BD Resenha – Blade Runner [Brasil]

Blade-runner

por Jorge Saldanha
(Veja resenha completa no DVD Magazine)

SOBRE A EDIÇÃO:

Nos EUA, esta “versão final” de BLADE RUNNER, produzida por Charles de Lauzirika, foi lançada em DVD em edições com dois, quatro e cinco discos, e em Blu-ray num box/maleta de cinco discos. Aqui no Brasil recebemos uma edição intermediária com três DVDs, e posteriormente esta edição em alta definição com três BDs, acondicionados numa embalagem Digistak (com dimensões do padrão de DVD, não de BD) envolta numa luva de cartolina. Comparada com a edição importada em Blu-ray de cinco discos, perdemos dois que continham extras, os de nºs 2 e 4 (que na verdade são DVDs com resolução 480p). Inclusive, se olharmos o rótulo dos BDs lançados aqui, veremos que eles são os nºs 1, 3 e 5, ou seja, a Warner nem se deu ao trabalho de renumerá-los.

Imagens do Digistak (ou quase isso):
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Imagem da edição ao lado de um Blu-ray normal (despadronização):

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Mas enfim… fora os extras que restaram (detalhados abaixo), temos no box quatro versões oficiais do filme: a final de 2007, as duas de cinema de 1982 (uma para o mercado norte-americano e a outra para o mercado internacional) e a “do diretor” de 1992. Todas foram remasterizadas (no formato original widescreen anamórfico 2.35:1) em alta definição 4k, recebendo transferências com encode 1080p/VC-1, mas foi a “Versão Final” que recebeu os maiores cuidados, restaurada digitalmente a partir dos elementos originais de forma a eliminar imperfeições, danos e sujeiras. Temos uma a imagem sem dúvida excelente, que apresenta um nível de detalhe que ultrapassa qualquer lançamento anterior do filme, e isso que sua versão em DVD já era ótima. Os níveis de brilho, contraste e nitidez impressionam, e as cores são mais firmes, vivas e naturais do que nas edições anteriores. Os pretos são sólidos, e mesmo nas cenas mais escuras não vemos ruídos ou artefatos. Percebemos elementos visuais que antes não notávamos, e a perfeição de detalhes e texturas, além da presença de um pouco de granulação inerente à película, indicam a ausência de DNR. As demais versões do filme em alta definição, apesar de não serem o deslumbre visual que é a “Final Cut” (especialmente nas tomadas de efeitos visuais), não fazem feio.

Capturas via Cinemasquid:

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Menu via Blu-ray.com:

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Diferentemente das demais, a “Versão Final” se beneficia de uma estupenda faixa lossless Dolby TrueHD 5.1 (48kHz/16-bit), com dinâmica e espacialidade superiores às mixagens anteriores 2.0 e 5.1. O som está muito bem balanceado, e os canais traseiros agora são empregados à perfeição – nas cenas de rua, somos envolvidos pelos efeitos de transeuntes, chuva e outros ruídos ambientes, fazendo-nos sentir como se estivéssemos mesmo em uma versão futurista e sombria de Los Angeles. Os graves são fortes e “redondos”, e os diálogos agora estão muito melhor equilibrados na mixagem. As três outras versões trazem faixas de áudio Dolby Digital 5.1 (640kbps) em inglês e francês, que soam muito bem desde que não comparadas com a TrueHD – além das diferenças de fidelidade e espacialidade, as mixagens são claramente diferentes. Os menus estão em inglês, e lamentavelmente só a “Versão Final” possui opções de legendas em português (BR) – as demais, apenas inglês, espanhol, francês, japonês, coreano e chinês. Enquanto não tivermos BDs autorados aqui no Brasil, essa prática “meia sola” de algumas distribuidoras não vai acabar. E isso, numa edição em Blu-ray que pela tabela custa quase o triplo da em DVD.

SOBRE OS EXTRAS:

Se em termos de excelência de som e imagem esta edição é superior à versão nacional em DVD, o mesmo não se dá quanto aos extras, já que aquela trazia o longo documentário “Dias Perigosos: Realizando BLADE RUNNER”, um dos melhores já produzidos para home video. Além disso, também perdemos um volume substancial de extras da edição norte-americana (cenas deletadas, featurettes de produção, entrevistas com Philip K. Dick, testes do elenco, etc.), reunidos sob o título “Enhancement Archive”). O que sobrou, infelizmente, não possui legendas em português. Mesmo assim, há um bônus que será muito apreciado pelos fãs do filme (usarei a mesma numeração apresentada no rótulo de cada BD):

Disco 1

Introdução de Ridley Scott (0:37min.) – Em sua introdução à “Final Cut” de BLADE RUNNER, o diretor explica porque esta é a sua versão preferida do filme, mas sem detalhar muito suas características;

Comentários em áudio – A “Versão Final” traz não uma, mas três faixas de comentários de áudio: a primeira com Ridley Scott, a segunda com os roteiristas Hampton Fancher e David Peoples, o produtor Michael Deeley e a produtora executiva Katherine Haber, e a terceira com Syd Mead e Lawrence G. Paull (desenho de produção), Douglas Trumbull e Richard Yuricich (efeitos visuais), David Snyder (direção de arte) e David Dryer (efeitos especiais). O destaque sem dúvida são os comentários de Scott, que conhece como ninguém o filme e nos transmite seu exato significado. As demais faixas detalham mais os aspectos de produção, e no conjunto agradarão aos devotos fãs do filme.

Disco 3

Introduções de Ridley Scott (1:38 min.) – Cada uma das três “Versões de Arquivo” do filme tem uma breve introdução do diretor (por volta de 30 segundos cada), onde Scott explica suas principais características.

Disco 5

Workprint Version – Aqui, o grande atrativo para os fãs em matéria de extras nesta edição em Blu-ray – nada mais, nada menos que a primeira montagem de BLADE RUNNER (workprint) vista apenas em exibições-teste. Ela possui outra abertura, tem a narração de Deckard apenas no final, não traz a cena do unicórnio e nem o final feliz e contém diálogos diferentes entre Batty e Tyrell, entre outras coisas. É uma versão claramente não finalizada, com trechos de música temporária na trilha sonora. Apesar de também estar apresentada em resolução 1080p/VC-1, a qualidade da transferência, extraída de elementos pobres e manuseados, é muito inferior. Além da imagem menos nítida, com cores pálidas e acentuada granulação, a proporção de tela é 2.20:1, diferente portanto da 2.35:1 das outras quatro versões do filme. O áudio em inglês Dolby Digital 5.1 até que não é ruim, e as opções de legendas são inglês, francês e espanhol. O importante, aqui, é o valor histórico;

Comentários em áudio – A “versão de trabalho” de BLADE RUNNER pode ser acompanhada pelos comentários do escritor Paul M. Sammon (“Film Noir: The Making of Blade Runner”), que demonstra ser um especialista no filme ao nos conduzir por esta primeira montagem, apontando o material eliminado e as mudanças que foram feitas nas versões;

All Our Variant Futures: From Workprint to Final Cuts (SD, 30 min.) – Tão interessante quanto a primeira montagem de BLADE RUNNER, este documentário (o único desta edição nacional em BD, em resolução standard) aborda as várias versões do filme, naquela que pode ser considerada uma das mais tumultuadas tentativas de reconstrução de uma obra para se adequar à visão de um diretor. Scott fala bastante sobre sua visão original, como ela foi diluída pelos produtores, os fatos que levaram à “versão do diretor” de 1992 que, de fato, não é do diretor, e finalmente à restauração de 2007.

Trecho do filme em HD:


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Blu-rays com legendas em português:




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