Zumbis em DVD e BD – Parte 1: entendendo o subgênero

Zombiediaries

Buenas, amigos!

Estava eu a dar uma geral na coleção outro dia, quando resolvi mudar a disposição de alguns filmes e dividir os assuntos por similaridade. Como o grosso da coleção são os filmes de horror, eu teria que partir agora para os subgêneros, pra organização ficar realmente boa. Alguns amigos dizem que sou bandeiroso demais com os meus óbvios sintomas de alguém prestes a desenvolver TOC, mas, enfim, não tem jeito. Fui lá, abri o arquivo do Word com a lista da minha coleção e comecei a dividir os assuntos. Quando só os filmes sobre zumbis começaram a ter uma representatividade de numerais de três dígitos, parei e pensei: caras, preciso escrever sobre isso!

Nacht-der-lebenden-totenMortos vivos fazem bastante sucesso e vira e mexe tem alguém lançando algo mais sobre o tema nas telonas. É sabido que o subgênero é antiqüíssimo, mas, se o conhecemos hoje da forma como se apresenta, niilista e com as características apocalípticas que pululam na tela, devemos isso a um justamente reverenciado senhor chamado George Romero. Desde o lançamento de “A Noite dos Mortos Vivos”, em 1968 e de sua inclusão entre os Midnight Movies (sessões de cinema que costumavam acontecer – como o próprio nome indica – à meia-noite e que viraram febre no início dos 70 ao exibir filmes considerados marginais para os padrões vigentes na indústria da época), sua popularidade só cresceu. A crítica dura e duradoura sobre o medo do desconhecido, enxergada por muitos como metáfora sobre a incerteza do devir, algo que a Guerra Fria cuidava por legar como preocupação ao mundo de então, se fazia presente. Tal como a tensão, crescente com o decorrer da metragem, na mesma proporção que o vislumbrar de cada vez menos chances de escapatória da ameaça também crescente. Ousadia no quesito gore (zumbis devorando entranhas humanas em 1968 não te parece ousado?) e um final aterrador e que, valendo-se de um recurso estilístico que se tornaria tônica da filmografia de Romero, nos dá uma sensação única de soco no estômago, tal seu nível de pessimismo. Uma conjunção entre os fatores citados e tantos outros foi preponderante para credenciar A Noite dos Mortos Vivos como a pedra fundamental do subgênero, colocando-o em outro nível, um pedestal de onde redefiniria tudo o que já havia sido modestamente trabalhado até aquele momento com relação aos mortos vivos e estabelecendo o causticante clima gerado pelo cerco aos encurralados como a regra, não mais a exceção. Em maior ou menor número, a cultura pop absorveu os zumbis, mas os concebidos por Romero, não por qualquer outro. Da mesma forma, não seria exagerado dizer que a popularidade deste tipo de cinema dificilmente seria a mesma dos nossos dias se não fosse pelo simpático e já velhinho nova-iorquino.

Nacht-der-lebenden-toten 04A maior prova do inconteste sucesso e absorção pode ser medida pelo desempenho do filme através das décadas. Impensáveis 114 mil dólares gastos entre produção e lançamento transformaram-se em mais de 42 milhões de dólares de rentabilidade! E estamos falando de um filme preto-e-branco e independente, ou seja, um off-Hollywood absoluto. Além disso, em 1999, a Biblioteca do Congresso Americano reconheceu a sua importância, relacionando-o numa lista de obras cinematográficas consideradas “cultural, estética ou historicamente importantes.” Posteriormente, foi a vez da prestigiosa AFI (American Film Institute). O instituto incluiu “A Noite dos Mortos Vivos” em um representativo apanhado de 100 dos mais importantes thrillers e filmes de horror de todos os tempos. O prestígio arrebanhado pela obra original fez com que uma extenuante e massiva campanha dos estúdios pela exploração do filão tivesse início. Hoje em dia, só de filhotinhos regulares, contamos quatro seqüências já produzidas e capitaneadas pelo próprio Romero: “Despertar dos Mortos” (1978), “Dia dos Mortos” (1985), “Terra dos Mortos” (2005) e “Diário dos Mortos” (2007). Assustador? Então, vale lembrar que está em produção e com lançamento previsto para esse ano ainda o sexto filme da franquia, a quinta continuação, já batizada com o curioso título de “… dos Mortos.” Se pensarmos em uma linha do tempo dos três primeiros filmes com suas datas de lançamento – 1968, 1978 e 1985 –, veremos dez anos de intervalo entre o segundo e o primeiro; e sete anos entre o terceiro e o segundo, totalizando dezessete anos. Uma mesma linha do tempo que separe imaginariamente e a exemplo da traçada anteriormente os seis filmes entre aqueles pré e aqueles pós os 20 anos de hiato daquilo que convencionaremos separar em duas trilogias, nos dará as seguintes datas de lançamento: 2005, 2007 e 2009. Percebem como fica fácil radiografar o fenômeno agora? Dois anos de intervalo entre o “Diário dos Mortos” e “Terra dos Mortos”. Seguindo a tendência, teremos dois anos de intervalo quando do lançamento de “… dos Mortos” e “Diário dos Mortos.” Antes, pra lançar três filmes de zumbi, Romero levou dezessete anos. Agora, pra lançar outros três filmes sobre o mesmo tema, ele levou apenas quatro anos. Se isso não for sintomático do quanto a indústria já lucra com mortos-vivos a ponto de gerar investimentos na realização deste tipo de filme, sinceramente, eu não sei mais o que é. Não mesmo!!! E olha que eu só falei das seqüências oficiais. Se formos colocar realizações bastardas no meio, aquelas que resolveram se valer do sucesso do original pra produzir continuações não-autorizadas na esteira da onda zombie, hajam caracteres!

Nacht-der-lebenden-toten 05Tudo bem, mas e quanto aos DVDs? Como o Brasil é abastecido no quesito filmografia quando o assunto diz respeito aos nossos cadáveres reanimados comedores de gente? Quantidade, qualidade, o que assistir e o que não assistir, ausências imperdoáveis no nosso mercado, picaretagens nos títulos, disquinhos que se tornaram raros… Tudo isso será tratado em posts subsequentes, tendo em vista a abrangência do a ser tratado. Sim, porque eu ainda pretendo falar sobre a invasão dos italianos, considerados por uma enormidade de especialistas como os seguidores de Romero com maior know-how no assunto, sobre o uso de CGI, sobre a acirrada e polêmica discussão dos fãs contrapondo os zumbis em slow-motion da velha escola e aqueles sarcasticamente apelidados de zumbis maratonistas (com direito a elucubrações impagáveis sobre a relação entre a integridade do tecido muscular em decomposição e a velocidade possível de ser desenvolvida por um cadáver que volta à vida e viagens afins…), efeitos de maquiagem, curiosidades, zombie-walk, zumbis brasileiros, os clássicos pré-Romero e uma penca de coisas bacanas de se explorar nesta seara dos post-mortem redivivos. Como exposto, tem assunto que não acaba mais e, se até o papa se deu ao luxo de lançar uma profusão de seqüências da obra-prima, por que eu não iria também dividir este post em várias partes/continuações? Semana que vem tem mais. Sugestões são sempre bem vindas. Se alguém acha relevante citar algo, basta comentar e estará prontamente anotado, ok?

Abraço forte, daqueles suficientes pra remover o peso de sete palmos de terra. Brrrrrrr…

-----------------

Blu-rays com legendas em português:




Dificuldades em comprar na Amazon? Visite o nosso Guia de Compras no Exterior

Categorias: DVD

Tags: , , , ,

Sobre o autor