 (ou algo assim), formato este adaptado do original por conta do relançamento da película nas salas alguns anos depois.

    • RaphaelDVD disse:

      Na verdade, Os Dez Mandamentos foi lançado em VistaVision (conforme os créditos iniciais do filme), que seria o widescreen normal de hoje em dia, e é esse exato formato que é apresentado no DVD do filme.

  25. NerdMaster disse:

    Excelente matéria Fio!!
    Mais um texto informativo e super gostoso de se ler!

    Mal posso esperar pelas continuações da Saga do Widescreen!!

  26. Para aqueles que se interessarem e tiverem a oportunidade:
    Nos extras do dvd duplo de Duro de Matar tem um pequeno featture sobre a utilização do widescreen (formato original do filme) no dvd. Durante comenta-se sobre como a "conversão" para fullscreen é feito, principalmente para as exibições na tv. Muito interessante e nos faz valorizar ainda mais o formato original (seja ele widescreen, fullscreen, letterbox – desde que seja original).

  27. Rogercg disse:

    ótima matéria!!
    Muito bom ver de onde vem esse formato tão adorado por nós…

    Legal ver que a fox ja fez coisa boa em sua existencia coisa que não faz hoje em dia…

  28. Bruno disse:

    Yes Widescreen
    No Foolscreen
    :D

  29. ebermuda disse:

    Bela materia, não sabia da criação dos formatos de tela >><<

  30. [...] Veja também: A história do Widescreen – Parte 1 [...]

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